Ciro analisa para Mariana Godoy incompetência de Bolsonaro e Guedes para enfrentarem colapso da economia

Em entrevista para a jornalista Mariana Godoy, ontem (11/5), na rádio Nova Brasil FM, o ex-ministro Ciro Gomes passou a limpo vários assuntos do momento como a pandemia de Coronavírus – que já matou mais de 10 mil brasileiros e provocou racha entre Bolsonaro e a opinião pública brasileira; e também os graves problemas econômicos que o país enfrenta por conta do colapso na economia provocando pela doença e pela incompetência de Paulo Guedes de enfrentar a grave situação que o país vive.

Segundo Ciro, no momento 162 mil brasileiros estão hospitalizados devido a crise de saúde pública e mais de 10 mil pessoas já morreram já que o Brasil não dispõe de leitos de UTI suficientes para atender a todos os brasileiros que necessitam deles neste momento. Situação gravíssima esta, agravada pela incapacidade do governo de importar respiradores e outros insumos médicos vitais por causa da sua impossibilidade estrutural de encontrar, no próprio país, saídas para enfrentar a crise.

 “Bolsonaro está cometendo vários crimes, inclusive atentando contra o regular funcionamento da Democracia e a autonomia da Federação no momento em que expõe a vida do povo brasileiro à morte pelo fato de governadores e prefeitos não disporem de testes” para terem condições de controlar e mapear a doença. E o governo federal, por sua vez, nada faz para ajudar os estados e os municípios obrigados a se virar com os parcos recursos próprios que dispõem, na falta de uma política nacional de saúde.

Ainda de acordo com Ciro, o impeachment de Bolsonaro não é solução para a crise porque o impedimento político e a urgência da crise, não permitem que o Brasil fique parado seis meses – tempo mínimo para o processo de impeachment chegar ao final. “Se Bolsonaro tivesse dignidade, renunciaria”, sugeriu  Ciro, alfinetando o presidente.

Sobre o processo aberto pelo procurador geral por conta das denúncias do ex-juiz e ex-juiz Sérgio Moro, que considera candidatíssimo à presidência, Ciro disse não acredita que ele resulte em fatos concretos. Na sua opinião, o processo não deve atingir Bolsonaro, mas atingir o próprio juiz Moro “por prevaricação, o que me parece que é a intenção do procurador”. Ciro também fez questão de observar: “Afinal, sabemos que Moro é candidato à presidência”.

E alfinetou: “O que Moro conhece de saúde pública?  Qual sua resposta para a questão econômica? Em agosto ou setembro deveremos estar com 25 milhões de desempregados. Isto, sem falar na falta de caráter dele (Moro) porque só no Brasil um juiz condena um político e vai para o governo em que o político condenado não chegou a presidente porque não estava na eleição. Sabemos que Lula não é inocente, mas a atitude de Moro é antiética”, frisou.

A respeito da  crônica que definiu como “sofrida” do jornalista Ricardo Kotscho, ex-assessor de imprensa do presidente Lula, ficou incomodado quando o entrevistador citou Kotscho e repetiu a frase “a oposição não tem proposta”.

“Tenho propostas até por escrito das medidas que deveriam ter sido corretamente adotadas contra a pandemia, como não tenho propostas?  Também não me canso de falar, até como mantra, as providências que deveríamos tomar relacionadas à economia. No caso específico da Covid,  é preciso testar em massa a população para saber quem está e quem não está doente.  Só assim georeferenciaremos o problema porque, atualmente, navegamos às cegas e só chegaremos ao controle da doença quando soubermos exatamente onde ela está – o que só pode ser feito através de testes maciços para que não continuemos navegando às cegas. O Brasil é o país que menos testa sua população no mundo, não fizemos no total nem 200 mil testes para uma população de mais de 206 milhões de pessoas”.

O jeito, para Ciro, “é radicalizar o isolamento social – porque se 100% da população ficar em casa por 15 dias, dominaremos a doença. A China promoveu o isolamento radical e se não o fizermos,  tornaremos o Brasil no epicentro mundial da doença”.

Para Ciro, é urgente mandar um comboio militar brasileiro à China para conseguir respiradores “como os que o governo do Ceará comprou e o governo federal reteve”.  Também acrescentou,  em tom de denúncia:

“Sabe quantos hospitais de campanha o governo federal abriu para enfrentar a doença? Nenhum. Só o Ceará abriu cinco, o Rio de Janeiro, outros quatro, sem falar nos outros estados”. Ciro cobrou ainda o fato do ministro Mandetta ter prometido entregar ao país  mais 2 mil leitos hospitalares com UTI completa, para tratar a Covid-19, mas na prática só entregou 370 espalhados por todo Brasil.

Ainda falando de propostas para o país, Ciro destacou que defende há anos um projeto nacional de desenvolvimento “com início, meio e fim” por isso não aceita a crítica de que a esquerda não tem projeto.  Falou da necessidade de se taxar os lucros e dividendos e também as heranças superiores a 20 milhões de reais.  Também voltou a criticar as medidas tomadas por Paulo Guedes que provocaram gigantescas filas nas agências da Caixa Econômico em todo país, chamando a ajuda federal de “bolsa genocídio”; e ainda defendeu,  mais uma vez,  a necessidade de “grande reforma tributária”.

O governo Bolsonaro, na opinião de Ciro, enfrenta fortes dificuldades políticas e a tendência é piorar cada vez mais. “Acho que Bolsonaro vai tentar se segurar, mas não vai conseguir porque o seu capital político se deteriora a cada dia fora da sua fração de apoiadores fascistas, homofóbicos e de gente que tem maldade na alma. Os problemas são graves e Bolsonaro, na verdade, não sabe o que fazer”, criticou.

Acrescentou que Bolsonaro também tem graves problemas com seus três  filhos. Um deles é “bandido de roubar dinheiro de gabinete parlamentar” e de se envolver em assassinatos, outro envolvido ate aos cabelos no inquérito das fake News, além do terceiro, também envolvido em malfeitos.

“Será que Bozo vai aguentar? O Congresso eu conheço bem – eles não vendem apoio, eles alugam”, destacou por conta do esforço de Bolsonaro de se aproximar do “Centrão” para impedir o impeachemant e continuar no poder.

Antes de concluir a entrevista, Ciro Gomes ainda afirmou: “Nosso povo não merecia passar pelo sofrimento que está passando”. Ele também bateu de frente com a política econômica de Paulo Guedes.  “Nossos ativos não estão valendo nada e vender coisas agora (como anunciou Guedes) é  crime sem precedentes. A Eletrobrás está vivendo a pior avaliação de sua história e vamos vendê-la? Temos que denunciar isto ao povo!”. Ciro também criticou a ajuda de Guedes aos bancos “que nunca tiveram tanto lucro quanto nos governos do PT”.  E concluiu: “Forte abraço para todos os brasileiros, vamos à luta”.  (O.M)

 

Ouça íntegra da entrevista: