Funcionários da Eletrobras denunciam entreguismo do governo que deprecia a empresa para garantir sua privatização

Com críticas do PDT, processo de venda das ações da União ganhou repercussão com apagão no Amapá

O engenheiro Diogo Mac Cord, atual secretário de Desestatização do Ministério da Economia, foi alvo de críticas da Associação dos Empregados da Eletrobras (AEEL), em informativo institucional divulgado no início deste mês. No centro da discussão, a depreciação gerada pelo processo articulado de privatização no governo federal.

Segundo os servidores, Mac Cord ataca a reputação da estatal com “afirmações, rasas e sem consistência”. Entre elas, a de que a Eletrobras “foi impedida de participar de leilões, responsável por blecaute, condenada por práticas predatórias e envolvida em escândalo de corrupção”.

“A mentira, que dá a tônica do governo Bolsonaro e da atual gestão da Eletrobras, passou de irresponsabilidade e alcançou o nível do crime de responsabilidade, pois as mentiras ditas por uma autoridade pública em prejuízo da Eletrobras e seus stakeholders, causam consequências em toda a economia popular”, afirmam, no documento.

Impacto

Sociedade de economia mista e de capital aberto sob controle acionário da União, a venda da fatia pública virou prioridade do Planalto, em novembro de 2019, com o encaminhamento do projeto de lei 5877, de 2019, para o Congresso Nacional. Se concretizado, o Estado ficaria apenas com 10% das ações.

Por considerar um elo fundamental para o estratégico setor de energia, o PDT entrou com medidas no Supremo Tribunal Federal (STF), a partir de ações diretas de inconstitucionalidade (ADINs), para impedir a entrega de mais um patrimônio nacional. Deputados e senadores do partido também mantêm constantes articulações, em Brasília, para esvaziar a estratégia do Programa Nacional de Desestatização (PND).

A proteção da empresa, responsável por 30% da geração de energia e por 50% da transmissão no país, ficou ainda mais evidente com o blecaute, desde o último mês de novembro, no Amapá.

“Infelizmente, a gestão da Eletrobras foi capturada pelos grandes acionistas minoritários privados, que buscam transformar a empresa numa espécie de corporação controlada por fundos sugadores da poupança popular, como aqueles que controlam a LMTE, dona da subestação do apagão no Amapá”, condenam.

O documento completo, da AEEL, pode ser acessado aqui

(Por Bruno Ribeiro / PDT-RJ)