Ciro, antes da decisão de Fachin sobre o Lula: “Não contem comigo para este circo”

Na entrevista à CNN, à noite, Ciro explica detalhadamente a sua posição sobre o assunto

Antes do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, anunciar no final da tarde de ontem (08/3) sua decisão monocrática de anular as condenações sofridas pelo ex-presidente Lula na 13a. Vara Criminal de Curitiba, comandanda pelo ex-juiz Sérgio Moro, o ex-ministro Ciro Gomes fez duras declarações de manhã (a partir das 11 horas) ao jornalista Kennedy Alencar, da UOL,  sobre a possibilidade de Lula –  de novo – se tornar centro do debate político no Brasil – como aconteceu no período imediatamente anterior às eleições presidenciais de 2018 – em vez de se discutir a maneira de varrer definitivamente o bolsonarismo entreguista da vida brasileira.

“Não contem comigo para este circo”, afirmou Ciro Gomes a Kennedy Alencar, antes Fachin anunciasse a sua decisão técnica de cancelar todas as condenações de Lula nos processos conduzidos de forma flagrantemente ilegal pelo juiz parcial Sérgio Moro e seus ajudantes, integrantes do Ministério Público que participaram da força tarefa da Lava Jato, segundo Ciro responsáveis pela destruição da engenharia nacional, esquartejamento da Petrobrás e vários outros delitos que puseram a economia do Brasil em parafuso, antes mesmo da chegada da pandemia de Coronavirus.  Segundo Ciro, Moro e seus ajudantes  prejudicaram os interesses maiores do Brasil .

Ciro também falou sobre o Dia Internacional da Mulher, argumentando que  “a melhor homenagem que se pode fazer às mulheres é repartir, com elas, o poder”. Na sua opinião, é fundamental a participação das brasileiras na direção do país e no combate à nefasta e entreguista administração de Jair Bolsonaro. Sobre a libertação de Lula, Ciro foi enfático: “Não contem comigo para este circo”.

Assista Ciro falando sobre a possibilidade de Lula ser candidato em 2022, na entrevista a Kennedy Alencar, apresentada na íntegra, na parte final desta matéria:

Ciro falou também sobre a pandemia, abordando soluções que considera viáveis para enfrentar o caos propagado na União e irradiado por todo o país. Segundo ele, é fundamental este enfrentamento para interromper  a transmissão da Covid.  “Nós, que temos formação humanista, que temos respeito aos ritos e às instituições e aos valores da democracia, estamos indignados e enojados. Não aguento mais. Eu transformo a minha tristeza imensa em ferramenta de luta”, garantiu, lembrando que o PDT já recorreu inclusive a Corte de Haia contra Bolsonaro.

“Insistir pelo caminho da institucionalidade brasileira, mas com essa percepção dura, sofrida e constrangedora de que o Bolsonaro conseguiu subornar, cooptar ou controlar boa parte da institucionalidade”, completou, ao mencionar a compra da mansão, em Brasília, pelo senador Flávio Bolsonaro. “Só uma República de bananas, na qual eles (Bolsonaro e aliados) estão transformando a grande nação brasileira, justifica um picareta, como esse Pazuello (ministro da Saúde), ser da ativa, ocupando um ministério e pondo a sociedade brasileira nesse nível de exposição à morte e às irresponsabilidades”, detalhou Ciro na entrevista ao jornalista.

Em outra matéria, o portal UOL ouviu advogados sobre a decisão do ministro Edson Fachin, restituindo os direitos políticos de Lula e anulando as decisões tomadas por Sérgio Moro. Lula, inclusive, dará coletiva hoje (9/3) às 14 horas na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, local onde esteve e reunião uma grande multidão de trabalhadores e políticos – em solidariedade contra a ordem de prisão contra ele, decretada – agora sabe-se que de forma ilegal – pelo juiz Sérgio Moro, de onde foi levado preso para a sede da polícia federal em Curitiba, onde militantes de extrema-direita, depois eleitores de Bolsonaro, soltaram foguetes à sua chegada, saudando a sua prisão. Os mesmos que, depois, soltaram fogos sobre a sede do Supremo Tribunal Federal em Brasília, insatisfeitos com decisões da Suprema Corte do país em defesa do Estado de Direito.

Segundo o jornalista vinicius Konchinski, para a UOL, a decisão de Fachin de anular todas as condenações de Lula feitas pela justiça federal de Curitiba foi uma espécie de “recuo estratégico” da operação Lava Jato, na opinião de alguns advogados que ouviu. Konchinski explicou que Fachin, que historicamente sempre esteve alinhado aos posicionamentos dos lajavajatistas de Sérgio Moro, ao mesmo tempo em que surpreendeu o mundo jurídico com sua decisão monocrática de acatar o pedido da defesa de Lula devolvendo ao ex-presidente os seus direitos políticos, além de anular as condenações , na verdade, tomou uma decisão que visa muito mais “salvar” Moro e a Lava Jato, do que o ex-presidente.

Fachin baseou a sua decisão no argumento de que os magistrados de Curitiba não eram o juízo competente para julgar Lula. Na avaliação dele, a Justiça Federal de Brasília é quem deve julgar os processos envolvendo Lula pelo fato dele ser ex-presidente da República. Daí a sua nota para explicar a razão de sua decisão, onde alega que o procedimento de distribuir as investigações da Lava Jato já vem sendo adotado para outros inquéritos, deixando assim de reconhecer a competência da 13a. Vara Federal de Curitiba da subseção judiciária de Curitiba, que já teve o ex-juiz Sérgio Moro, depois ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro, com quem entrou em conflito, como titular.

Na opinião de observadores, além de polêmica, a decisão monocrática de Fachin – que pode ser revertida no plenário do STF – é extremamente arriscada para o ministro, que pode se desmoralizar no episódio, já que há consenso na Suprema Corte de que os processos da Lava Jato contra próceres do PT e devido a corrupção precisam continuar, sob pena de desmoralização da própria Justiça, mas não mais sob a batuta – ilegal – de Moro e seus procuradores que, como ficou provado publicamente com o vazamento de suas comunicações internas, recorreram a diversos expedientes claramente ilegais com objetivos políticos de prejudicar o ex-presidente que, além de passar meses na prisão, foi afastado da disputa presidencial – facilitando a ascensão de Jair Bolsonaro ao Poder através do uso de fake news  absolutamente ilegais, baseadas em mentiras e meias verdades, mas que também contaram com o apoio da grande mídia e do grande empresariado, além das multinacionais interessadas em desmontar as grandes empresas brasileiras de engenharia, a Petrobrás e se adonarem do mercado interno brasileiro.

Veja a íntegra da entrevista de Ciro a Kennedy Alencar, do UOL, ontem de manhã:

Ciro na CNN, “a tarefa não é só derrotar Bolsonaro, é encontrar uma saída para o Brasil”. Assista a íntegra da entrevista à CNN.

(atualizado às 9h29m)