Café com Lupi, com Binho Guimarães e Maneca, reúne gerações do Trabalhismo

Lideranças do PDT condenam ações de Jair Bolsonaro e defendem Projeto Nacional de Desenvolvimento

*Por Bruno Ribeiro / PDT

A nova edição do Café com Lupi, que foi transmitida pelo Facebook neste sábado (20), promoveu uma embasada análise sobre as crises conjunturais brasileiras e propôs caminhos a partir de diferentes gerações do Trabalhismo. Em destaque, as opiniões do presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP), Manoel Dias, e do vereador de Niterói (RJ), em primeiro mandato, eleito pela JS-PDT, Binho Guimarães.

Mediado pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, o encontro virtual abordou temas atuais vinculantes, como a pandemia do Covid-19, os erros do governo federal, a subtração de direitos e os ataques contra a democracia. De forma unânime, ficou evidenciada a principal causa, segundo eles, do cenário emergencial acumulado nos últimos anos: Jair Bolsonaro.

Para os pedetistas, o presidente da República é responsável direto e, por isso, precisa avançar o pedido de impeachment protocolado pela sigla, na Câmara dos Deputados, ainda em 2020.

“Vamos lutar, a gente não desiste. Resistimos, pois a ignorância não pode vencer. Os ditadores autoritários não vencerão”, assegurou Lupi.

“É a primeira vez na nossa história. Nem a ditadura teve a coragem de acabar com o Ministério do Trabalho. Esse salafrário extinguiu. Pegou os dois grandes fundos (FGTS e o Fundo de Amparo ao Trabalhador) e colocou no Ministério da Fazenda. Por isso, temos que lutar e resistir”, completou o ex-ministro, assim como Dias, da pasta criada por Getúlio Vargas.

Na sequência, Dias mostrou mais prejuízos históricos e questionou promessas feitas como justificativas para aprovações indevidas no Congresso Nacional.

“O que fizeram (Temer e Bolsonaro) não foram reformas, mas subtração de direitos”, alegou, ao indagar: “Não iam criar milhões de empregos com as reformas da Previdência e trabalhista? E o fim do Ministério do Trabalho?”, indagou o também secretário-geral nacional da sigla criada por Leonel Brizola.

Como forma de ratificar as manifestações, Binho mostrou, a partir de exemplos, o perfil desumano de Bolsonaro na condução da nação, além de traçar um paralelo com Niterói, diante das administrações de Rodrigo Neves e Axel Grael, atual prefeito e sucessor.

“Enquanto tem gente chorando pela morte de entes queridos, o presidente, há uma semana, estava lá em Santa Catarina andando de jet-ski sem máscara e promovendo aglomerações. Então defender um governo municipal que tem esse zelo e cuidado, com justiça social, fica fácil e a gente continua fazendo oposição ao Bolsonaro”, pontuou.

“Sempre tratamos a pandemia com muita responsabilidade. Foi a primeira cidade do Brasil a implementar um hospital exclusivo para pacientes graves do Covid. Enquanto os governos do estado e federal estavam batendo cabeça, Niterói estava com hospital, testando sua população em massa e com auxílio emergencial de R$ 500 reais sem confusão ou fila”, salientou, ao dizer que as gestões pedetistas previram o fracasso do Ministério da Saúde e buscaram, por parceria, a compra antecipada de 1,1 milhão de doses do Instituto Butantan.

Caminhos

Como alternativa, a mobilização do partido para viabilizar o nome de Ciro Gomes a partir do Projeto Nacional de Desenvolvimento (PND). Os debatedores argumentaram que o PDT apresenta não somente um pré-candidato, mas também propostas baseadas em soluções factíveis para recolocar o país no rumo do crescimento econômico e do progresso social.

“O Ciro tem que ser a esperança desse povo. Não só pela capacidade que ele tem de gestão, pois foi prefeito, governador e ministro de Estado, mas, principalmente, para tirar o povo da miséria”, indicou Lupi.

“A gente tem que compreender essa realidade e trabalhar no único instrumento que é capaz de mudar isso: a educação. Nós temos que educar o nosso povo e formar a nossa gente. É chamar para conversar e convencê-los”, emendou.

Para contextualizar, Binho apresentou os diferenciais do partido diante da ampliada desilusão presente na realidade dos cidadãos. Tal decepção explica, para eles, o facilitador, via indução pela falta de informação, da vitória da extrema direita nas eleições de 2018.

