CoronaVac: intervenção do Ministério da Saúde retarda vacinação já programada há meses em Niterói

Prefeitura de Niterói  tinha memorando assinado para compra direta no Butantan de 1,1 milhão de doses

*Por Bruno Ribeiro / PDT-RJ

Em busca da aquisição de 1,1 milhão de doses da CoronaVac, a partir do memorando de intenções assinado, ainda em 2020, pelo então prefeito Rodrigo Neves, a prefeitura de Niterói promoveu uma reunião com o governo do Estado de São Paulo, nesta segunda-feira (11). O processo foi cancelado após a intervenção do Ministério da Saúde, que adquiriu toda a produção do Instituto Butantan – mesmo sem definição do Plano Nacional de Imunização -, o que retardará o pleno início da vacinação na cidade, até então prevista para o final de janeiro.

Durante encontro virtual com o governador de São Paulo, João Doria, o atual prefeito, Axel Grael, relembrou que a cidade foi a única do estado do Rio a participar da mobilização mundial pela CoronaVac, com testes da Fase 3 realizados, desde o último mês de agosto, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. Durante o debate, também reforçou a capacidade para executar a proteção de toda a população contra o Covid-19, diante da existência da maior cobertura de atenção básica da saúde pública da Região Metropolitana do Rio.

“Niterói está preparada para iniciar a vacinação ainda este mês, com equipes e insumos necessários”, garantiu, ao lado do secretário municipal de Saúde, Rodrigo Oliveira.

Ao enfatizar os amplos e capacitados sistemas públicos de saúde nacional e municipal, Grael alertou para o estágio das ações no governo federal e o desejo de acelerar a aplicação.

“A compra integral das vacinas do Instituto Butantan, pelo Ministério da Saúde, é uma vitória do SUS. No entanto, é urgente que o Governo Federal coloque em prática o Plano Nacional de Imunização, do qual Niterói fará parte. Já entrei em contato com o Ministério da Saúde, Secretária de Estado de Saúde, Fiocruz e Butantan para comunicar que estamos prontos para a imunização”.

Em visita a Manaus durante nesta segunda-feira (11), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não garantiu prazos para iniciar a oferta de imunizantes. Em um momento da entrevista, manifestou imprecisão sobre a estratégia federal. “A vacina vai começar no dia D, na hora H no Brasil”, explicou.

Em solenidade de apresentação do Plano Nacional de Imunização, na última quarta-feira (16), Pazuello criticou a cobrança da sociedade sobre a União e rebateu críticas. “Pra que essa ansiedade, essa angústia? Somos a referência na América Latina e estamos trabalhando”, disse, mesmo sem justificar o atraso nas negociações com fornecedores não só do imunizante, mas também de insumos, como seringas e agulhas.

Na última sexta-feira (8), o Butantan protocolou oficialmente o pedido de uso emergencial de 6 milhões de doses oriundas da China, mas não recebeu ainda o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que segue analisando a documentação.