Covid-19 leva esta semana Leda Viana, viúva de Cibilis Viana; e o cineasta Jesus Chediak, além de milhares de brasileiros

Na última semana o PDT e o Brasil perderam duas pessoas importantes e emblemáticas: Dona Leda D’Ávila Viana, viúva de um dos principais colaboradores de Leonel Brizola ao longo de sua vida política, o ex-secretário de finanças e Governo Cibilis da Rocha Viana, mãe da Ana Luíza, da Márcia e do Ricardo; e também o cineasta e homem ligado à Cultura, Jesus Chediak, diretor da atual administração da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Perfazendo um total de mais de 10 mil brasileiros mortos desde o início da pandemia no país, em março passado.

Segundo homenagem prestada à ela pelo amigo e vizinho Aziz Filho, em texto publicado no seu Facebook, foi Dona Leda quem escolheu o apartamento na Atlântica onde Dona Neusa e Brizola viveram após o exílio de 15 anos no Uruguai  “onde uma legião de repórteres gastou a juventude em plantões longos e agitados”, inclusive ele, Aziz.

No seu relato carinhoso, Aziz acrescentou: “Cobrimos encontros políticos históricos, e Dona Leda tinha muito a contar sobre eles”. Fiquem com o relato de Aziz sobre Dona Leda Viana:

“Ela passou os últimos anos altiva, até ser derrubada pela Covid-19. Tomava sol todo dia de manhã sentada no banco de madeira do jardim que ela cercou, quando era síndica, sob protestos do vizinho famoso. “Como um líder popular pode morar em um prédio com grades que o separam do povo, Dona Leda?”, resmungava o Brizola. Mas nossa amiga era dura na queda, as grades ficaram, o banco também, e ela tirava uma onda quando via Brizola ali com líderes do naipe de Mário Soares, protegido pelas plantas dos olhares curiosos do calçadão. “Está gostando do jardim agora, governador?”, ela falava, na lata.

“Dona Leda me contou que Fidel Castro apareceu uma vez meio sem avisar, e Brizola recebia no sétimo andar um famoso que o cubano não gostaria de ter ao seu lado. O jeito foi malocar a visita no apartamento dela, no quinto, até que Fidel fosse embora. Quem conhece o talento discursivo do gaúcho e do cubano tem ideia do tamanho da espera. Ela me prometia contar quem era a visita que Fidel não engoliria, mas, talvez pelo vício de discrição e fidelidade de uma vida inteira, nunca disse.

“Combinamos mil vezes de fazer entrevistas sobre essas e outras tantas emoções do prédio em que ela viveu tanto, mas não deu. Dona Leda fazia questão da presença da querida filha ex-deputada. “A Márcia não para no Rio, já está viajando de novo”, dizia. Já enxergava com dificuldade, mas o rosto dela se iluminava num sorrisão lindo quando via Júlia, minha filha, passando no meu colo, ensaiando os primeiros passos no calçadão e chamando-a de vovó, o que aumentou nossa conexão. Estava sempre lá no banco, com um colar de pérolas sutil valorizando seus vestidos caseiros.

“Era firme, de opiniões fortes, belíssima naquela rusticidade que muitos gaúchos não perdem. Meu consolo é a certeza de que ela agora está cercada de gente boa, longe de quem faz festas e churrascos enquanto os brasileiros choram seus mortos. Dona Leda nunca terá de conviver com essa turma porque, com certeza, ela foi para o andar de cima.

Um beijão pra você, minha amiga, e obrigado por todos aqueles sorrisos. Júlia vai sentir saudade.”

JESUS CHEDIAK

Já Jesus Chediak, também levado daqui pela Covid-19, também era um homem de opiniões firmes, apaixonado pela cultura brasileira.  O seu velório foi cerimônia restrita, com poucos parentes e amigos, em função do coronavírus – como precisa ser essas despedidas. A sua despedida foi no Crematório e Cemitério da Penitência, no Caju, no Rio.

“Infelizmente perdemos nosso companheiro. E a gente não pode nem se despedir dele”, lamentou o presidente da ABI, Paulo Jerônimo de Sousa, acrescentando que “em tempos normais, faríamos o velório na ABI, que era a sua casa. É muita tristeza”.

Chediak, jornalista, teatrólogo e cineasta, morreu na sexta-feira (8/5), aos 78 anos, mais uma vítima da Covid-19.  Ao longo do dia, parentes e amigos continuavam a enviar palavras de carinho e pesar pelas redes sociais. Jesus era filiado e militante do Movimento dos Aposentados, Pensionistas de Idosos do PDT (Mapi) e, no primeiro governo Brizola, como nos relatou a presidente do Mapi, Maria José,  trabalhou na FUNARJ.  Chediak também presidiu a Casa França-Brasil, além de várias outras atividades na área de Cultura.

Paloma Chediak, sua filha, homenageou o pai Instagran, em mensagem emocionada de amor e admiração:

“No meu coração, meu pai, você é um gigante. Que orgulho imenso do homem que foste. Te amo tanto tanto tanto. Você está profundamente em mim, entranhado no meu caráter, no fundo da minha alma. Parte do meu coração. Você estará ao meu lado pelo resto da minha vida e tudo o que eu fizer será em sua homenagem, é o que eu lhe devo por me ensinaste sobre grandeza humana. Tive a benção de ter um pai chamado Jesus que me deixou a maior de todas as lições, a da humanidade grandiosa. E foram incontáveis lições do meu Jesus. Fé. Simplicidade. Generosidade. Solidariedade. Amor pela justiça social. Amor ao próximo. Amor. Pai, te juro que vou pôr todo o amor que aprendi com o senhor em tudo que fizer. Vou pôr todas as minhas forças para que o amor vença neste mundo tão massacrado pelo ódio e a indiferença. Vou lutar até o fim, inspirada por suas lições e seu amor, por um mundo mais humano. Depois desta peste nada será como antes. Porque precisamos da lições preciosas que o senhor deixou e eu dou a minha palavra que eu vou passar adiante tudo o que eu aprendi contigo. Será minha missão. Prometo, meu pai, que tudo que eu fizer será inspirado no meu amor por ti. E o amor vencerá, meu pai”.