Ciro aponta culpados pelo fechamento da Ford: “Bolsonaro vai liquidar nossa Nação”

Ao citar o fechamento das fábricas da Ford, ex-governador do Ceará voltou a reforçar a necessidade de impeachment

*Por Bruno Ribeiro/OM – PDT/RJ

O ex-governador do Ceará e vice-presidente nacional do PDT, Ciro Gomes, culpou o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, pelo fechamento das fábricas da Ford no Brasil e a iminente demissão de quase 5 mil trabalhadores anunciada na última segunda-feira (11). Ciro vem há anos falando sobre a progressiva desindustrialização do Brasil e a saída da empresa americana representa, segundo ele,  mais um sinal do extenso processo de redução da capacidade industrial no país.

“Que desastre, meu Deus do céu! A Ford anunciou que vai fechar todas as suas fábricas no Brasil. Com a saída de mais uma montadora, nosso país segue afundando no processo de desindustrialização. Bolsonaro vai liquidara  nossa Nação! Que o Congresso, cumpra seu dever: IMPEACHMENT JÁ!”, afirmou através do twitter.

Em consonância, o líder da Oposição na Câmara dos Deputados, André Figueiredo, lamentou a caótica situação da economia nacional, o que indica uma ampliação da dependência do setor agrícola. “O Brasil se desindustrializa cada vez mais. Vai sobrar apenas plantação de soja?”, indagou, ao mostrar que o Brasil, maior país da América Latina, está sob ataque externo.

Até o final do ano a Ford, segundo anunciou oficialmente, deverá encerrar todas as atividades nas suas fábricas de Camaçari (BA), em Taubaté (SP) e em  Horizonte (CE) – esta última responsável pelos utilitários da  Troller, marca recentemente vendida e agora também pertencente à Ford. Ao longo dos próximos meses, somente peças serão fabricadas para garantir disponibilidade dos estoques de pós-venda.

Como justificativa, o gestor da empresa indica que o cenário brasileiro se tornou “pouco atraente” para continuar produzindo veículos  no Brasil. A montadora começou a operar no país em 1º de maio de 1919, na cidade de São Paulo, para a revenda de carros produzidos nos EUA.

“A Ford está presente há mais de um século na América do Sul e no Brasil e sabemos que essas são ações muito difíceis, mas necessárias, para a criação de um negócio saudável e sustentável”, disse Jim Farley, presidente e CEO da Ford, já que as atenções dos controladores da empresa norte-americana estão com suas atenções atualmente voltadas para o Uruguai e a Argentina, onde a Ford fortalecerá sua presença com o fechamento das fábricas no Brasil.

A Ford garante que vai trabalhar junto aos sindicatos p ara “minimizar os impactos do encerramento da produção”. Segundo a montadora, os veículos comercializados no Brasil vão passar a ser importados, principalmente das unidades de Argentina e Uruguai, além de outras regiões fora da América do Sul. “Estamos mudando para um modelo de negócios ágil e enxuto ao encerrar a produção no Brasil, atendendo nossos consumidores com alguns dos produtos mais empolgantes do nosso portfólio global”, completou Farley.

Em dezembro último, em encontro com o presidente argentino, Alberto Fernández, o presidente da Ford para América do Sul, Lyle Watters, anunciou nvestimentos de US$ 580 milhões na modernização da unidade instalada naquele país e de aumento significativo na nacionalização de peças.

Uma das razões para o fechamento da Ford e possível fechamento de outras montadoras no país, segundo o jornalista Cesar Fonseca, é o teto de gastos imposto ao país.

Em fevereiro do ano passado, falando no rádio, Ciro Gomes fez uma análise da desindustrialização do Brasil citando inclusive a Ford – que naquela época acabara de anunciar a idéia de acabar com a fábrica de Taubaté (SP).

 

 

Em setembro do ano passado, Ciro voltou ao assunto – em outro vídeo disponível no Youtube: