“CPI da pandemia vai provar de forma ampla e profunda crimes de Bolsonaro”, diz Lupi

Guga Noblat e Carlito Neto entrevistaram Lupi nesta segunda no canal ‘Sem Politiquês’

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, defendeu a plena atuação do Senado Federal para investigar, através de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), as ações do governo de Jair Bolsonaro na pandemia da Covid-19, bem como a pré-candidatura de Ciro Gomes, ao Planalto, pelo PDT. As manifestações ocorreram, nessa segunda-feira (12), durante entrevista para Guga Noblat e Carlito Neto no canal ‘Sem Politiquês’.

Ao listar a série de medidas promovidas pelo partido, principalmente no âmbito do Superior Tribunal Federal (STF), para resguardar o estado democrático de direito, Lupi ratificou a necessidade de atestar, de forma ampla e profunda, os crimes de responsabilidade do presidente da República. Na sua opinião, ele é o responsável direto pelas mais de 350 mil mortes em decorrência do coronavírus no Brasil.

“Tem que começar a investigar por quem tem o dinheiro, é negacionista, vira as costas para ciência, dizia que a pandemia era uma gripezinha e a vacina chinesa transformava as pessoas em jacaré”, pontuou, em consonância com a bancada de senadores da sigla, que é formada por Weverton Rocha, Cid Gomes e Acir Gurgacz.

“Vai ter que ser instalado a CPI e doa a quem doer. Se apure quem cometeu erro, quem fez corrupção e que vá para a cadeia”, acrescentou, ao exaltar a decisão do ministro do STF Luís Roberto Barroso.

Premeditado

Sobre o vazamento da conversa entre Bolsonaro e o senador Jorge Kajuru ao longo do dia de ontem (12), Lupi avaliou que é mais uma tentativa de tirar a crise da pandemia do centro do debate nacional, pois o presidente é “genocida” por ser “sócio direto da mortandade de milhares de brasileiros.”

“Eles precisam desviar o assunto. Isso é uma tática antiga que começou lá com o Trump, nos Estados Unidos. Eles usam as mídias sociais para, a cada momento, criar um fato, um foco diferenciado para a gente esquecer do número de mortes da Covid, do desastre do governo, do desemprego que está batendo recorde, da inflação”, explicou.

“É uma falsidade só. Tudo é mentira, tudo é falso. A palavra é falsa, o comportamento é falso e os seguidores são falsos”, completou.

Alternativa

A partir da solidez e do potencial de Ciro Gomes na corrida até o Palácio do Planalto, o presidente pedetista ratificou a decisão nacional da sigla em prol da sua pré-candidatura e relembrou os quase 13% acumulados na eleição de 2018.

“Ciro Gomes é o [pré] candidato do PDT nas eleições de 2022. Isso já está decidido pelo partido. O que eu coloco, e é natural, que você não pode buscar uma aliança impondo quem você quer aos demais partidos. O PDT apresenta o nome dele”, explica.

“Então para mim faz uma diferença [Ciro] e é nisso que eu estou apostando. Isso que nós estamos trabalhando”, salientou, acreditando na chegada ao segundo turno sem Bolsonaro.

Lupi valorizou ainda a importância do Projeto Nacional de Desenvolvimento (PND) em um momento considerado primordial para resgate do protagonismo nacionalista sustentado pelo trabalhismo.

“O Ciro é quem tem o projeto para o Brasil do amanhã, pro futuro. Projeto que tem começo, meio e fim. Nós vamos ampliar a nossa nação, desenvolver o nosso Brasil, como em ciência e tecnologia”, afirmou, lembrando do legado de Leonel Brizola e da importância da união das forças democráticas.

“Nenhum projeto é mais eficiente, mais preparado e mais competente do que o do Ciro. Ele fez um livro, estuda e se dedica a isso. Então eu acredito porque eu acho que fará a diferença”, assegurou.

Ao citar o enfrentamento ao sistema financeiro, o líder pedetista considera a necessidade rediscutir a carga tributária e direcionar a maior incidência de impostos sobre os mais ricos. Para isso, somente um governo alinhado com as causas populares.

“O sistema financeiro é o câncer da sociedade moderna. Meia dúzia ganhando dinheiro. Nunca se ganhou tanto dinheiro, até mesmo na pandemia. Aumentou o número de bilionários no Brasil”, alertou.

A íntegra da entrevista pode ser acessada aqui