Ciro supende pré-candidatura e pede à bancada do PDT para reavaliar PEC

O pré-candidato do PDT à presidência, Ciro Gomes, em reação à votação da maioria da bancada do PDT à PEC dos precatórios, somando votos que o governo precisava para aprovar a proposta, anunciou esta manhã (4/11) pelo Twitter que a sua candidatura à presidência está suspensa, até que o partido discuta e reveja a sua posição sobre a proposta.  “Há momentos em que a vida nos traz surpresas fortemente negativas e nos coloca graves desafios. É o que sinto, neste momento, ao deparar-me com a decisão de parte substantiva da bancada do PDT de apoiar a famigerada PEC dos Precatórios”.

Ciro prosseguiu, no Twitter: “A mim só me resta um caminho: deixar a minha pré-candidatura em suspenso até que a bancada do meu partido reavalie sua posição. Temos um instrumento definitivo nas mãos, que é a votação em segundo turno, para  reverter a decisão e voltarmos ao rumo certo. Não podemos compactuar com a farsa e os erros bolsonaristas”.  E finalizou: “Justiça social e defesa dos mais pobres não podem ser confundidas com corrupção, clientelismo grosseiro, erros administrativos graves, desvios de verbas, calotes, quebra de contratos e com abalos ao arcabouço constitucional”.

O PDT teve papel crucial na votação da PEC 23/21 que foi aprovada em primeiro turno por 312 votos, somente quatro a mais do que o mínimo necessário (308). O PDT sozinho deu 15 votos para aprovar a medida.

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, por sua vez – anunciou também através do Twitter que o partido vai questionar no Supremo Tribunal Federal (STF) o ato do presidente da Câmara, Artur Lira, de aceitar que 23 deputados que estão fora do país votassem remotamente. Lupi também deu uma entrevista na CNN, explicando que até terça espera – com Ciro – redirecionar a bancada do PDT para, no segundo turno da votação da Pec dos Precatórios, o PDT votar “não”.

“Cumpre, informar aos estimados companheiros, que estou dando entrada agora, na parte da manhã, com uma ação no STF, contra a autorizacão  do Presidente da Câmara, Artur Lira,  em autorizar a 23 parlamentares, em viagem, que votassem remotamente na PEC dos precatórios, um cheque em branco que a Câmara dos Deputados deu ao Sr. Lira e ao profeta da Ignorância”.

Ciro Gomes espera que o PDT reavalie o considerou um erro e no segundo turno da votação, exigência regimental, reitere posição contra Bolsonaro para impedir o calote dos precatórios. Na prática a PEC dos precatórios é um calote em quem têm recursos a receber do governo com sentenças judiciais transitadas em julgado.  A emenda está sendo proposta pelo governo para obter cerca de R$ 90 bilhões, inclusive recursos que serão gastos na campanha eleitoral do ano que vem. O pretexto do governo é que precisa deste dinheiro para pagar o Auxílio Brasil, programa que substituiria o Bolsa Família, que Bolsanaro extinguiu semana passada.

As oposições entendem que, em vez de aplicar em calote nos cidadãos, o governo deve buscar recursos para o programa em outras despesas, como as emendas parlamentares, por exemplo, e o pagamento de juros ao sistema financeiro.

Na bancada do PDT votaram a favor da proposta os deputados Alex Santana (BA); Félix Mendonça Jr (BA); André Figueiredo (CE); Eduardo Bismarck (CE); Leônidas Cristino (CE); Robério Monteiro (CE); Flávia Morais (GO); Mário Heringer (MG); SubtenenteGonzaga (MG); Dagoberto Nogueira (MS); Wolney Queiroz (PE); Flávio Nogueira (PI); Silvia Cristina (RO); Afonso Motta (RS); Fábio Henrique (SE).

Votaram contra os deputados Idilvan Alencar (CE); Túlio Gadêlha (PE); Gustavo Fruet (PR); Chico D´Angelo (RJ); Paulo Ramos (RJ); e Pompeo de Mattos (RS).  Estiveram ausentes os deputados  Jesus Sérgio (PDT-AC); Damião Feliciano (PB);  e Marlon Santos (RS).

 

(por O.M.)