“Ciro vai ser o presidente do diálogo”, defende Everton Gomes, secretário nacional de comunicação do PDT⁩

Vice-presidente da Fundação Leonel Brizola no Rio, Everton acredita que Ciro é o único candidato capaz “de repactuar o país”

Por Leo Lupi

Ex-presidente nacional da Juventude Socialista, Everton Gomes é atualmente secretário nacional de comunicação do PDT e também o vice-presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini no estado do Rio. Everton começou sua trajetória política no movimento estudantil e já ocupou diferentes funções dentro do partido.

Em entrevista para o site da fundação, Everton falou sobre os desafios para atrair os jovens para a militância política e sobre a importância da candidatura de Ciro Gomes para a Presidência do Brasil.

 

Você começou sua trajetória política na militância estudantil. Como o PDT surgiu em sua vida?

Venho de uma família de brizolistas. Meu pai, embora nunca tenha participado de atividades político-partidárias, sempre foi um entusiasta do brizolismo. Minha origem é popular, morei até a adolescência no Morro da Mangueira e lá, naquele território, o único político brasileiro que realmente tinha realizado coisas positivas era o Brizola. Comecei como militante do movimento estudantil, fui presidente do grêmio do Colégio Pedro II. Atuei muito naquele período das reformas neoliberais do governo Fernando Henrique. Eu era estudante secundarista na época e o governo tentou implementar uma série de agendas que eram nocivas  à educação pública e que também atingiam diretamente o colégio Pedro II.

Daquela atividade política para o PDT, foi um pulo. Em um primeiro momento, eu mantive uma relação com jovens do PCB, mas eu já tinha algumas diferenças. Tive um contato inicial com esses jovens que tinham mais ou menos a mesma origem de classe que eu, mas o distanciamento deles com a figura do Brizola me causava certo estranhamento, por tudo aquilo que eu escutava do Brizola na favela, pois ele era muito bem visto lá. Então, ver jovens de periferias que tinham problemas com a figura do Brizola me gerava um certo desconforto.

Acabou que um certo dia descobri que queria entrar em um partido político, movimentar e modificar a realidade. Eu já me identificava com os ideais do trabalhismo, principalmente com o que aprendi nas aulas sobre o Vargas. Aí, descobri que havia uma Juventude Socialista, me filiei ao partido, depois fui para um congresso da Juventude na UERJ e participei das atividades como observador. Um companheiro me identificou ali, me convidou e foi assim que eu entrei na Juventude Socialista. E a partir daí comecei uma trajetória como militante engajado. Já no final do primeiro ano, me tornei presidente municipal da JS aqui no Rio de Janeiro. Fui três vezes presidente estadual, fundei núcleos de base, integrei o diretório nacional da JS, fui secretário de Relações Internacionais da JS, representei o PDT e a JS em vários países do mundo, em conferências e organismos internacionais, cheguei a ser vice-presidente e a ser presidente nacional da JS, que é um fato que muito me orgulha.

Atualmente, você é vice-presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini no Rio de Janeiro. Qual o trabalho realizado pela fundação?

O PDT tem hoje a capacidade de dialogar com a juventude. Os quadros mais jovens têm espaço na direção. Esse é um esforço que vem sendo feito pela nossa direção nacional, tanto pelo presidente nacional, Carlos Lupi, quanto pelo presidente da fundação, Manoel Dias. Eles me deram uma tarefa muito boa de realizar, que é cuidar da formação política dos quadros do nosso partido aqui no Rio de Janeiro. Já no primeiro ano, nós fizemos um planejamento estratégico e conseguimos desenvolver algumas programações que deram muito certo. Destaco o Trabalhismo em Diálogo, que visou trazer debates para dentro do partido, sempre com alguém de dentro do PDT e alguém de fora, para contrapor as visões de mundo e de sociedade. A gente sempre mescla temas históricos com temas contemporâneos. Nós temos muita história para mostrar, especialmente para as gerações mais jovens, que não tiveram a felicidade que eu tive de assistir verdadeiras aulas de políticas de nomes como Leonel Brizola, Abdias Nascimento, Darcy Ribeiro e tantos outros.

Como despertar interesse nos jovens pela política?

É um grande desafio pros partidos políticos. Quando se fala em reforma política, acho que o  grande desafio é também fazer uma reforma político-partidária , para que os partidos tenham capacidade de dialogar com novas gerações. Os partidos têm que se abrir. Fazendo política do século passado, não vamos conseguir atrair os jovens . Você precisa olhar para as coisas que estão acontecendo no seio da juventude. A questão LGBT, por exemplo, é uma questão que toca muito a juventude hoje. Sempre defendi e briguei muito para que nosso partido se abrisse pra isso. Qual o movimento social que coloca um milhão de pessoas na Avenida paulista, de forma espontânea, pra discutir os seus direitos, lutar por suas questões? O movimento LGBT faz isso. Eu e outros companheiros brigamos muito dentro do partido, que de certa maneira era um partido conservador, para que se abrisse para a questão LGBT. Foi com a Juventude Socialista que aconteceu a primeira atividade LGBT ligada ao trabalhismo.

Os partidos têm que se abrir e empoderar realmente a juventude. Não adianta você achar que trazer o jovem para o partido é trazê-lo para segurar bandeira. O jovem tem que ser um personagem ativo dentro do partido, ele tem que ter capacidade de influenciar e de decidir. O PDT hoje faz um grande esforço nesse sentido e, de certa forma, nós temos atingido os objetivos. Temos jovens em posições de comando nas mais variadas direções políticas do partido, nos âmbitos municipal, estadual e nacional. Nossa fundação está basicamente sob o comando de jovens no país inteiro e uma parcela significativa da Executiva Nacional é composta por jovens.

O Brasil atravessa uma grave crise econômica, política e ética. Como a eleição de Ciro Gomes para a Presidência pode contribuir para alterar esse cenário?

A eleição do Ciro Gomes é fundamental pra transformação do nosso país. O país hoje vive um momento de extrema dificuldade em pactuar, em garantir consensos mínimos pra que se possa avançar. O Brasil hoje precisa da agenda que o Ciro apresenta, de nacional desenvolvimento. Vimos, nos últimos anos, o mercado financeiro e os rentistas dando as ordens no nosso país e o resultado disso foi desastroso. Vimos também uma polarização falsa que não representa o que é a sociedade brasileira e não é um caminho que vai fazer o Brasil avançar. O campo progressista pode ser representado dentro das noções de brasilidade, de um nacionalismo generoso, o caminho que o trabalhismo sempre apresentou. As cores da nossa bandeira representam, sim, o nosso povo e o campo progressista. O Ciro tem essa capacidade de se abrir ao diálogo, compreendendo a diversidade que o Brasil tem, os sotaques do nosso Brasil tão grande.

Uma palavra que me marca muito nas falas do Ciro é “inovação”. O mundo deste novo século é marcado pela capacidade que os países vão ter de inovar. Acho que o Ciro vai ser o presidente que vai garantir que o Brasil inove e dê um salto de qualidade. O PDT é o partido que fez a maior obra de educação nesse país. A gente precisa garantir a educação dos nossos jovens e, por outro lado, que o Brasil se desenvolva, pra que o jovem tenha condições de se inserir na indústria do novo século, que já não são as velhas indústrias da poluição. Hoje, a gente precisa traduzir nosso desenvolvimento através da inovação, da tecnologia, do pensamento sustentável. O Brasil tem muito a pensar e a contribuir com a sociedade mundial nessa questão ambiental, é um país que tem uma natureza exuberante. Acho que o Ciro vai ser o presidente do diálogo, vai ser o presidente que vai repactuar o Brasil.