Ciro Gomes alerta: “Precisamos de todos, Bolsonaro é que é o inimigo”

Ciro dá coletiva no domingo e minimiza hostilidade de petistas a ele nos atos pelo impeachment no Rio e em São Paulo

Em entrevista para a Carta Capital, o pré-candidato do PDT à presidência da República, Ciro Gomes, minizou a tentativa de agressão que ele sofreu no último sábado,  no ato na Avenida Paulista e na Cinelândia pelo impeachment de Bolsonaro, e falou também na necessidade de uma trégua entre os partidos políticos e correntes de opinião:  ‘Vamos precisar de todo mundo. Bolsonaro é o nosso inimigo”

Em entrevista coletiva concedida no domingo à tarde,  Ciro argumentou que “ a luta é outra” e o episódio contra ele, deve ser esquecido. “ “Não vamos dar importância ao que aconteceu ontem. Foi uma bobagenzinha. Nosso inimigo é o Bolsonaro. Ele é Ele é um tipo de cobra que vai esperar a hora de dar o bote. Bolsonaro já falou abertamente que não vai aceitar o resultado das eleições. Precisamos proteger nossa democracia. Nós vamos precisar de todo mundo”, afirmou.

Ciro também falou sobre as divergências políticas com o PT e ressaltou a importância de uma trégua para fazer com que o impeachment de Bolsonaro se consolide.

“Precisamos da mobilização de todos. Foi com esse espírito que aceitei o convite do MBL. Não superamos nossas diferenças e não fomos tomar cerveja depois do ato. Também não ignoro minhas questões políticas com o PT. Quando eu falo que vamos precisar de todo mundo, vamos precisar de todo mundo mesmo, até do PT”, declarou.

O pedetista mencionou diferenças com o PT e pediu uma “trégua de Natal” quando o assunto for a mobilização para remover o presidente. Ciro afirmou ainda que não recebeu ligações de petistas em solidariedade, mas também procurou não dar importância a isso.

De acordo com o Jornal Folha de São Paulo, alguns líderes do partido repudiaram a agressão em entrevistas na imprensa, mas não pessoalmente a Ciro. Durante a manifestação contra Bolsonaro, neste sábado (2), Ciro foi vaiado ao discursar no palco da avenida Paulista.

Ao deixar o local, teve que entrar rapidamente em seu carro para fugir de pedaços de pau sendo atirados contra ele. Conforme publicação da Folha, a maior parte do público da manifestação era de esquerda, especialmente de movimentos e partidos que trabalham para a eleição de Lula em 2022.

Apesar das agressões, Ciro evitou apontar culpados, pregou unidade de campos políticos para conquistar uma maioria parlamentar pelo impeachment e mencionou sua ida à manifestação promovida pela direita, em 12 de setembro, organizada pelo MBL (Movimento Brasil Livre) e pelo Vem Pra Rua.

“Quando eu aceitei o convite do MBL, eu não superei as diferenças insuperáveis que tenho com MBL e nem, acabado o ato, fomos tomar cerveja. […] Também as minhas diferenças com o PT são cada vez mais profundas e insuperáveis, mas o que eu estou propondo, para toda a militância nossa, é não dar valor a esses incidentes, que são desagradáveis, mas são irrelevantes à luz da gravíssima hora que o Brasil está pedindo de todos nós: serenidade, equilíbrio e foco”, disse Ciro na entrevista à imprensa  domingo (3/10).

“Estamos propondo uma amplíssima trégua de Natal, como nas guerras. Para, quando for o assunto Bolsonaro e impeachment, a gente deve esquecer tudo e convergir para esse rasíssimo consenso, que já não é fácil”, completou.

Questionado sobre o PT aderir à trégua, Ciro afirmou que “pouco importa”. “Eu não espero [que haja adesão do PT], porque eu já vi acontecendo coisas com [Leonel] Brizola, com Mario Covas, comigo mesmo. Isso é irrelevante.”

“Não temos que esperar que eles aceitem ou se comportem como nós gostaríamos, nós é que temos que nos comportar de forma coerente com o que o Brasil precisa: uma trégua ao redor de um único assunto”, disse Ciro, ressaltando que, para além do “fora, Bolsonaro”, vai continuar estabelecendo diferenças.

 

Vejam vídeo da Carta Capital sobre o ato de sábado