Ciro e Lupi sobre atos contra Bolsonaro: ‘Vão, mas com cuidado’

No 1° debate de presidenciáveis – na Band –  Ciro dá apoio aos atos – mas  a pandemia o preocupa

Carlos Lupi e Ciro Gomes, presidente e vice-presidente nacionais do PDT, manifestaram nesta sexta-feira (2) apoio as manifestações programadas para este sábado (3/7) em todo o país – a favor do impeachment de Jair Bolsonaro. Mas ambos pediram que os participantes precisam tomar todas as precauções necessárias para evitar a proliferação do coronavírus.

“Você que for, use a máscara, leve álcool gel, não se aglomere. A vida é o bem mais precioso que a gente tem. Proteste com civilidade, dando exemplo e mostrando a esse profeta da ignorância que nós somos diferentes”, destacou Lupi, em vídeo.

“As manifestações vão ajudar o Brasil a tirar essa inércia da Câmara dos Deputados sobre o impeachment. Os políticos estão de olho na carne, estão comendo dentro do chafurdo de ladroeira, de corrupção, de clientelismo que é o governo Bolsonaro. Se a gente empurrar, Bolsonaro cai!”, completou Ciro, no Twitter.

Lupi entende que a saída de Bolsonaro é uma demanda urgente e a sua punição, consequência inevitável. O PDT foi o primeiro a protocolar um pedido de deposição no Congresso, ainda em 2020.

“O impeachment é uma necessidade para o Brasil. Precisamos nos ver livres desse coisa ruim”, disse Lupi, acrescentando:

“Bolsonaro tem que ir para a cadeia pelos crimes cometidos com mais de 520 mil vidas perdidas por causa da sua ignorância, da sua falta de compreensão da ciência e incentivo à aglomeração, ao não uso de máscara”. Os depoimentos na CPI da Covid, acrescentou, só estão confirmando ilegalidades cometidas ao longo de muitos anos por Bolsonaro. “Ele se elegeu  com o discurso da moralidade e da anticorrupção, mas está com a corrupção dentro de seu próprio gabinete e isto é  muito grave”, apontou.

“Não adianta ele combinar com depoente, querer despistar, discursos diferentes, chamar a atenção para a sua rede social com outras falas, que ninguém mais cai nesses contos e lorotas que ele faz permanentemente”, encerrou Lupi.

Já Ciro Gomes, que  participou na quinta-feira (1/7) a noite do primeiro debate para as eleições presidenciais de 2022, frisou na oportunidde que os brasileiros que forem às ruas neste sábado para se manifestar precisam ter muito cuidado, para evitar se contaminarem com o coronavirus. O debate dos presidenciáveis foi  promovido pelo jornal ‘O Estado de São Paulo’ em parceria com o Centro de Lideranças Políticas (CLP);  e transmitido pelo canal da TV Bandeirantes no YouTube. Além de Ciro participaram o ex-ministro da Saúde  Luiz Henrique Mandetta (DEM) e o atual governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB).

A mediação  do debate de hora e meia de duração, em quatro blocos, ficou a cargo do cientista político Luiz Felipe d’Avila, do CLP.

Dos três , apenas Ciro afirmou que pretende participar dos atos de rua convocados para amanhã (3/7) em todo o país pelo  impeachment de Bolsonaro. Ciro também se manifestou favoravelmente  ao movimento pluripartidário com lideranças de esquerda, de centro e de direita  que encaminhou esta semana à Câmara dos Deputados o ‘superpedido’ de impeachment de Bolsonaro.

Ciro disse ter um sentimento dúbio sobre os atos, por conta da pandemia: “De um lado, considero que o Brasil ainda não superou a pandemia. Mas, de outro,  Bolsonaro está destruindo a Nação brasileira. Entre um valor e outro, estou dizendo às pessoas que pensem nisso e, se resolverem ir, que vão, mas com muito cuidado”, disse Ciro.

Mandetta e Eduardo Leite não pretendem ir.

Eduardo Leite, observou: “Tenho vários relatos de pessoas que foram às manifestações e saíram porque se sentiram constrangidas. Colocaram adesivos de Lula ou movimentos ligados a partidos políticos. Isso acaba nos afastando. Pelo nível de insatisfação da população, se não fosse a cooptação por movimentos, muito mais gente estaria nas ruas”, afirmou Leite. Já Mandetta,  ministro da Saúde de Bolsonaro, foi contundente.

“Tenho evitado aglomerações. Não sei se está na hora de aglomerar. Não sei quem vai, mas o vírus vai estar lá.”

As manifestações de rua de amanhã, as críticas ao enfrentamento da pandemia  e as questões econômicos, como o recorde de desemprego, inflação e péssima gestão econômica conduzida por Paulo Guedes, foram os assuntos que dominaram o primeiro debate de pré-candidatos à presidência em 2022 – voltado para a construção de propostas para o Brasil independente da falsa dicotomia Lula ou Bolsonaro. O encontro foi ameno,  os  pré-candidatos procuraram encontrar consensos e evitaram críticas entre si.

Ciro foi o primeiro a partir para o ataque contra Bolsonaro, classificando  a gestão da pandemia por Bolsonaro como criminosa e  genocida.

“São muitos os crimes cometidos por este governo, 23 no total, mas o enfrentamento da pandemia é o maior de todos”, disse Ciro, destacando:  “Por isso já assinei três pedidos de impeachment dele e agora assinei, também, o ‘superpedido’”.

Ciro também criticou Lula:

“É justo dar ao Lula a chance de fazer novamente o que fez no passado?”, questionou.

O debate de ontem foi uma primeira iniciativa, com 2022 no radar, de Ciro, Mandetta e Eduardo Leite tentarem construir  uma terceira via. Há 15 dias os três, com representantes do Cidadania, PV, Podemos, MDB e Solidariedade, participaram de um almoço, em Brasília, empenhados em construir uma alternativa eleitoral de centro.

Por isso ontem, o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, responsável pela articulação do almoço, ao lado de Ciro Gomes e do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, protagonizaram esse debate porque é consenso entre eles a necessidade de buscar convergências e discutir propostas concretas para o Brasil.

Em comum, deixaram claro que rechaçam tanto as práticas do governo Bolsonaro como o modus operandi dos governos petistas.

Focando em propostas, Ciro, em sua conclusão, disse que o Brasil está na “pior crise em toda a história”, e apontou as causas, no seu entender: “A crise se deve ao genocídio que estamos vivendo somado ao desastre social, econômico e moral”.

Então, advertiu: “Se nós repetimos os mesmos remédios, os mesmos personagens, não há nenhuma razão para supor que vamos sair desse desastre”.

Mandetta chamou a atenção para a necessidade de “diálogo”. Falou  em “civilidade”, recordou os 13 milhões de desempregados, se referindo ao governo Dilma Rousseff, e seguiu mencionando “escândalo de roubalheira sem fim” da época. Antes, já havia criticado a ação de “negociar em cima de vacina”, definindo isso como “crime principal” do atual governo. Fez menção a 2018, quando Bolsonaro foi eleito, e a “bandeiras que pareciam claras, como combater corrupção e crime organizado”, e prosseguiu: “Recebemos frustração”. Ao final, pregou “união, inclusive união política”.

Eduardo Leite encerrou jogando luz sobre o tema meio ambiente e pediu “respeito à diversidade”, motes sobre os quais o governo Bolsonaro tem sido instado a se explicar. O tucano, então, defendeu que é preciso “retomar o debate no centro”, “um centro avante”. Pregou eficiência e modernização da máquina pública, aliado a ações de proteção social.

(Por Bruno Ribeiro, Osvaldo Maneschy e redes sociais)

Veja a íntegra do debate, transmitido pelas redes sociais via Band jornalismo: