‘Desenvolvimento é a única saída para mitigar a crise econômica’

Manoel Dias, Brizola Neto e Roberto Cláudio discutiram alternativas econômicas  no seminário Trabalhismo é a saída

*Por Bruno Ribeiro / PDT-RJ

No terceiro painel do seminário “O Trabalhismo é a saída: respostas para a crise brasileira”, o Projeto Nacional de Desenvolvimento (PND) do PDT foi colocado como vetor para mitigar o cenário precarizado do mercado de trabalho. O debate, nesta segunda-feira (24), integrou a série de formação promovida pela Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP) do Rio de Janeiro.

Mediado por Leonardo Lupi e Bruna Werneck, da direção da organização pedetista, o encontro contou com posicionamentos do secretário-geral do partido e presidente nacional da FLB-AP, Manoel Dias, do coordenador de Trabalho e Renda de Niterói (RJ), Brizola Neto, e do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio.

Ao longo da atividade, ficou evidenciado, a partir de dados, as consequências das políticas neoliberais nas últimas décadas, com ênfase na gestão do presidente Jair Bolsonaro. Segundo o IBGE, já são mais de 14 milhões de pessoas (14,2%), em 2021, recorde desde o início da série histórica. Já na última década, 10 milhões de pessoas perderam os benefícios da carteira assinada.

Ex-ministros do Trabalho e Emprego, Manoel Dias e Brizola Neto mencionaram o aprofundamento do retrocesso instalado, que está sustentado no aumento da informalidade, da precarização da mão de obra e da desigualdade social.

“Nesse momento crítico da história brasileira, com quase 450 mil mortos pela Covid-19, o Bolsonaro segue desrespeitando a todos e guiando a nação para o caos. Essa realidade é também evidenciada no volume recorde de desempregados e de incluídos na extrema pobreza”, disse Dias.

“Hoje, existem mais brasileiros fora da força de trabalho do que dentro. Existe um problema estrutural e sistêmico da economia brasileira que foi agravado pelo Bolsonaro, mas não foi criado por ele. É uma realidade que perdura e está relacionada à falta de desenvolvimento da força produtiva e a dependência estrangeira”, Brizola Neto, ao condenar o fim do ministério criado por Getúlio Vargas.

Segundo Roberto Cláudio, o Brasil vive, há 40 anos, com a falta de crescimento. Em um “cenário de tragédia”, as consequências estão intrinsecamente ligadas às diretrizes adotadas por governos neoliberais.

“O erro está no modelo econômico baseado no liberalismo tosco, que gerou desigualdades profundas e precarizou o trabalho e o bem estar social”, afirmou, com menção às recentes limitações impostas na legislação trabalhista e a redução do Estado.

Mudança

Consenso entre os palestrantes, o PND – capitaneado pelo presidenciável pedetista, Ciro Gomes – configurou o contraponto conjuntural para superar a tragédia social, econômica e fiscal.

“O Brasil não pode mais abrir mão da sua industrialização. A pandemia mostrou que a nação precisa deixar de ser dependente do estrangeiro. E não foi por falta de capacidade, mas pela opção dos governos”, analisou Brizola Neto.

“A realidade brasileira pune quem produz e trabalha para privilegiar o rentismo do mercado financeiro, que só ganha dinheiro. O PDT e Ciro Gomes têm tocado nesse ponto central com o PND, que traduz a mudança necessária e incentiva a educação libertadora”, completou, com citação de exemplos balizadores, como os programas de Niterói para manutenção do emprego e da renda, além dos financiamentos para empresas locais.

Nesse sentido, Dias mostrou o trabalhismo como indutor da plena recuperação da nação e da reconstrução de políticas voltadas para o beneficiamento das camadas mais vulneráveis da população.

“A partir do exemplo mostrado por Vargas, vamos buscar a reconstrução nacional com reformas estruturantes. O Projeto Nacional de Desenvolvimento, com Ciro Gomes, buscará o aprimoramento do Estado, e não a sua precarização, para atender aos anseios do povo”, explicou, ao ratificar a expansão dos núcleos de base e a representatividade de Leonel Brizola.

Com foco nas eleições de 2022, Roberto Cláudio prevê que o partido terá “o melhor candidato” e um plano de governo que “defenderá os ativos nacionais e valorizará o cidadão”.

“O PDT tem um projeto para o país. É isso que a gente precisa discutir e traduzir em termos práticos e concretos. O PND poderá modificar o futuro do Brasil”, concluiu.

Programação

O ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves liderará o painel, no próximo dia 31 de maio, às 20h, sobre a relevância do “apoio ao micro e pequeno empresário e ao trabalhador informal” diante do panorama econômico existente. Rodrigo Nogueira, secretário de Desenvolvimento Econômico de Fortaleza (CE), e Felipe Batista, do Instituto da Brasilidade, confirmaram presença.

O penúltimo evento, no dia 7 de junho, às 20h, abordará a “reindustrialização dentro das perspectivas de desenvolvimento” progressista ao longo dos próximos anos. A pauta será exposta pelo presidente do Instituto da Brasilidade, Darc Costa, em parceria com o diretor-executivo da Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos (COPPETEC), Fernando Peregrino, e a professora da UERJ Christiane Laidler.

No encerramento, o presidente nacional do partido, Carlos Lupi, receberá o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e o economista Eduardo Moreira para fomentar análises em busca da “construção da unidade popular”. O encontro ocorrerá no dia 14 de junho, às 20h.

Cadastro

Com programação até junho, o seminário permite inscrições através de um canal exclusivo. Para garantir uma vaga, clique aqui.