Lupi: ‘Em 2022 Ciro pode captar votos anti-Lula e dos bolsonaristas’

Presidente do PDT defende fortalecimento de Ciro para 2022 via  discussões programáticas

Por Bruno Ribeiro / OM

Os votos dos que divergem de Lula e do PT, bem como os desiludidos com Jair Bolsonaro, poderão ser aglutinados pelo pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, garantindo sua vaga no 2° turno das eleições presidenciais de 2022, afirmou o presidente nacional do PDT,  Carlos Lupi, em entrevista à Carta Capital nesta quarta-feira (19). “Na minha opinião, acho que a disputa final será entre Lula e Ciro Gomes”,  afirmou.

“Se – acredito que isso acontecerá – com a derrocada do Bolsonaro;  Ciro vai crescer e com esses eleitores mais de centro, que são anti-Lula mas não são colados a Bolsonaro – apenas votaram mais com sentimento anti-PT e anti-Lula do que a favor do Bolsonaro, esse eleitorado deverá vir para a gente”, explicou.

O processo de formação de alianças pró-Ciro avançará, até 2022, na medida em que a pré-candidatura pedetista continue se fortalecendo através da discussão dos grandes temas nacionais.

“A direita já tem sua representação no Bolsonaro, então a gente não disputa esse campo. Esse campo mais de centro e que, conforme se aproxima o processo eleitoral, se aproxima de um campo mais à esquerda ou mais à direita, é disputado em cima de projetos. É o que nós queremos fazer. O nosso projeto de taxação das grandes fortunas, de democratização do sistema financeiro, entre outras iniciativas”, detalhou.

“O que eu chamo de democratização? O Brasil não pode estar nas mãos de três bancos controlando praticamente 80% do sistema financeiro. Somos tão a favor da democracia que queremos copiar os americanos. Lá, estados e municípios têm bancos a se perder a conta. Tem estados americanos com 50 bancos. Nós queremos essa democratização, que se pulverize esse sistema financeiro, para se facilitar a ajuda ao pequeno e médio produtor, ao pequeno e médio cidadão que quer construir sua casa, comprar seu carro, ter mais dignidade na vida”, completou.

Impopularidade

Sobre o processo de “desidratação” do atual presidente da República, Lupi lista três pontos que considera determinantes para a queda ininterrupta da popularidade do atual ocupante do Palácio do Planalto.

“Acho isso baseado em três fatos: primeiro, Bolsonaro tem hoje menos da metade dos votos que teve na eleição; segundo, a cada dia que fala ele perde alguma coisa, perde um voto, perde um segmento; e terceiro, o segmento mais radicalizado, da política do ódio, da discriminação, de parcela dessas igrejas mais fundamentalistas que odeiam a diversidade da sociedade, não passa de 15%. E acho que é essa deverá ser a base eleitoral do Bolsonaro”, pontuou.

O pedetista indicou na entrevista que Bolsonaro usa a narrativa de fraude eleitoral para desviar o foco da crise em que está envolvido e justificar a sua  possível ausência do segundo turno.

“O desespero dele é tanto que ele não fala da questão do voto impresso com o discurso do Leonel Brizola, que argumentava sobre a necessidade do voto impresso para permitir a recontagem, permitir que as urnas eletrônicas tivessem um comprovante do voto, tipo esses de cartão de crédito, para ser arquivado e, em caso de dúvida quanto ao resultado, permitir a recontagem”.

“Não achando que isso fosse um instrumento para você garantir a sua eleição, para denunciar que qualquer resultado que não fosse ele, Bolsonaro, o vencedor, seria uma fraude. Isso é uma estratégia de quem está se sentindo derrotado”, finalizou