Ciro Gomes desafia Moro a debater crise econômica: ‘Papagaiar é fácil’

“Vamos debater, Sérgio Moro? Falta conteúdo, coragem, ou as duas coisas juntas?”

O pré-candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, refez o convite a Sergio Moro, pré-candidato pelo Podemos, para debate ao vivo sobre a crise econômica em que o país mergulhou provocada, em parte, pelos excessos da operação lava jato comandada por Moro com apoio da Rede Globo. Em texto publicado nesta segunda-feira 3/1 em seu Twitter, o pedetista acusou Moro de “falar obviedades” em referência a postagem do ex-ministro da Justiça de Bolsonaro sobre o que seria sua agenda econômica.

“Que tal você deixar de falar obviedades e vir debater economia, ao vivo, comigo? Papagaiar no Tweet é fácil. Explicar como e porque é que são elas. Vamos debater, Sérgio Moro? Falta conteúdo, coragem, ou as duas coisas juntas?”, escreveu Ciro.

Moro havia dito que “para retomar o crescimento econômico, precisamos de um Governo que faça reformas com ousadia”. Moro também sugeriu a simplificação de impostos, a reforma da educação e combate à corrupção como soluções.

Em 14 de dezembro, Ciro chamou Moro de “covarde, dissimulado e despreparado”, quando o convidou pela primeira vez para um debate. Dias depois, o ex-juiz da Lava Jato disse ao canal My News que não aceitaria a proposta por causa da “postura ofensiva” do pedetista.

Ontem o ex-juiz e ex-ministro do governo Bolsonaro, Sérgio Moro (Podemos) negou a possibilidade de abandonar a candidatura à Presidência da República pra tentar uma vaga no Senado.  Isso circulou na imprensa e nos bastidores do próprio partido, obrigando Moro a dizer, via redes sociais: “sou pré-candidato à Presidência, não ao Senado”.

Um dos possíveis motivos para Moro sair da disputa para presidente seria a investigação do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre ele revelado pela jornalista Mônica Bergamo, da BAndNews. Segundo Monica, o ex-ministro bolsonarista poderia buscar uma vaga menos difícil, para garantir foro privilegiado a partir de 2023.

O Tribunal de Contas da União investiga os valores recebidos pelo ex-juiz Sérgio Moro durante o rompimento do contrato com a multinacional de consultoria Alvarez & Marsal.

O pedido do Ministério Público enviado pelo promotor Lucas Furtado solicita acesso à data de finalização do contrato entre Moro e a empresa, além do valor total da rescisão recebida por ele. O ex-juiz e ex-ministro da Justiça iniciou o trabalho na companhia em novembro de 2020.

A contratação gerou polêmica pela empresa ser a administradora judicial do processo de recuperação do Grupo Odebrechet, do qual Moro julgou e condenou acionistas e executivos enquanto estava na magistratura. A informação exclusiva da colunista Mônica Bergamo aponta que o tribunal já o investigava por suposto conflito de interesse.

O ministro do TCU Bruno Dantas indagou a Alvarez & Marsal sobre a admissão do pré-candidato à presidência e apontou que sua contratação era “no mínimo peculiar e constrangedora”. O jurista questionou se Moro chegou a receber por informações privilegiadas acerca dos processos contra a Odebrechet.

A assessoria de Moro,  procurada por Mônica Bergamo, disse que “não conseguiu contato” com o ex-magistrado para que ele comentasse se irá abrir, ou não, seus ganhos e patrimônios.

(por O.M.)