Ato de fundação do Movimento pró-Anistiados do PDT

 

Cerca de 80 pessoas participaram do ato de fundação do Movimento pró-Anistiados do PDT na última sexta-feira (12/5) no auditório da Fundação Leonel Brizola–Alberto Pasqualini, no Centro do Rio, em cerimônia inicialmente presidida pela dirigente do Movimento dos Aposentados e Idosos do PDT (MAPI), Maria José Latgé, que leu na ocasião mensagem do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi , dirigida aos integrantes da mais nova organização pedetista.

Lupi saudou a criação do movimento anistiados e anistiandos: “O PDT carrega a marca dos cassados, dos exilados e dos perseguidos; por isto é de fundamental importância a criação deste movimento”, frisou na mensagem, ressaltando também a importância de resgatar a memória de cada um dos anistiados; e de todos, coletivamente, pela importância para a História contemporânea do Brasil dos fatos que vivenciaram.

Zezé, por sua vez, saudou “a retomada do Fio da História dos anistiados” pelo PDT, nascido das fileiras do MAPI – já que parte de seus integrantes é de militantes deste movimento que preside. Maria José, em seguida, passou a direção dos trabalhos ao anistiado Adail Ivan de Lemos, filho de um trabalhista histórico, signatário da Carta de Lisboa, Ajadil de Lemos, e Lara de Lemos, autora da letra do Hino da Legalidade.

Ao explanar os motivos da criação deste movimento, Adail Ivan disse que “é nosso dever tornar o Estado responsável por seus atos: desde a bala perdida que mata uma jovem dentro de um colégio aos seus opositores políticos que, no passado, foram mortos sob tortura”.

Adail apresentou Délcio Pereira Fortes, autor do livro “Hélcio”, lançado na ocasião, que narra a trajetória do ex-dirigente nacional da ALN, Hélcio Pereira Fortes, irmão do autor, morto sob tortura no Doi-Codi paulista, cujo corpo foi enterrado no cemitério de Perus, em São Paulo.

Em seguida Adail leu um poema dedicado ao militante morto, afirmando ao final que “sua história é uma bússola, porque Hélcio está mais vivo do que nunca, presente através de seu exemplo de vida e de morte”.

Militante do PCB, Hélcio foi um dos líderes da greve dos metalúrgicos de Contagem, Minas Gerais – uma das primeiras depois do golpe militar de 1964 –, onde era conhecido pelo codinome de Ernesto. O livro de Délcio, segundo Adail, “traz informações relevantes para o conhecimento de uma época difícil de nossa História: época de dor e alegrias; mas também de agonia”. Segundo Adail, os militantes da luta armada queriam “um Brasil mais democrático e justo”.

Délcio, falando em seguida, narrou a trajetória de vida de seu irmão e a luta da família para resgatar o seu corpo após o seu assassinato, quando tinha 23 anos, por agentes de segurança que, depois, forjaram – como era comum na época – notícias dizendo que Hélcio morrera em confronto armado com força policiais.

“Hélcio foi preso no Rio de Janeiro, torturado no quartel da PE da Barão de Mesquita, um centro de torturas; transferido para São Paulo, foi assassinado a tiros, com requintes de crueldade, no DOI-CODI”, explicou.

Antes dos autógrafos, logo após a fala de Délcio, usaram a palavra ainda o fundador do PDT e signatário da Carta de Lisboa, Carlos Fayal, também ex-integrante da ALN; e as netas do também militante de esquerda Marco Antônio “Play”, que criaram uma entidade que reúne parentes de perseguidos políticos.

O presidente do Conselho Previdenciário do MAPI, Edir Inácio da Silva, ex-subsecretário de Minas e Energia do governo Brizola, líder metalúrgico de Volta Redonda, ex-preso político – torturado nas instalações militares existentes em Barra Mansa, no Sul fluminense –, contou, com emoção, sobre as atrocidades cometidas pela ditadura, no Sul-Fluminense; e apresentou seu filho, que aos oito anos de idade foi sequestrado para informar o endereço em que ele estava abrigado.

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