Ciro combate modelo econômico desde FHC e avisa: “Vou para o segundo turno”

Câmbio flutuante, meta de inflação e superávit primário formam tripé dos últimos presidentes do Brasil

*Por Bruno Ribeiro / PDT-RJ

Para o pré-candidato a presidente da República pelo PDT, Ciro Gomes, o tripé do modelo econômico mantido, desde 1995, pelos presidentes do Brasil configura a atual crise estrutural. Alternativa contra a polarização entre Jair Bolsonaro e Lula, o ex-ministro da Economia concedeu entrevista para a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (10). “Vou para o segundo turno”, indicou.

“O Brasil tem uma crise estrutural e quem produziu isso não foi Chico, Manoel ou Maria porque o modelo econômico, que tem sido imposto ao povo brasileiro, é o mesmo desde o Fernando Henrique”, afirmou, ao lembrar três pilares dos últimos governos: câmbio flutuante, meta de inflação e superávit primário.

“Ou a gente coloca em discussão o modelo econômico, ou nós vamos ficar levando essa tragédia social, econômica, política e moral, que o Brasil está vivendo, para o limite da revolta e do desânimo. E essas duas coisas não vão construir o caminho”, completou.

Em um gesto estadista, Ciro relembrou que enviou, em março de 2020, uma carta ao Bolsonaro para oferecer uma “trégua política” e consequente suporte no enfrentamento da Covid-19, inclusive com a proposição de ações efetivas em áreas centrais, como saúde, economia e proteção social. Na prática, o presidente fez o contrário, segundo ele, e gerou a marca negativa de quase 500 mil mortes.

“Estou dizendo lá [no documento] que a gente tinha que fazer teste em massa, e o Brasil não fez a testagem em massa. O Brasil tinha que promover o isolamento social radical porque quanto mais radical ele fosse, mais breve ele seria. E eu não estava inventando isso. Muitos cientistas estavam me ajudando e a experiência internacional. A gente tem que mostrar para o povo que não existe remédio para vírus. É que nem o sarampo. A gente já sabe que não existe remédio para o sarampo. O que existe é vacina. É que nem a varíola”, descreveu.

“E o Bolsonaro fez o oposto. E se o isolamento social era a única saída ainda – ainda não tinha vacina na época -, nós tínhamos que pagar para a população ter capacidade de fazer esse isolamento social radical”, informou, ressaltando a origem para custeio de cada item.

Viabilidade

Sobre as perspectivas para as eleições de 2022 e a chegada ao segundo turno, Ciro avalia que os cidadãos terão a oportunidade de refletir sobre a realidade do país e comparar não só candidatos, mas também projetos.

“Não só porque eu desejo isso, mas porque eu tenho obrigação moral de dar ao povo brasileiro esse caminho”, disse, ao chamar Bolsonaro de “traidor” e argumentar: “Para que a gente vai precipitar um voto útil se a gente tem dois turnos?”

“O Brasil não aguenta mais. É a pior crise da nossa história. Quem está pagando muito caro é quem não merecia estar passando pelo o que está passando: o povo trabalhador, a classe média brasileira”, relatou, como defensor do seu Projeto Nacional de Desenvolvimento (PND).

Diante da disseminação do ódio no debate político desde 2018, o pedetista reafirma sua intenção de representar uma opção consistente para uma escolha consciente.

“Vamos tentar restaurar um ambiente de amor, compreensão, concórdia e diálogo respeitoso entre as pessoas que pensam diferente. É por isso que eu vou lutar”, salientou.

“O Brasil precisa desarmar esse ódio. Nós precisamos, desesperadamente, discutir empregos, salário, inflação, infraestrutura e relações internacionais”, acrescentou.