Ciro: “Bolsonaro mente descaradamente ao defender política de preços da Petrobrás”

“O bolsonarismo boçal quer Lula candidato em 2022 para eles se manterem no poder”, diz Ciro na Jovem Pan

Por Osvaldo Maneschy e Apio Gomes

Entrevistado no programa “Morning Show”, da Rádio Jovem Pan, nesta sexta-feira (12/2), o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes explicou, didaticamente, porque Bolsonaro “mente descaradamente” ao defender na prática  o aumento dos combustíveis no Brasil citando a cobrança do ICMS e outros  impostos, mas sem citar causa verdadeira – a dolarização dos preços por conta da “criminosa política entreguista” dos atuais dirigentes da Petrobrás que preferem  subutilizar as refinarias brasileiras que custaram bilhões de dólares e vende-las por preços irrisórios .

Na entrevista de quase uma hora, também abordou a questão do lançamento da candidatura de Haddad à presidência da República em 2022 pelo ex-presidente Lula; falou sobre a dupla militância e possível  expulsão do PDT da deputada Tábata Amaral (PDT) e de outros  por votarem a favor da autonomia do Banco Central, contrariando a linha do partido; e também sobre o que classificou de “criminosa gestão” de Bolsonaro e do general Pazuello no combate à pandemia de Covid-19 no Brasil – entre outros assuntos.

Sobre o lançamento da candidatura de Haddad por Lula, Ciro ironizou: “Minha sensação é de estar vendo um filme velho, de pouca qualidade, que repete fatos de 2018”. Argumentou que um dos grandes problemas do Brasil de hoje – em relação a 2022 – é o fracasso do governo de Bolsonaro; juntamente com o repúdio de parte da população brasileira ao que definiu como “lulopetismo corrompido”, que só se preocupa com a burocracia partidária e a conquista de cargos. Sobre se o candidato do PT será Haddad ou o próprio Lula, disse que tudo dependerá do Judiciário; embora, em sua opinião, tudo o que o juiz Sérgio Moro fez contra Lula, “como juiz suspeito que sempre foi”, deve ser anulado; inclusive no Supremo, como há tempos ele diz com professor de Direito, que também é.

– “Hoje a gente já vê integrantes do bolsonarismo boçal querendo que Lula seja o candidato, porque assim eles têm chances ”de se manter no poder”, frisou Ciro. Questionado sobre uma possível aliança dele no futuro com Haddad e com o PT, explicou que acha muito pouco provável.

“Sobre autonomia do Banco Central: “Problema de Tabata é intoxicação ideológica, espero que encontre outro outro partido”

Em relação à expulsão da deputada Tábata, explicou que foi ele quem a recrutou para o PDT; considera-a uma pessoa de valor; mas seu problema é “a intoxicação ideológica” por ter dupla filiação: estar inscrita no PDT, mas ser fiel ao grupo “Renova BR” – que classificou como “partido clandestino”, criado por empresários para, ilegalmente, financiar candidatos dentro de outros partidos para que defendam suas ideias neoliberais.

“Espero que ela encontre outro partido”, destacou.

Ciro não economizou críticas à condução da política de saúde pelo atual governo citando a morte de centenas de milhares de brasileiros por conta do negacionismo de Bolsonaro desde o início da pandemia. Esta atuação dele  ignorando a ciência, estimulando aglomerações, contra o uso de máscaras e o distanciamento social, entre outras recomendações absurdas – é exatamente a política que Pazuello, seu ministro da saúde, segue quase piamente.

– “Bolsonaro praticou charlatanismo, ao propor tratamento precoce com cloroquina, ivermectina e outros remédios que a ciência contesta. O coronavirus é letal, pouco conhecido, e até problemas cerebrais é capaz de provocar. Ele mata as pessoas por sufocação; ele se diversifica. A única maneira de evitar que as pessoas se contaminem é através do isolamento. E o que Bolsonaro fez? Em vez de fazer o que a ciência manda, trocou ministros e colocou na saúde um general palerma e irresponsável que não entende nada de saúde”, atacou Ciro.

O ex-governador também criticou a falta de iniciativa do governo em relação às vacinas e ao baixíssimo avanço do número de pessoas vacinadas no país: por falta de vacinas; e “por conta, também, da política de destruição de nossos institutos científicos – como Manguinhos e o Butantan – que teriam capacidade de trabalhar em pesquisas, testar e produzir no Brasil vacinas próprias”, quebrando a dependência de importação.

Ciro também criticou as chamadas “reformas” que estão na pauta do Congresso;  como a tributária e principalmente a recém aprovada independência do Banco Central – que condenou, asperamente: “Rico não paga imposto no Brasil”; com esta medida, na sua opinião, a tendência é piorar ainda mais a desigualdade no país, agravando a violência contra os pobres e remediados, em benefício dos mais ricos.

Ciro Gomes lembrou que, entre 2010 e 2020, o Brasil teve crescimento zero; embora a população brasileira aumente em torno de mais dois milhões de pessoas, anualmente. Acusou o PT de passar 14 anos no poder e aplicar a mesma política econômica do governo neoliberal de FHC: daí o agravamento das condições de vida da população – que piorou ainda mais a partir do arrocho promovido por Paulo Guedes e Bolsonaro quando assumiram o poder; arrocho que na verdade começou no governo Temer.

Sobre o aumento de preço do combustível, didaticamente Ciro explicou que o absurdo dos aumentos constantes e quase diários  é fruto da política anti-Brasil seguida pelos atuais dirigentes da Petrobrás; e que esta política vem sendo aplicada desde o governo Temer quando a Petrobrás decidiu cobrar no mercado interno o preço do mercado internacional dos combustíveis. Um absurdo porque o Brasil já é um dos maiores produtores mundiais de petróleo. Ciro fez paralelo entre preço dos combustíveis no Brasil e o de um simples sanduíche.

“Quando você vende sanduíches, compra o queijo, a mortadela, o presunto e o que mais for preciso; e usa o fogão para fazer o seu sanduíche. Em princípio, acrescenta sobre o custo, mais 10% no preço, que é o seu lucro. A Petrobrás deveria fazer a mesma coisa, já que extrai petróleo no Brasil (hoje, um dos maiores produtores do mundo) a 30 dólares o barril; mas vende na ponta, para o consumidor, pelo preço internacional do petróleo – muito maior”, hoje cotado em torno a 60 dólares – sofrendo flutuações, daí o aumento constante.

E o pior, continuou, é que esse fato prejudica seriamente o povo brasileiro – na contra-mão da da criação da Petrobrás por Getúlio Vargas, que foi servir ao povo brasileiro – isto em benefício dos atuais  acionistas estrangeiros da companhia. “Por que não cobramos pelo preço dos combustíveis como cobramos pelo preço de um simples sanduíche?”, questionou Ciro, concluindo:  “Estão roubando dos brasileiros para dar dinheiro aos bancos e investidores  da Petrobrás”, destacou.

“Bolsonaro é bandido e mentiroso”, sintetizou Ciro Gomes

Atacou também o fato de a Petrobrás estar vendendo suas refinarias, que custaram bilhões de dólares do Brasil, em   verdadeiras negociatas. Citou o caso da Refinaria Landulpho Alves, da Bahia, que vale cerca de dez bilhões de dólares e foi vendida por 1,5 bilhão para um fundo financeiro árabe; e as demais, todas trabalhando com ociosidade porque a atual diretoria da Petrobrás, entreguista, prefere comprar combustíveis refinados no exterior ao invés de produzi-los no Brasil, dando emprego a brasileiros: exatamente para sucatear e vender por preços irrisórios as refinarias construídas pela Petrobrás – todas elas extremamente lucrativas, construídas com os impostos pagos pelos brasileiros.

“Bozo é bandido e mentiroso”, sintetizou Ciro, citando a fala de Bolsonaro, nesta semana, para justificar o injustificável aumento dos combustíveis no Brasil, mentindo para a população sobre a realidade dos fatos.

A entrevista de quase uma hora, junto com a participação dos ouvintes, foi um dos principais assuntos comentados nas redes sociais do Brasil, segundo os integrantes da bancada de entrevistadores.

Veja a íntegra da entrevista, a partir do minuto 40 – da gravação do “Morning Show”: