Ciro Gomes no “Roda Viva”: “Temos na presidência um irresponsável, despreparado”

“Na  contramão da Ciência, Bolsonaro desautoriza  o Ministério da Saúde e confraterniza com populares incitados pela estupidez golpista”

Com sintomas de gripe, tosse e febre, o ex-governador participou por vídeo conferência do programa “Roda Viva” da TV Cultura de São Paulo nesta segunda-feira (17/3), por teleconferência, sofrendo grande bombardeio dos entrevistadores a ponto dele ser obrigado a afirmar, em resposta a um deles, “se a gente não tem coragem de lutar, vamos ter pelo menos a decência de respeitar quem tem”, ao se referir ao episódio em Sobral, sua cidade, onde seu irmão Cid Gomes foi baleado com dois tiros por policiais amotinados. Logo na abertura do programa a jornalista Vera Magalhães, apresentadora do ‘Roda Viva”, explicou que seria a primeira vez que o Roda Vivo teria um entrevistado por videoconferência vídeo satélite, mas que isto também estava sendo feito por conta do isolamento “por orientação médica” que Ciro está seguindo.

No programa, Ciro disse que a política brasileira de esquerda hoje está resumida em  “lacração em internet” e discussão no Congresso Nacional, enquanto o País “vai para o brejo”. Ainda sobre Sobral, agradeceu a Deus por não ter ido e, na sua opinião, Cid Gomes foi um herói, vítima da situação. “O Cid é estava lá desarmado, tentou negociar, levou um soco no rosto” e sua reação foi usar a retroescavadeira para derrubar um portão do quartel onde os policiais amotinados se concentravam, relatou.

Ciro criticou a imprensa por minimizar o que aconteceu ao seu irmão. “É uma indignidade um cidadão ter levado dois tiros no peito e o jornalismo brasileiro ficar relativizando isso “, disse. Também  fez questão de alertar aos entrevistadores que “quando o presidente da República fala o que fala a jornalistas e ficamos nessa pseudoelegância”, sem bater de frente com a situação, corre-se o risco de exatamente a imprensa ser a primeira vítima do que pode vir por aí, com o avanço do fascismo.

Questionado sobre os militares no governo, Ciro disse que “é preciso distinguir com muita clareza” os bons militares dos maus. Ele citou o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, que seria, na sua visão, uma “grande decepção”. Para Ciro, usando uma imagem rural rica para Brizola, Heleno  “está costeando claramente o alambrado do golpismo fascista”.  Acrescentou que “há militares e militares –  precisamos distinguir isso com muita clareza”.

A reunião do ministro da Saúde  com outras autoridades ocorrida ontem, segunda-feira,  foi a pior reação que se poderia ter no Brasil às manifestações de 15 de março contra o Congresso e o STF, apoiadas por Bolsonaro. Para Ciro existe “grave crise institucional”,  por conta do conflito atual entre os poderes  depois que o presidente da república “confraternizou com gente que está propõe em cartaz nas ruas  queimar o  Congresso e  o Supremo”. Ainda sobre sobre a reunião do ministro Mandetta, da Saúde,  com os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli;  da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia;  e do Senado, Davi Alcolumbre, para tratar do coronavírus, observou: “Houve  uma disfuncionalidade institucional dando claramente ideia de que o presidente foi  isolado do diálogo que tem a ver com a saúde e vida do nosso povo”.

Ainda segundo Ciro, há militares preocupados com o alinhamento automático de Bolsonaro aos interesses do governo norte-americano e citou a entrega da Base de Alcântara, no Maranhão,  entre essas preocupações que, frisou, “inacreditavelmente contou com aplausos de parte da esquerda brasileira”. (O.M)

 

Veja a íntegra do programa: