Ciro Gomes no 1° de Maio virtual das centrais sindicais: “É fundamental que o Brasil tenha projeto de desenvolvimento”

Promovido pelas centrais sindicais brasileiras, o palanque virtual do Dia do Trabalhador reuniu ontem em evento virtual que durou seis horas os principais líderes da Oposição ao governo Bolsonaro, entre eles o ex-candidato do PDT à presidência Ciro Gomes; a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva; e os  ex-presidentes da República Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso.  Ainda pela data, bolsominions agrediram enfermeiras que protestavam  diante do Palácio do Planalto por suas péssimas condições de trabalho.

Em mensagem gravada, Ciro Gomes, ex-ministro e ex-governador, fez questão de destacar que o Brasil já enfrentava grave crise econômica antes da pandemia de Coronavírus. Lembrou que ultra-neoliberalismo de Paulo Guedes e de Bolsonaro já vinham desmontando “todo esse conjunto de conquistas históricas” dos trabalhadores “aproveitando o desespero em que se encontra, no caso brasileiro, mais da metade da população”.

Ainda segundo Ciro, “é importante lembrar que o Brasil contava com mais de 13 milhões de desempregados antes da crise do coronavírus e 38 milhões estavam obrigadas a viver a dura realidade da informalidade sem nenhuma proteção” e que é fundamental que o Brasil tenha um projeto nacional de desenvolvimento que tenha o bem estar dos trabalhadores e de suas famílias como alvo principal desse projeto.

A ex-ministra e senadora Marina Silva (Rede) afirmou que esse é o Dia do Trabalho mais difícil do século.

— Em função dos problemas que já estávamos sofrendo com o desemprego, as injustiças sociais e agora com todas essas questões sendo agravadas de uma forma assustadora pela pandemia. É por isso que é fundamental que a gente esteja unido em torno daquilo que é essencial: a defesa da vida, a proteção dos direitos e a defesa da nossa democracia — afirmou Marina.

A presidente Dilma Rousseff foi dura com Bolsonaro: “Irresponsavelmente, Jair Bolsonaro desdenha da doença, zomba dos mortos e avilta a cadeira de Presidente da República. No Palácio do Planalto, hoje, está um líder político que não se envergonha de promover a desordem e a destruição da ordem democrática, apoiando protesto contra as instituições da República. Essa epidemia do Covid-19 ganha contornos ainda mais graves no Brasil”, frisou a ex-presidente.

Lula, também em mensagem gravada, prestou solidariedade às vítimas da pandemia que expôs, segundo ele, as fraquezas do capitalismo. “As grandes tragédias também são reveladoras do caráter das pessoas e das coisas. Não me refiro apenas ao deboche do Presidente da República com a memória de mais de 5 mil brasileiros mortos pela Covid. A pandemia deixou o capitalismo nu. Foram necessários 300 mil cadáveres para a humanidade ver uma realidade que nós trabalhadores conhecemos desde o dia em que nascemos’, afirmou.

Em sua mensagem gravada, FH destacou a proposta de se fazer um 1° de Maio unificado. “Não é hora de desunião, é hora de nos juntarmos para construir o futuro; futuro que precisa ser construído a partir das condições do presente que são negativas, sei, mas que são as que nós temos. Precisamos ter, antes de mais nada, capacidade de olhar para frente e acreditar no futuro, juntando  as pessoas para que possam marchar juntas — afirmou o ex-presidente.

Nesta semana, O GLOBO revelou que, após a manifestação do ex-presidente Fernando Henrique a favor da renúncia de Jair Bolsonaro, lideranças da esquerda tentam articular a construção de uma frente ampla pelo afastamento do atual ocupante do Palácio do Planalto. A ideia seria atrair partidos como o PSDB, o DEM, o Novo e o Cidadania. Além de políticos e líderes partidários, a comemoração do Dia do Trabalho contou com a participação de alguns músicos e artistas, como Osmar Prado, Paulo Betti, Zélia Duncan, Leci Brandão e do ex-integrante do Pink Floyd, Roger Waters.

(O.M.)

 

Fontes: “O Globo”, matéria de Dimitrius Dantas; e “Folha de São Paulo”