Ciro para Glenn Greenwald: ‘Vou me confrontar com Lula no 2° turno de 2022’

Ciro persiste: vai governar o Brasil com plano nacional de desenvolvimento

*Por Bruno Ribeiro / PDT-RJ

“Vou tirar o Bolsonaro. E aí vou fazer um segundo turno com o Lula”, afirmou o pré-candidato a presidente pelo PDT, Ciro Gomes, ao projetar um confronto qualificado entre os dois projetos políticos nas eleições de 2022. Na entrevista para a Carta Capital, nesta quarta-feira (27), ele disse ao jornalista Glenn Greenwald que disputará contra um modelo de economia e política que precarizou o Brasil nos últimos anos.

“Oferecer, ao povo brasileiro, um debate de alto nível entre a volta a um passado idílico, que não é mais praticável, e uma forte proposta de futuro, que empodera o povo, inclusive nas suas responsabilidades”, indicou.

Colocado como terceira via, Ciro falou que a tentativa de desvalorização da alternativa contra a polarização é uma “ilusão de ótica”. Diante disso, reforça seu perfil balizado em passagens pelo executivo e legislativo, além do setor privado.

“Me apresento como ficha limpa. Com 40 anos de experiência, governei uma grande cidade [Fortaleza], a quinta cidade do Brasil, governei o oitavo estado [Ceará] e fui ministro da Fazenda, ajudando a fazer o Plano Real”, listou, dentre outras medidas no Congresso e na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Saídas

O pedetista argumenta que o seu plano de governo é construído coletivamente para, detalhadamente, propor caminhos viáveis para “virar o jogo” e permitir um afastamento da “politicagem”.

“Por que Projeto Nacional de Desenvolvimento [PND]? O Brasil está inteirando, agora, a pior década em 120 anos em matéria de crescimento econômico”, alerta.

“Seis anos de PT, dois de Temer e dois de Bolsonaro. É a década, a pior dos últimos 120 anos. Ou a gente entende isso, ou a gente não vai se reconciliar com o povo brasileiro”, relatou.

Ciro também aprofunda a análise sobre os ataques promovidos pelos últimos governos contra garantias históricas do cidadão, principalmente no campo trabalhista.

“Conjunto de direitos da sociedade civil brasileira tem sido desmantelado. Agora, temos uma pandemia, mas isso começou lá atrás, inclusive com Michel Temer estabelecendo um teto de gastos que congela gastos com saúde, educação, segurança pública por 20 anos. A reforma trabalhista que destruiu conquistas do século XIX. E a sociedade civil brasileira não conseguiu reagir”, lamenta.

“Eu posso sustentar isso com números. São 14 milhões de pessoas desassistidas no desemprego aberto. São 40 milhões de pessoas desassistidas, inconformadas e empurradas para a informalidade”, acrescentou.

Ao dizer que faz a “opção de não mentir”, ele salienta sua proposta de equacionar a situação fiscal com medidas concretas.

“Claro que a gente precisa passar um pente fino na maior delas, o juro, que a gente tem que diminuir”, indicou, ao incluir a revisão das renúncias fiscais e ampliação da tributação sobre lucros e dividendos.

“Eu podia fazer o Ciro paz e amor, vestir um personagem, fraudar tudo e tentar mentir pro povo brasileiro. É isso que levou o país ao desastre”, acrescentou.

Enfrentamento

Para Ciro, Bolsonaro tenta aterrorizar a sociedade com reiteradas ameaças ao estado democrático de direito e a promoção de crises sistemáticas. Por isso, o pedetista se mostra presente “na primeira linha”.

“O Bolsonaro é uma excrescência moral, humana e política que tem de ser banido da vida republicana brasileira pelos mecanismos da democracia. Eu estou na luta pelo impeachment, assinei três”, disse, ao avaliar que o presidente cometeu crimes de responsabilidade.

Pela configuração estabelecida no Palácio da Alvorada, Ciro mostrou firmeza perante ações deliberadas pelos bolsonaristas, que ele vincula a grupos milicianos e supremacistas de ultradireita.

“[Bolsonaro] Ele que se comporte, porque nós saberemos reagir à altura e na proporção do que for necessário. Não haverá golpe no Brasil. Eu honro a minha palavra em jurar ao povo brasileiro”, garantiu, ao mencionar uma resistência organizada.

“Bolsonaro e a sua quadrilha de filhos são, absolutamente, alinhados às milícias do Rio de Janeiro. Ele já fez discursos advogando”, ratificou.

Generalização

A gravidade apontada na utilização de militares, na cúpula do governo, está evidenciada por Ciro na tentativa de “transformar a cúpula das Forças Armadas em um partido político”.

“Resolver esse problema de devolver as Forças Armadas à sua tarefa institucional. Profissionalizá-las, novamente, é uma das questões para o próximo presidente do Brasil. Nós precisamos tratar disso com muita clareza porque não é razoável o que está acontecendo com nosso país”, explicou.

“[Bolsonaro] Ele destruiu os comandos do Exército Brasileiro sob o controle e o monitoramento de armas, inclusive a possibilidade de rastreamento de munições. Isso, simplesmente, facilitou o trabalho das milícias”, completou.

Ao tratar da atuação do general da ativa, Eduardo Pazuello, como ministro da Saúde, o pedetista classifica como trágica toda a condução do governo federal no enfrentamento da pandemia da Covid-19.

“Genocida, ignorante e boçal que desonrou o uniforme de Caxias. E expôs o bom nome, que deve merecer o Exército e as Forças Armadas, na opinião pública”, concluiu.