Esquerdas se reúnem 8/11 no Sindpetro-RJ para traçar programa comum para disputar a Prefeitura do Rio

 

“Antes de pensar em nomes, vamos unificar as ideias e é por isto que tenho certeza de que faremos História”.

(Everton Gomes)

Por Osvaldo Maneschy

Ao abrir o seminário “Um Programa para o Rio – Democracia, Cidade e Desenvolvimento”, iniciativa de quatro dos partidos da esquerda (PDT, PSB, PC do B e PCB) de construírem uma plataforma comum para disputar a Prefeitura do Rio de Janeiro em 2020, o representante da Fundação João Mangabeira (PSB), Helid Raphael, um dos organizadores do evento, destacou que a unidade das esquerdas é importante não só para os fluminenses, mas também para todo o país; porque, na sua opinião, o Rio de Janeiro continua sendo a capital política do Brasil.

“Espero que hoje (sexta, 8/11) seja o ponto de partida para a retomada da caminhada iniciada em 1930 e interrompida em 1964, com o golpe militar – patrocinado pelo imperialismo – contra o governo então protagonizado pelos trabalhistas, socialistas e comunistas”, o governo João Goulart, acrescentou Helid Raphael. Destacou que nada mais simbólico para a reconstrução desta unidade do passado do que a realização deste evento pelo início da unificação das esquerdas cariocas, tendo em vista as eleições municipais do ano que vem, que a reunião se realizasse na sede do Sindicato dos Petroleiros: ícone da campanha “O petróleo é nosso”.

FUNDAÇÕES

Logo em seguida Raphael convidou para a mesa os representantes no Rio das fundações partidárias Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (PDT); Dinarco Reis (PCB); Maurício Grabois (PC do B) que junto com ele, pela Fundação João Mangabeira (PSB), trabalharam pela organização do evento que, naquele momento, lotou o Sindpetro-RJ.

Em nome da Fundação Maurício Grabois, Luana Reis, afirmou que o Brasil vive “dias tenebrosos de ataques à Democracia” e, por isto, mais do que nunca é importante que a esquerda converse entre si e construa programas comuns de resistência “para enfrentar os retrocessos que vivemos”. Martha, em nome da Fundação Dinarco Reis (PCB), destacou a importância da união dos progressistas “para enfrentar este momento de retirada de direitos dos trabalhadores, de perdas e retrocessos com um presidente que enaltece torturadores e milicianos”. “É importante aprofundar o debate, porque queremos Democracia para todos, em que o favelado não se sinta ameaçado pela Polícia, em que haja melhor distribuição de renda e acabe a miséria absoluta: chega de opressão e miséria, ditadura nunca mais”, afirmou.

Pela Fundação Brizola-Pasqualini (PDT), Everton Gomes, destacou que a reunião que participavam era o início da construção do programa de governo destinado a dar novo rumo à prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro,  porque a união da esquerda era passo decisivo “para construir novo caminho não só para o Rio, como para o Brasil”.   Disse também essa união teria grande repercussão no Brasil  porque já estava acordado que “antes de pensar em nomes, vamos unificar as ideias e é por isto que tenho certeza de que faremos História”.

Helid Raphael, pelo PSB, retomou a palavra e para dizer que seu partido entendia que o processo eleitoral é importante; mas não único, porque “estamos aqui para construir um programa de governo que representante a unidade”.

Logo em seguida Raphael convidou os integrantes do debate principal do evento, chamando para a mesa os três pré-candidatos a prefeito do Rio de Janeiro presentes: deputada estadual Martha Rocha (PDT); deputado federal Alessandro Molon (PSB); e ex-ministro do Trabalho e ex-deputado federal , Brizola Neto (PC do B).

PROPOSTAS

Martha Rocha, a primeira a falar, logo na abertura disse que a reunião no Sindpetro tinha por objetivo principal não a escolha de candidatos, mas a discussão de propostas para melhor governar a cidade do Rio de Janeiro. “Precisamos sair daqui com um programa que represente a todos nós”, frisou Martha, que também criticou o governo Bolsonaro e a perda de 30 milhões de carteiras assinadas desde que ele assumiu o governo em janeiro, como se o mercado “tivesse a capacidade de resolver tudo”.

O fracasso do megaleilão de petróleo da cessão onerosa, ocorrido um dia antes, segundo Martha, serviu para que o mercado dissesse claramente o que pensa do governo Bolsonaro: “Segundo economistas, o mercado disse em alto e bom som que não confia no governo Bolsonaro”, frisou. Martha também acredita que “certo desencanto” também progressivamente vem crescendo entre os eleitores do governo.

“Bolsonaro nunca vai transformar este país em Nação; e aqui no Rio vivenciamos contagem regressiva, porque já na eleição do ano que vem teremos resultado que impactar no pleito de 2018, porque o atual prefeito do Rio, Crivella, repete o mesmo comportamento beligerante do presidente ao destruir pela força as cabines de pedágio da linha amarela – em atitude incompatível com o estado de direito”, embora todos concordamos que o pedágio a 15 reais, ida e volta, também é absurdo. Martha lembrou que Brizola, ao construir a Linha Vermelha, não permitiu que fosse cobrado pedágio na via urbana.

