Ciro Gomes detalha PND em debate com presidenciáveis no Brazil Conference

Projeto Nacional de Desenvolvimento representa a base da pré-candidatura do PDT ao Planalto, em 2022

*Por Bruno Ribeiro / PDT-RJ

“A primeira providência é a gente tentar estabelecer um método. Se não fizermos isso, o Brasil não vai achar um caminho”, disse o pré-candidato a presidente pelo PDT, Ciro Gomes, ao detalhar o Projeto Nacional de Desenvolvimento (PND), nesse sábado (17), em debate na Brazil Conference. O evento on-line, organizado por estudantes brasileiros das universidades americanas de Harvard e MIT, contou com outros quatro presidenciáveis.

Criado coletivamente na campanha de 2018 e aprimorado permanentemente, a iniciativa pedetista apresenta pilares, segundo Ciro, para oferecer ao país uma saída consistente diante da estagnação econômica, que já perdura por mais de dez anos, do retrocesso social e da calamidade governamental simbolizada pela gestão do presidente Jair Bolsonaro.

“Possamos colocar um debate plural, aberto, com novas alternativas. E a alternativa precisa, na minha opinião, de um Projeto Nacional de Desenvolvimento com metas, objetivos, orçamentação, divisão de tarefas e novas instituições”, relatou Ciro, ao apresentar números do desemprego, do câmbio, dos gastos da União e da dívida pública.

“Não vamos sair disso com mais do mesmo. Nós precisamos celebrar um projeto, com começo, meio e fim, cujo objetivo estratégico é superar a miséria, a desigualdade e a pobreza e suas sequelas na violência, na doença e na deseducação em um prazo anunciado”, completou.

Realizado em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo, a conferência também contou com as participações dos governadores de São Paulo e Rio Grande do Sul, João Doria e Eduardo Leite, respectivamente, do ex-ministro da Educação Fernando Haddad e do apresentador Luciano Huck. Como consenso, a necessidade de impedir a reeleição do bolsonarismo a partir do diálogo entre diferentes vertentes ideológicas.

Cenário

Para Ciro, as diferenças, apesar de evidentes, recaem sobre a certeza de verificar parâmetros – como em exemplos exitosos mundiais, ao longo da história – que são baseados em três premissas: alto nível de poupança doméstica, fortalecimento e convergência entre Estado e iniciativa privada e investimento em gente. A menção pressupõe, portanto, o olhar para o futuro sem resgate ou cópia de elementos desatualizados.

“É importante conhecer o passado, sim. Não para ficar amando e querendo voltar porque, muitas vezes, o passado é uma roupa que não nos serve mais. Mas o povo, que não conhece sua história, está condenado a repeti-la como farsa ou como tragédia”, disse, garantindo que o PND não conseguirá se sustentar sem recuperar dois quesitos: o modelo de defesa nacional e a política exterior.

A justificativa é taxativamente representada, segundo o pedetista, no esperado processo de fortalecimento estatal, que é colocado como indutor do desenvolvimento e elo essencial para equilíbrio do justo progresso do país. E a realidade atual mostra o contrário: uma gradativa desindustrialização e desnacionalização da nação, com as graves consequências confirmadas na pandemia da Covid-19.

“A economia que eu advogo não é uma volta aos anos 60. É apenas o que eu compreendo como necessário. Não existe uma economia desenvolvida sem uma parceria do Estado”, ponderou, mencionando a série de investimentos públicos em escala mundial, com destaque para o anunciado por Joe Biden nos Estados Unidos.

Guinada

Ciro entende que a virada, em quatro pontos, começa, consequentemente, por apoiar a superação do endividamento explosivo das famílias, que é o primeiro motor de ativação econômica. “Nós estamos com 80 milhões de brasileiros humilhados no SPC”, lembrou.

O segundo é restaurar a condição de crédito para o empresariado brasileiro, que está, segundo ele, com seis milhões de empresas no Serasa. O terceiro é restaurar a condição de financiamento do setor público, começando com um fundo de infraestrutura.

Já o quarto é “trabalhar para superar o desequilíbrio externo estrutural, que proíbe o Brasil de crescer”. “Nós não podemos mais continuar nesse filme macabro”, finalizou.

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