Eduardo Chuahy, fundador do PDT ao lado de Brizola, morre de infarto aos 87 anos

Capitão do Exército e ajudante de ordens de Jango,  Chuahy foi cassado pelos golpistas de 64

Velório será de 8h30m às 11h30m no Memorial do Carmo, no Caju

Morreu neste domingo (24/1) de infarto, aos 87 anos, o ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Eduardo Chuahy, militar nacionalista, cassado, fundador do PDT e um dos principais aliados do governador Leonel Brizola na reconstrução do Trabalhismo depois da ditadura. Também economista com pós-graduação em políticas públicas, Chuahy teve os seus direitos políticos e a patente de capitão do Exército cassados em 1964, quando era ajudante de ordens do presidente João Goulart.

Para o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, Chuahy foi um exemplo de cidadão que “atuou por um país mais justo para todos”. Segundo Lupi, ele foi um pedetista “leal, combativo, que orgulha as fileiras do Trabalhismo. No enfrentamento da ditadura, foi cassado e exilado, mas nunca arrefeceu diante das dificuldades, pois a luta democrática era essencial para o futuro do Brasil”, afirmou. Ao homenageá-lo, Lupi também prestou condolências:
“Nossos sentimentos à família e amigos neste momento de consternação. Seu legado está eternizado”.

Em manifestação a Sergio Caldieri, o  advogado e dirigente do PDT Trajano Ribeiro lembrou que “Leonel Brizola, durante a refundação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), no início da década de 80, delegou a Chuahy o registro e a reorganização da sigla. “Mas Brizola acabou perdendo a sigla para a ex-deputada Ivete Vargas, numa manobra maquiavélica do general Golbery do Couto e Silva. O bruxo do SNI tinha muito interesse na divisão dos trabalhistas para impedir o sonho da candidatura Leonel Brizola à presidência da República”, explicou Trajano, membro do Movimento de Aposentados, Pensionistas e Idosos do PDT (Mapi), fundado com apoio de Chuahy.

Carreira

O militar cassado e economista foi eleito deputado estadual em 1982 pelo PDT, reeleito em 1986 e presidiu a Assembleia Legislativa do Rio até 1987. O terceiro mandado como deputado foi entre 1990 e 1994, também pelo PDT.  Chuahy, destaca o texto de Caldieri, assumiu o governo do Estado várias vezes sendo que numa delas, representou o Brizola numa solenidade militar no Monumento dos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, o que obrigou que mesmo a contragosto oficiais batessem continência a um militar cassado em 1964.

Graduado em economia e pós-graduado em Administração Pública, Chuahy foi secretário de Fazenda na Prefeitura do Rio, no mandato de Marcello Alencar, e presidente do Detran do Rio. Entre 1985 e 1986, presidiu a Alerj e assumiu, interinamente, o governo fluminense em três ocasiões.

O atual presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), em nota, lamentou a morte de Chuahy: “Fica para nós a memória de um homem público aguerrido e fiel aos seus princípios, de democracia e respeito ao ser humano. Lamentamos sua morte e ofertamos nossas condolências à família”.

Cassado pela ditadura e impedido de trabalhar, Chuay foi um expressivo promotor da cultura. Na diretoria da Editora Vozes, de Petrópolis, editou diversos livros, incluindo ‘1964: A conquista do Estado’, do uruguaio René Dreiffus, ‘A originalidade das Revoluções’, de Edmundo Moniz, e as obras do militar e historiador Nelson Werneck Sodré. Chuahy, ao lado de Raul Ryff, secretário de imprensa de Jango, foi um dos incentivadores do cineasta Silvio Tendler a produzir o documentário “Jango”. E em parceria com  Wagner Victer, é co-autor do livro “A Construção e a Destruição do Setor Elétrico Brasileiro” no governo entreguista de Fernando Henrique Cardoso, que está atualíssimo por conta da tentativa de privatizar a Eletrobrás nos dias de hoje, via Paulo Guedes.

Com Waldir Pires e Almino Afonso, Chuahy participou de importante debate importante em fevereiro de 2014, na Univesp, sobre o golpe de 1964 e a repressão política. Também foi testemunha importante do martírio e assassinato nos porões da ditadura do líder sindical José Ibrahim, ocorrido no Dops/SP. No dia 4 de maio de 2013, em audiência pública na ABI, no Rio, Chuahy afirmou que esteve preso com José Ibrahim e o viu ensanguentado em sua cela, vítima de torturas que o levaram à morte.

Assista ao vídeo da Univesp: