Em entrevista ao ‘My News’, Ciro não economiza críticas a Sérgio Moro e a Jair Bolsonaro

Entrevistado por Mara Luquet, Ciro critica Moro, Bolsonaro e Lula

O ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à presidência, entrevistado no programa “My News” de Mara Luquet, no programa “Lisboa Connection”, reforçada com os jornalistas convidados Lucas Mendes e Caio Blinder, desafiado a falar sobre os demais pré-candidatos nas eleições presidenciais de 2002 não economizou duras críticas ao ex-juiz Sergio Moro e a Jair Bolsonaro; ao mesmo tempo em que criticou, mas elogiou também, políticas públicas do ex-presidente Lula como a valorização real do salário mínimo e o aumento do crédito para a população. Ciro lembrou também  que no Governo Dilma o PIB brasileiro levou tombo que provocou  forte desemprego, agora agravado por Bolsonaro.

“Lula pegou o crédito disponível  em 15% do PIB e o entregou com 57%”, explicou Ciro, instado a “falar bem” de Lula, já que o tem criticado demais. Sobre Bolsonaro e Moro, disse que não há nada a elogiar e questionado se teria medo de falar do ex-juiz, frisou: “Vou falar a verdade seja lá qual for a consequência. Medo do Moro? Cara, tenho coragem de mamar em onça, vou ter medo de Moro?”, respondeu.

Na entrevista de mais de uma hora, Ciro falou sobre o fato do Brasil ter se tornado com Bolsonaro espécie de “país pária” em assuntos como meio ambiente, economia, manipulação da mídia, degradação social e violência – tudo por conta “da presidência ser exercida por um bandido”. Na opinião de  Ciro, Bolsonaro é responsável pelo fato termos muito mais mortos na pandemia do que a média mundial:  “Se estivéssemos dentro da média mundial, teríamos em torno de 400 mil mortos e não os mais de 600 mil já registrados até agora”, argumentou.

Segundo Ciro, o mundo vê o Brasil governado por um neonazista semianalfabeto que não sabe de nada. Comparando Bolsonaro com o ex-presidente norte-americano Donald Trump, disse que enquanto Trump não passava de um arrogante, Bolsonaro é um preguiçoso que diz absurdos porque “é um canalha sem limites”.

Provocado a dizer porque não votaria em Ciro Gomes, Ciro defendeu-se:  “Acho que deveria ser mais transigente com a realidade imposta ao Brasil por conta das palavras duras que falo. Gostaria de ser um poeta, mas não sou capaz de dominar emoções e transforma-la em versos. Na minha vida publica não me corrompi. Fui ministro duas vezes, govenador, deputado estadual, federal – e nunca me envolvi com corrupção”, argumentou em sua defesa, acrescentando em seguida:

“Estou me lançando como espécie de  anticandidato em uma festa de brancos para a qual não fui convidado. No Ceará, no governo, consegui bons resultados nas áreas da saúde, da educação e da economia, tanto que fui ao mercado e comprei a dívida do Ceará com 15 anos de antecedência. Meu defeito maior talvez seja minha intransigência por conta disso tudo de errado que acontece no Brasil”. Ciro completou:

“A elite sabe que sou sério e competente, por isto estou apresentando o meu currículo. Sou um cara de cintura dura e se assinasse algo parecido com a Carta aos Brasileiros (do Lula), talvez o mercado me aceitasse”.

Esta mesma elite, frisou “quer fazer Moro a força” presidente da República, mas na sua opinião Sergio Moro não passa de um corrupto porque em qualquer país civilizado do mundo ele seria tratado como tal.

“Moro julgou um político, tirou os seus direitos e o prendeu e, em seguida, foi ser ministro do sujeito beneficiado com a sua decisão, no caso Bolsonaro. Isto com a promessa – se ele chegasse ao poder – de ser nomeado juiz do Supremo Tribunal . Isto é ladroeira”, afirmou explicando que o que Moro fez é definido como corrupção passiva,  promessa de aceitar vantagem indevida. E foi por isso que o STF o considerou um juiz suspeito.

Ainda sobre Moro, disse que ele destruiu a construção pesada brasileira com a lavajato, algo totalmente errado porque, argumentou, “você  prende pessoas, não destrói as empresas e empregos”.  Lembrou também que ultimamente Moro estava trabalhando nos EUA exatamente na empresa norte-americana que hoje gere a massa falida da Odebrechet, situação que resumiu com uma palavra: “Picaretagem”.

Ciro também acusou Moro de trabalhar contra os interesses do Brasil, em parceria com o ex-promotor Deltan Dallagnol, ambos alinhados ao governo dos Estados Unidos e da agência de inteligência do governo dos EUA, a CIA.

“Dallagnoll afirmou publicamente que se não fosse a ajuda da CIA, Lula não seria preso”, acusou Ciro.

(por O.M.)

Veja a íntegra da entrevista: