Coronel PM Jorge Silva, ex-secretário de Direitos Humanos, ícone da luta pela igualdade racial, morre no Rio de Janeiro

Faleceu na madrugada da última terça-feira (15/12) o coronel PM Jorge da Silva, ex-chefe do estado maior da corporação no Rio de Janeiro e ex-secretário de estado de direitos humanos. Ele lutava há anos contra o câncer nos rins. Jorge da Silva era um ícone de todos os movimentos negros do Rio. Alem de oficial da PM, era doutor em Ciências Sociais pela UERJ e mestre em Ciência Política, com dezenas de livros publicados.

Ele foi professor-adjunto da Unidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e professor-adjunto da mesma Universidade. Jorge da Silva nasceu no Complexo de Favelas do Alemão, no Rio, serviu antes à Polícia Militar, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos do Rio. Membro da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia, já ministrou diversas palestras sobre seus estudos da segurança pública brasileira, inclusive na Argentina, México e Japão.

Sobre Jorge da Silva, Ivaldo Paixão, presidente do Movimento Negro do PDT, e o professor Sandro Correia, escreveram o seguinte texto:

JORGE DA SILVA: UM LEGADO DA COMUNIDADE NEGRA BRASILEIRA

Sandro Correia[1]

Ivaldo Paixão[2]

O pós doutor em ciências sociais, antropólogo, professor universitário, advogado, cientista político, ativista dos direitos humanos, ex-secretário de governo no estado do Rio de Janeiro coronel da reserva PM-RJ Jorge da Silva faleceu nesse 15 de dezembro de 2020 aos 78 anos deixando um grande legado para toda a sociedade brasileira, em especial, aos que lutam pelos direitos humanos.

A sua história foi marcada, dentre outras causas, pelo combate ao racismo e defesa das ditas “minorias” publicando vários artigos, como também livros, dentre eles posso citar:“Violência e Racismo no Rio de Janeiro”, Direitos Civis e Relações Raciais no Brasil, 120 Anos de Abolição, Guia de Luta Contra a Intolerância Religiosa e o Racismo

No ensino superior foi professor e coordenador do curso de Segurança Pública da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e na Universidade Federal Fluminense (UFF) foi docente do curso de mestrado em Direito e professor-pesquisador da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.

Essa brilhante trajetória, contribuição intelectual e política vinda de um cidadão negro em um país como o Brasil, é uma vitória, de um jovem guerreiro nascido e criado no complexo de favelas do Morro do Alemão na cidade do Rio de Janeiro que ingressou na polícia militar do estado do Rio de Janeiro aos 17 anos e alcançou o cargo máximo dessa corporação como seu Chefe geral do estado maior.

Jorge da Silva ocupou vários cargos de relevância como, diretor-presidente do Instituto de Segurança Pública do Governo do Estado do Rio (ISP) e Secretário de Direitos Humanos do Rio de Janeiro entre 2000 e 2002.

A sua contribuição foi fundamental para o entendimento da relação entre direitos humanos, população negra, violência e segurança pública com participações em congressos e seminários, no Brasil e no exterior.

Toda a sua experiência à frente de organizações políticas e órgãos públicos lhe fez acumular um conjunto de conhecimentos que o credenciaram como uma autoridade não só acadêmica em razão dos títulos, mas também de referância por seu compromisso com a ética e dignidade humana.

O agora saudoso coronel Jorge da Silva se juntou a nomes da grandeza e estirpe de Edialeda Salgado Nascimento, senador Abdias do Nascimento, coronel Nazareth Cerqueira, deputado Carlos Alberto Caó, Lélia Gonzalez, e demais guerreiros (as) de uma geração de afro-brasileiros que pensaram, lutaram e dedicaram suas vidas por um Brasil com justiça, igualdade racial e social.

Jorge da Silva vive!

 

[1] Professor universitário. Foi secretário de Reparação de Salvador. Foi um dos idealizadores do curso oferecido pela FLB-AP “Políticas de Igualdade Racial”. Membro da direção da Secretaria Nacional do Movimento Negro do PDT.

[2] Capitão de Longo Curso. Foi Diretor da Fundação Cultural Palmares- Ministério da Cultura e um dos idealizadores do curso oferecido pela FLB-AP “Políticas de Igualdade Racial”. Presidente da Secretaria Nacional do Movimento Negro do PDT.