Ciro Gomes resgata os bastidores do golpe militar de 64

Por Bruno Ribeiro31/03/2017

“Igualzinho como está acontecendo hoje. E a onda na rua era corrupção…”, analisa Ciro

Hoje, 31 de março, data que marca a ocorrência do golpe militar de 1964, Ciro Gomes discursa sobre a ruptura do processo democrático. Há 53 anos, as Forças Armadas depuseram o então presidente da República, João Goulart, e, consequentemente, instalaram a ditadura, que perdurou até 1985.

“Igualzinho como está acontecendo hoje. E a onda na rua era corrupção, ‘mar de lama’. Já como tinham feito com Getúlio. É a mesma conversa. O filme não muda. A imprensa é a mesma coisa”, explicou Ciro Gomes, pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto (confira, ao final do texto, o discurso na íntegra).

Na época, Jango, como era conhecido o presidente trabalhista, governou em um momento de crise política e econômica similar ao vivido no país, nos últimos anos. Contrapondo o receituário neoliberal, o presidente apresentou, em 13 de março de 1964, as “Reformas de Base”, importante grupo de propostas que buscava realizar mudanças econômicas, sociais e políticas que permitissem a regressão do subdesenvolvimento e, consequentemente, a redução das desigualdades. O evento reuniu mais de 200 mil pessoas para apresentar, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro.

Em um trecho do seu discurso, Goulart ratificou a importância da democracia e do patrimônio público, além de criticar a soberba da elite nacional. “Democracia para esses democratas não é o regime da liberdade de reunião para o povo: o que eles querem é uma democracia de povo emudecido, amordaçado nos seus anseios e sufocado nas suas reivindicações.

Essa medida contribuiu para ampliar a revolta das elites e dos militares, que aproveitaram o enfraquecimento das instituições republicanas e o pretexto de moralizar a política para atacar o processo democrático, amparados pela justificativa de moralizar a política. Assim, tomaram o poder e revogaram a vontade popular.

Goulart faleceu, no exílio, doze anos após ser deposto, mas sua história segue preservada com o apoio do Instituto que leva seu nome (www.institutojoaogoulart.org.br) e de organizações parceiras, incluindo a Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP).

Fonte: http://www.pdt.org.br/index.php/ciro-gomes-resgata-os-bastidores-do-golpe-militar-de-64/