Ciro explica aos caminhoneiros as razões da alta dos combustíveis

Falta de equilíbrio tarifário é resultado de erros na formulação e execução das ações federais

A política de preços dos combustíveis, formuladas e executadas a partir das determinações do presidente Jair Bolsonaro, é o principal indutor da precarização do trabalho dos caminhoneiros em todo o Brasil. Com esse diagnóstico, o presidenciável do PDT Ciro Gomes apresentou, em vídeo nesta quinta-feira (24), soluções para equacionar os entraves a partir do Projeto Nacional de Desenvolvimento (PND).

“Precisamos encontrar um equilíbrio entre as reivindicações dos caminhoneiros e a política de preços de combustíveis. Hoje, uma política muito mal concebida e muito mal executada”, apontou Ciro.

A partir da gestão de Pedro Parente como presidente da Petrobrás, a empresa dolarizou o preço dos combustíveis no mercado interno – que passaram a ser cotados em dólar – e os preços dos derivados não pararam de subir; além da continuidade da política de venda de ativos da empresa, como a BR Distribuidora, a subsidiária mais rentável e a maior rede de distribuidora de combustíveis do país. O desmonte da empresa tornou-se uma realidade iniciada no governo Dilma, aprofundadada na governo Temer e estimulado ainda mais, no governo Bolsonaro/Paulo Guedes.

“Mais de 60% das cargas brasileiras viajam por estradas. Os caminhoneiros transportam o progresso nas costas. Quando eles sofrem, milhares e milhares de famílias sofrem. Quando eles param, o Brasil também para”, completou.

Transformação

A classe autônoma precisa, segundo Ciro, de apoio permanente do governo para não “ficar refém dos reajustes do diesel ou de uma tabela de fretes defasada”. Para isso, ele defendeu mudanças concretas, com ênfase em cinco pontos centrais: tarifas, legislação, financiamento, previdência e associativismo.

“Estabilizar o preço do diesel, com a formação de um estoque contra aumentos cíclicos, entre outras medidas. Criar uma legislação específica para ordenar a revisão da tabela de fretes. Financiar, a prazo longo e juro baixo, a compra de caminhões em regime de leasing. Regularizar a situação previdenciária da categoria para assegurar sua aposentadoria”, detalhou

“E, por fim, estimular o associativismo entre os caminhoneiros autônomos para que eles tenham acesso a tecnologias de logística e outros benefícios que lhes permitam disputar mercado com as grandes transportadoras”, reforçou.

As bases das propostas pedetistas estão apresentadas na publicação lançada pelo ex-ministro da Fazenda, em 2020, e que se consolidou como uma das mais vendidas do Brasil.

“Quero discutir essas e outras propostas com todos os brasileiros. Elas estão aqui neste meu livro. Convido você a lê-lo, complementá-lo e ser um parceiro desse Projeto Nacional de Desenvolvimento”, concluiu.

A política entreguista de Bolsonaro e Paulo Guedes estão fazendo a Petrobrás perder participação no setor de óleo e gás para concorrentes estrangeiras, segundo destacou em recente matéria no “O Estado de São Paulo”, a jornalista Fernanda Nunes.

Segundo ela, “com a Petrobrás pisando no freio dos investimentos e vendendo mais ativos, empresas petrolíferas estrangeiras estão ganhando espaço no Brasil. Juntas, Shell, Repsol Sinopec, Petrogal e TotalEnergies já respondem por 20% da produção nacional de petróleo e gás. Essas são as quatro maiores produtoras, atrás da estatal. Em conjunto, a iniciativa privada responde, hoje, por 27% do total, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)”.

Os investimentos da Petrobrás estão caindo, na verdade, desde 2014, quando a empresa passou a ser alvo de denúncias de corrupção na Operação Lava Jato. Em resposta, Temer e Pedro Parente  optaram por reduzir os investimentos, que passaram de US$ 236,7 bilhões (para o período de 2014 a 2018) para os atuais US$ 55 bilhões (de 2021 a 2025) – uma retração de US$ 181,7 bilhões.

O entreguismo explícito foi responsável pela decisão da estatal de deixar de ser uma empresa integrada em cadeia – como são todas as grandes petroleiras do mundo – e a levou a “vender” campos terrestres e em águas rasas, além de entregar a estrangeiros megajazidas de petróleo do pré-sal, a maior descoberta da indústria petrolífera mundial dos últimos 50 anos.

Da mesma forma, por conta do entreguismo explícito, a Petrobrás  passou a colocar menos dinheiro na exploração de novas reservas, que responderiam por descobertas futuras. O reflexo direto dessas decisões aparece nas estatísticas da ANP.

A participação da Petrobrás na produção nacional passou de 84% em abril de 2016 para 73% em igual mês deste ano, uma queda de 11 pontos porcentuais em cinco anos. Em contrapartida, cresceu a presença estrangeira no setor. A mais evidente foi a da Shell, que, há cinco anos, respondia por 7% da produção interna de óleo e gás, e atualmente está com 12%.

Para a atual diretoria da Petrobras o avanço de estrangeiras é ‘natural’, como informou por meio de sua assessoria de imprensa.

(por Bruno Ribeiro / OM / O Estado de São Paulo)

Veja o vídeo do Ciro dirigido aos camioneiros: