Ciro na mídia internacional: ‘Bolsonaro é bandido vulgar’

Em entrevista ao grupo RTP, de Portugal, pré-candidato do PDT citou o risco de novo golpe no Brasil

“O presidente do meu país é um bandido vulgar”, avaliou o pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo PDT, Ciro Gomes, ao denunciar a histórica corrupção praticada pelo atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. O ex-governador do Ceará também analisou a conjuntura eleitoral e o risco de golpe na “colapsada democracia” nacional em entrevista para a rádio portuguesa Antena1, do Grupo RTP, no último domingo (17).

“[Bolsonaro] Organicamente uma persona política vendida para o povo, uma mentira. Combater a corrupção sendo corrupto desde sempre. Corrompeu a família inteira. É um bandido vil. Duro dizer isso do meu país”, afirmou o presidenciável, durante a participação no podcast Visão Global.

“Eu fui contemporâneo dele na Câmara dos Deputados e ele roubava o dinheiro da gasolina, do auxilio emergencial e de salários fantasmas que não trabalhavam e assinavam o recibo para ele colocar o dinheiro do bolso”, pontuou, ao classificá-lo ainda como “perverso e fascista”.

Como resultado da “desastrosa” gestão da União sustentada em um replicado modelo econômico neoliberal, o país aumenta progressivamente, segundo ele, a presença da corrupção no centro do poder e o isolamento perante a comunidade internacional.

“Nós somos a moeda que mais se desvalorizou, estamos galgando o primeiro lugar em inflação e somos um país que não tem segurança jurídica. Estamos espancando o investimento estrangeiro. A Ford foi embora após 54 anos, a Sony após 43 anos aqui. A nossa governança é de bandidos”, disse, colocando o evidente retrocesso do “nível de maturidade da inteligência tecnológica”.

Perspectivas

Ao ser questionado sobre a possibilidade de um novo golpe de Estado, como ocorreu, em 1964, sobre o presidente trabalhista João Goulart (Jango), Ciro apontou a articulação antidemocrática promovida pelas lideranças do governo federal.

“Há esse risco, sem nenhuma dúvida. O atual presidente é chefe da baderna e o líder do caos social e econômico e gostará muito de acumular forças para interromper a democracia e implantar uma ditadura no Brasil. O que ele não tem conseguido é apoio para isso”, relatou.

Na sequência, o pedetista abordou a limitação da temática eleitoral na atual realidade dos cidadãos brasileiros, que está impactada pelas crises social e econômica. A simetria entre os concorrentes evoluirá, portanto, com a proximidade do pleito, programado para outubro de 2022.

“A centralidade da política, na cabeça do povo, é nenhuma, nenhuma mesmo. […] A pesquisa é um retrato, uma fotografia, e a vida é um filme. E tem uma lógica científica, onde a amostra tem que ser representatividade de um universo homogêneo. Numa campanha em que os níveis de conhecimento das candidaturas, se são candidatos ou não são, se tem qual ou tal posicionamento, aqui ou acolá, hoje é nenhum”, explicou.

(por Bruno Ribeiro)