Martha criticou o governo Crivella, especialmente pelo desmonte que ele vem fazendo também nas áreas de saúde, de educação e outras igualmente importantes. Sem cuidar de coisas essenciais como a mobilidade urbana, cada vez pior. Criticou também o fato de que dez mil pessoas vivem nas ruas do Rio e apenas dois mil e poucas sejam atendidas nos 63 abrigos municipais. Frisou que “é inaceitável” que parte dos cariocas seja obrigada a perder até duas horas para se deslocar entre casa e trabalho; e que um em cada três cariocas viva em comunidades carentes desprovidas de serviços públicos de qualidade.

“Temos que construir um programa com planejamento estratégico que respeite o cidadão; e não custa lembrar que o compromisso básico do PDT é com as crianças e a juventude, além da luta pelas mulheres, pelos negros, pelos indígenas e pela Natureza”. Antes de encerrar, elogiou a citação feita na abertura do evento, de que o Trabalhismo, o Socialismo e o Comunismo estavam unidos em 64; e que é preciso reativar esta aliança histórica por conta dos desafios de hoje. Concluindo, citou Brizola, Arraes e João Amazonas:

– “Brizola dizia que a educação era o único caminho para o homem conquistar a sua independência; Arraes dizia que a gente (os políticos) faz o possível, e o impossível o povo ajuda a gente a fazer; e João Amazonas sempre nos disse que a Humanidade é a porta da esperança”.

MOLON E BRIZOLA NETO

Já Alessandro Molon, também sobre a unidade das esquerdas, disse “nossas bandeiras não cairão; pelo contrário, serão erguidas alto”, logo ao abrir sua fala. “Estamos construindo um amanhã diferente na História da cidade e do país. Daí a minha saudação a todos e também às fundações aqui representadas”. Ele acrescentou:

– “Estou feliz de começar este debate por ideias, por propostas e não por nomes. Os nomes nos dividem e as propostas nos unem. Venho para este encontro com a esperança de que a unidade se afirme aqui, porque precisamos aprender com nosso erros: temos que ter clareza de que erramos em 2018; e se não tivéssemos errados, o Brasil de hoje não seria do jeito que está”, afirmou, lembrando a luta no Congresso contra o projeto de reforma da Previdência do governo. “Vejam o que aconteceu: o governo mandou um projeto que não combatia os privilégios; pelo contrário, punia os de baixo. E com a união dos partidos de esquerda, avançamos e fizemos importantes mudanças no projeto original”. Citou o tempo de serviço para a aposentadoria, reduzido de 20 para 15 anos, a aposentadoria dos professores etc.

“Para termos unidade, precisamos sentar à mesa sem impor nomes; porque quando a conversa começa com nomes impostos, não é aliança: é adesão”, destacou Molon, acrescentando que “temos que ter grandeza, diminuir vaidades, pensar primeiro no povo e depois no partido, porque se a gente pensa primeiro no partido, dá no que deu na eleição de 2018. Por isto precisamos discutir ideias, povo, cidade e país – acima dos projetos pessoais”.

Concluiu: “Estamos aqui, de coração aberto, para decidir o melhor para o carioca, o povo fluminense e o povo brasileiro. Nossa cidade está abandonada, melancólica; nunca foi tão maltratada como agora. Sofremos em nível estadual, municipal e federal; e é por isto que precisamos começar a consertar pelo Rio de Janeiro. Mas tudo depende de uma coisa: ganhar eleição. Não basta ir para segundo turno, temos que ter a capacidade de vencer o 2° turno conquistando o centro. O momento não permite que pensemos em projetos partidários, em vaidades, ele exige que cheguemos ao segundo turno e vençamos”.

Brizola Neto, último pré-candidato a prefeito a falar, pelo PC do B, abordou com profundidade a questão do petróleo, a desconstrução da Petrobrás e de suas políticas públicas e a importância de o Rio de Janeiro retomar o desenvolvimento de sua economia, através da retomada do crescimento da cadeia produtiva do petróleo e gás. Uma as principais tarefas do prefeito do Rio, segundo Brizola Neto, é defender a Petrobrás e cobrar de Brasília a importância da empresa para a economia fluminense.

Outras duas mesas de discussão também aconteceram no evento: “Segurança Pública e Democracia para o Rio que queremos”, com a participação do professor Eurico de L. Figueiredo (INEST/UFF); de Everton Gomes, pela FLB-AP, do PDT; Tainá de Paula (PCdoB) e Eduardo Serra, do PCB, com mediação da deputada estadual Enfermeira Rejane (PCdoB). E por último, a mesa “Educação é Desenvolvimento”, com participação dos professores: Lia Faria (UERJ); Izolda Cela (Vice-Governadora do Ceará); Marcos Andrade (FJM/PSB); e Hiran Roedel (PCB).

O PT e o PSOL do Rio de Janeiro, por sua vez, já decidiram se unir em torno da candidatura do deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) que, na eleição passada para prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, perdeu o segundo turno para o candidato da Igreja Universal, o bispo Marcelo Crivella, atual prefeito. Mas o jogo de 2020 só está começando.

Veja o vídeo do evento:

https://www.facebook.com/FLBAPRIO/videos/510235219823918/