Congresso JS Carioca: pela primeira vez mulheres são eleitas Presidente e Vice-Presidente 

Por Fabio Pequeno

No Parque Madureira, o evento instigou os jovens a pensarem na construção de uma cidade mais inclusiva e tolerante.

Aconteceu, no último domingo (29/04), na cidade do Rio de Janeiro, o XVII Congresso Municipal da Juventude Socialista. Jovens pedetistas de toda cidade e outros municípios limítrofes compareceram no Parque Madureira, o terceiro maior do Rio de Janeiro, no subúrbio carioca, para discutir política e eleger a nova direção (2018-2020). No local, também ocorreram atrações culturais como a exposição “Filhas da Luta”, sobre mulheres importantes na luta política nacional e a apresentação do Bloco Carnavalesco Órfãos do Brizola.

O tema proposto, “Um projeto Alternativo de Cidade”, abordou os inúmeros desafios de uma juventude negra, pobre e LGBT na segunda maior metrópole do país. Que mesmo sendo palco de grandes eventos (Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016) não conseguiu diminuir o alto grau de desigualdade social. A Cidade “Maravilhosa” hoje está em calamidade pública e sofre com uma Intervenção Federal que aumentou o índice de homicídio e tem no seu comando um prefeito omisso com a gestão da cidade.

O encontro começou com uma de roda conversa e discutiu dois temas: “Emergências” (intolerância) e “Cultura e a Identidade Carioca,” onde foram expostas as agendas reacionárias que  o prefeito institui contra a cultura carnavalesca e as minorias pelos convidados: Alice, Presidente Estadual do Movimento de Mulheres Trabalhista; Reinaldo Santos, Presidente Municipal do Movimento Negro; Juliana Araújo, Presidente do bloco carnavalesco “Enxota Que Eu Vou” e Tiago Veras, Presidente Estadual do PDT Diversidade.

Na parte da tarde, aconteceu um painel “Cidades em Disputa” que contou com a participação de Vitor Almeida, criador da página “Suburbano da Depressão” no facebook; Rodrigo Moitrel (criador do “Movimento Ao Ar Livre”) e Everton Gomes, Cientista Político e Vice-presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini.

Ao final, foi apresentada a paritária Chapa 12, composta pela seguinte composição: Presidência: Natália Moraes, Vice-Presidência: Sarah Souza, Secretaria Geral: Renan Uccelli, Tesouraria: Juliana da Silva, Comunicação: Lucas Brasílico e Formação Política: Victor Straub. A chapa foi recebida com gritos, aplausos e foi eleita por aclamação.

De acordo com Natália Moraes, presidenta (recém reeleita) da Juventude Socialista Carioca, todo o Congresso foi pensado desde o seu tema e local até a direção; e para além do debate das minorias, discutiu-se o empoderamento da cidadania ao pensar a cidade de modo coletivo, buscando a melhor forma de convivência:

“Procuramos debater sobre o racismo deflagrado, o abuso policial, o machismo, o sucateamento do transporte público, privatizações, o abandono dos hospitais, a LGBTfobia, os ataques ao carnaval e a cultura de rua, além de nepotismo, do arrocho aos servidores públicos, do aumento de IPTU e das Igrejas usadas como palanque. Somos jovens do subúrbio, da periferia, das favelas, do asfalto; que trabalham, estudam e batalham por dias melhores”, disse a presidenta.