Café com Lupi fala sobre desmonte das leis trabalhistas e pior crise do emprego no país

O coordenador de Trabalho e Renda de Niterói e ex-ministro do Trabalho, Brizola Neto, e a deputada federal Flávia Morais foram os convidados do Café com Lupi deste sábado (24). Nesta edição, o programa liderado por Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, abordou do desmonte das leis trabalhistas à necessária presença da mulher na política.

Lupi, que também foi ministro do Trabalho e Emprego – o que mais gerou empregos –, falou sobre o fim do Ministério. De acordo com ele, Bolsonaro extinguiu a pasta com o principal objetivo de entregar ao Ministério da Economia o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

“O profeta da ignorância que está na presidência da República acabou com o Ministério do Tralho para tirar os dois grandes fundos. O dinheiro do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e do Fundo de Amparo ao Trabalhador ficaram nas finanças, no sistema econômico, sob o comando do [Paulo] Guedes. É a raposa cuidando do galinheiro”, afirmou o presidente nacional do PDT.

Na análise de Brizola Neto, a extinção do MTE foi crucial para o retrocesso nas leis trabalhistas. O pedetista afirmou ainda que a desidratação de políticas voltas ao trabalho e emprego é também um ataque ao legado trabalhista iniciado ainda no governo de Getúlio Vargas e resulta na maior crise do emprego já vivida pelo país.

“O desmonte do Ministério do Trabalho é mais uma etapa desse processo de retirada de direitos, de garantias, que tem colocado o trabalhador brasileiro nessa situação. A gente está vivendo a pior crise de emprego de toda a nossa história. Pela primeira vez, em toda a série histórica de indicadores apurados pelo IBGE, o número de brasileiros com alguma ocupação é menor do que o número de brasileiros fora da força de trabalho”, explicou Brizola.

No campo legislativo, Flávia Morais falou sobre a necessidade de maior participação da mulher nas esferas de poder, onde existe uma sub-representação do gênero. Para a deputada, a atuação feminina na política deve priorizar o combate à violência. A parlamentar é autora do PL 976, aprovado na Câmara por unanimidade, que reforça medidas protetivas expedidas em favor da mulher, distribuindo-as para o banco de dados de todos os órgãos policiais.

“É importante lembrar que quando a mulher está ameaçada, com medo de morrer, ela procura ajuda. Essa medida protetiva é muito importante. Se ela não for bem aplicada, se não existir, essa mulher, quando denuncia, aí que ela vai morrer mesmo. Então essa medida protetiva é crucial para proteger a mulher vítima de violência. Só ela vai garantir a vida dessa mulher”, disse a deputada.

Sobre a aprovação do PL 976 pelo Senado, Flávia Morais afirmou que a matéria pede urgência, considerando o cenário pandêmico que o país se encontra. De acordo com a deputada, o isolamento social necessário ao combate à Covid-19 tem gerado maior número de abusos contra a mulher, uma vez em que elas se encontram todo o tempo em casa ao lado dos seus algozes.