Ciro propõe mudar economia a partir do fim do absurdo teto de gastos

Na Globo News, o ex-ministro classificou a emenda constitucional como “pacto perverso”

*Por Bruno Ribeiro

O pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo PDT, Ciro Gomes, ratificou neste domingo (26), em debate na Globo News, a posição contrária ao teto de gastos, que foi implementado pelo presidente Michel Temer, em 2017, a partir da Emenda Constitucional nº 95/2016. O fim deste regime fiscal, que foi classificado como “pacto perverso” por aprofundar as crises econômica e social, será uma das prioridades do pedetista no processo de mudança da política econômica no Brasil.

“Qual é a literatura mundial e qual é a experiência comparada do mundo que estabelece essa loucura de colocar com status constitucionais um teto de gastos por 20 anos? Pior: deixando livre a maior despesa, que é juro para dívida”, criticou, em companhia do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) e o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

“Isso aí é querer congelar um pacto perverso que fez gerar 15 novos bilionários no Brasil nessa pandemia, enquanto a maioria esmagadora do povo brasileiro amarga a maior humilhação e miséria da sua história”, completou.

Ao propor uma análise sem “ódios e paixões superficiais”, o ex-governador do Ceará buscou apresentar soluções concretas para a estagnação da economia na última década, “que já foi umas das que mais cresceu na história da humanidade”.

“Por que o Brasil dominou a inflação em 1994, quando eu tive a honra de ter servido ao país como ministro da Fazenda, e agora a carestia volta pesada à mesa do pobre?”, questionou.

O ponto central é, segundo Ciro, o aprimoramento do Projeto Nacional de Desenvolvimento (PND), construído coletivamente, desde 2018, com representantes da sociedade civil, mercado, serviço público e terceiro setor.

“Depois de entendermos o porquê dessa tragédia econômica e política, vamos ter que construir um Projeto Nacional de Desenvolvimento que tenha respostas práticas com prazos, objetivos, orçamentos e antecipar o conflito político necessário a uma reforma profunda das contas do Brasil”, afirmou.

Comprometimento

Sobre o afastamento do presidente da República, Jair Bolsonaro, pela prática de uma série de crimes de responsabilidade, Ciro cobrou a participação ampliada das forças democráticas para pressionar a abertura do processo pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, bem como angariar os votos necessários para aprovação no Congresso Nacional.

“Quem quiser honrar a constituição e proteger o povo brasileiro da escalada genocida, irresponsável e golpista de Bolsonaro, deve lutar pelo impeachment. Portanto, quem se omitir nisso é na verdade cumplice do genocídio”, avaliou.