Ciro, Bresser e Darc inauguram 13/9 o Centro Horta Barbosa

Álvaro Miranda (*)

O Centro de Estudos do Nacionalismo Marechal Horta Barbosa, da Universidade Federal Fluminense, será inaugurado às 19h da segunda-feira, 13 de setembro, em solenidade virtual pela internet, com a presença de três personalidades que dispensam apresentações: Bresser Pereira, Ciro Gomes e Darc Costa.

Trata-se de presença emblemática pelo currículo e experiência de cada um no que diz respeito a três questões básicas interpenetradas: desenvolvimento econômico, projeto nacional e brasilidade no seu aspecto não só social e cultural, mas também estratégico.

Falar em desenvolvimento econômico e projeto nacional chega a parecer uma tautologia ou um pleonasmo. Projeto de nação só pode pressupor desenvolvimento – não na base da falácia privatista segundo a qual os problemas do povo brasileiro seriam resolvidos por agentes privados em livre concorrência supostamente natural, num “mercado” assemelhado a um salve-se quem puder sem coordenação do estado.

Há que se ter projeto de sociedade – e a indagação que norteia a disposição dos pesquisadores envolvidos na criação do novo centro de estudos é que tipo de sociedade queremos, que tipo de comunidade política, que tipo de país, que tipo de estado-nação precisamos para enfrentar os desafios, turbulências e contradições do sistema capitalista.

Não se trata também apenas de crescimento econômico no sentido da acumulação material de riqueza, mas sim de desenvolvimento multidimensional, e é aí que entram as questões controversas relacionadas ao nacionalismo. Não é uma questão, portanto, só de “desenvolvimento capitalista” ou de negação pura e simplesmente do sistema concreto em que vivemos, cuja crítica é sempre necessária, sendo questão imbricada, sem dúvida, à da defesa nacional.

Escrevemos “mercado” entre aspas para desmistificar também a noção ‘deificada’ de um fenômeno que tudo comandaria, de forma onipresente e sem controle, a partir de forças obscuras nunca identificáveis ou imaginadas em situações e atores tais como Bolsa de Valores, “investidores”, agências de avalição de legitimidade questionável, organismos internacionais, filantropos de diferentes espécies etc. E também que nacionalismo não pressupõe a ideia ingênua de ‘estado versus mercado’. Ou estado autárquico, impossível num contexto de interdependência conflituosa cada vez mais intensa do mundo contemporâneo.

Assim como alguns ilustram suas análises das relações econômicas dentro de um país em sínteses esquemáticas de fluxos e relações entre famílias, governo e mercado, o Centro de Estudos do Nacionalismo vai contemplar, além desse tipo de análise e pesquisas do nível micro, mas também, sobretudo, na dimensão do macroambiente interno e externo, sempre considerando que um país, ou um estado-nação, é um complexo de processos e contradições dentro de complexos maiores do sistema capitalista.

Sem querer esgotar temas, enfoques de análises ou perspectivas, fato é que o mínimo olhar razoável ilumina o absurdo que o Brasil está vivendo no processo de desmonte do próprio estado e retrocesso em sua economia, que já ocupou o sexto lugar no mundo e cresceu mais do que a China de 1930 a 1980. Quem já leu os trabalhos de Bresser Pereira, Ciro Gomes e acompanha a trajetória de Darc Costa logo percebe a correspondência e afinidade de temas propostos sobre os problemas nacionais.

Entendemos que desemprego, desindustrialização, violência urbana, precariedade na saúde e educação, além das questões de saneamento básico, concentração de renda, sem falar de comércio exterior, balança de pagamentos, multilateralidade das relações internacionais, racismo, sexismo e outros temas, tudo isso passa por um projeto de nação.

E quando usamos o termo ‘capitalismo’ é para enfatizar que o estado ocidental, sendo o estado brasileiro inserido num processo maior, é um elemento estruturante, simultaneamente, como causa e efeito do sistema capitalista.

Trata-se, portanto, do estado capitalista e não outro. Análises que enfocam o estado de forma abstrata, ou reduzindo-o à pura ‘administração pública’, como a ideologia do “gerencialismo público” costuma fazer, simplesmente não consegue enxergar os nexos existentes entre os diferentes fenômenos históricos e os desafios impostos por suas contradições, uma delas, a defesa nacional.

O novo centro de estudos será vinculado ao Núcleo de Estudos Avançados (NEA) do Instituto de Estudos Estratégicos (INEST), da Universidade Federal Fluminense (UFF). A ideia é formar uma comunidade de pesquisa voltada para o aprofundamento da análise, do conhecimento histórico e da divulgação das teorias explicativas do nacionalismo. Nélson Werneck Sodré, Alberto Methol Ferré e José Comblin são três referências iniciais para o início dessa jornada.

A criação do novo centro de estudos é uma iniciativa do Professor Emérito da UFF Eurico de Lima Figueiredo, coordenador do Núcleo de Estudos Avançados (NEA) do Instituto de Estudos Estratégicos (INEST), da Universidade Federal Fluminense. Constatou-se a necessidade de se realizar estudos relativos ao nacionalismo no âmbito do INEST, assim como no de instituições universitárias no Brasil e no exterior, principalmente, entre os países vizinhos do Prata.

O CENHB reúne pesquisadores originários de diversas instituições brasileiras e argentinas, como a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade de São Paulo (USP) Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), a Universidade de Buenos Aires (UBA), a Universidade Nacional de Lanus (UNL) e a Universidade Nacional de Rosario (UNR).

(*) Alvaro Miranda é jornalista.

fonte: Portal Disparada

 

JULIO CAETANO HORTA BARBOSA – O genral Horta Barbosa, escolhido por Getúlio Vargas para presidir o Conselho Nacional de Petróleo criado em 1939, foi um general nacionalista que na juventude, além de participar da campanha de Canudos, onde foi ferido aos 15 anos de idade, trabalhou ao lado do Marechal Rondon pelo Brasil profundo, contactando indígenas. Em 1947 passou a proferir conferências no Clube Militar, e notabilizou-se pelas polêmicas que travou com os defensores da participação do capital estrangeiro na exploração das reservas petrolíferas brasileiras, dentre eles o general Juarez Távora.  Afirmava ser totalmente impossível conciliar, em um país subdesenvolvido, o controle nacional sobre a exploração do petróleo e a participação de grandes empresas petrolíferas internacionais num mercado à época dominado pelas Sete irmãs. Foi nomeado presidente-de-honra do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (CEDPEN), responsável pela Campanha do Petróleo, cujo bordão, O petróleo é nosso tornou-se famoso. Em maio de 1950 foi eleito vice-presidente do Clube Militar, depois assumiu a presidência do clube e, já como presidente, se declarou contrário à intervenção dos Estados Unidos na Coreia. Horta Barbosa sempre participou da luta dos setores nacionalistas que permitiram a criação por Getúlio Vargas, em 1853, da Petrobras.

(fonte Wikipédia)