“Nós temos projeto de Brasil, nacional. E esse discurso tem que atingir as camadas populares para a base entender que se o gás, hoje, está R$ 85 e a pessoa tem dificuldade para comprar, isso é culpa da política do governo federal. Se a gasolina está chegando a R$ 6, é culpa do governo federal. O povo tem que entender que o cenário de drama vivido, dentro da casa dele, é resultado de uma política liberal que vai, cada vez mais, ampliar as desigualdades”, detalhou.

No diálogo, Lupi concorda com os esclarecimentos e relaciona a situação à “uma direita raivosa que está saindo do armário”.

“Botando os dentes de fora para morder mesmo. Para atacar pela ignorância, pela homofobia, misoginia e todos esses preconceitos que a sociedade cria. E com um fundamentalismo religioso muito perigoso. Tudo eles podem em nome de Deus”, condena.

Lamentando que o país tenha assistido às ações de uma gestão bolsonarista considerada “facínora”, Dias mostra que os trabalhistas não podem desistir, pois a “defesa das suas bandeiras é feita de forma permanente”.

“É uma luta que temos que desenvolver com muita coragem. Estamos com uma proposta (núcleos de base) para nos organizar em grupos e levar para a população o que é o Plano Nacional de Desenvolvimento, as reformas necessárias para recuperar a economia brasileira”, disse. “Cabe todo mundo no Brasil. Empresário, trabalhador, agricultor e ainda vai faltar gente”, acrescentou.

Trajetórias

Em momentos emocionantes, os participantes também contaram passagens de vida e reavivaram lembranças sobre cada carreira forjada nas fileiras do Trabalhismo.

“Princípios e sonhos não ficam velhos”. De forma nostálgica, Manoel Dias contou como ocorreu o começo da sua militância, ainda em Santa Catarina, nos movimentos estudantis.

Aos 15 anos, assumiu a presidência da União Florianopolitana dos Estudantes Secundaristas e, com 17, passou para a liderar a União Catarinense de Estudantes. Nos anos seguintes, integrou a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e assinou a ficha de filiação ao antigo e original PTB, como consequência dos primeiros contatos com Leonel Brizola.

“Ele percorria as universidades brasileiras na defesa das reformas de base e na criação dos grupos de 11, que eram os núcleos de base daquela época”, enalteceu, ao falar do perfil majoritariamente nacionalista da bancada petebista e da liderança brizolista desde aquela época.

“Essa luta levou à construção do Brasil moderno. O que temos no país, hoje, foi feito pelo Trabalhismo, como reformas estruturais, CSN, Usiminas, Petrobras, Telebras, Eletrobras, Vale e Usina de São Francisco”, exaltou, Dias, que foi cassado pela ditadura militar por duas vezes – como vereador e deputado estadual em Santa Catarina.

Aos 82 anos, o catarinense garante que sua renovação ocorre “pelos ideais e sonhos de transformar o país numa pátria justa, igual e democrática”. “E que foram, também, as razões para os nossos antepassados trabalhistas, que deram as suas vidas”, acrescenta.

Membro da nova geração, Binho relata profundo orgulho por ser um aprendiz na convivência com lideranças representativas da política brasileira. E, nessa recente jornada, mencionou, como parâmetro, medidas diferenciadas adotadas por Brizola, como governador do Rio, na década de 80.

“O primeiro movimento de regularização fundiária no estado do Rio de Janeiro, no governo Brizola, se deu aqui, em Niterói, no Engenho do Mato. Brizola deu o título de propriedade para muitos moradores de uma região que ainda conserva algumas características rurais da nossa cidade”, disse, ao ser interrompido por Dias: “E ele passava para o nome da mulher (esposa)”.

Lupi explicou que a determinação buscava garantir uma segurança para a família, principalmente para os filhos, caso ocorresse a ausência do pai. “O título da posse tem que ser da mulher, pois a mãe jamais abandona. Brizola falava isso e se emocionava porque era verdadeiro. Ele foi criado assim, pela mãe, com o pai morto em uma emboscada na eterna luta dos maragatos”, falou.

Com isso, o vereador relata que “Niterói tem uma tradição pedetista e trabalhista” ao valorizar ainda as contribuições das duas gestões de Rodrigo Neves. Segundo ele, que foi coordenador de políticas para a juventude, foram governos marcados pela justiça social.

“Nós fizemos um trabalho muito forte para a juventude, que estava alijada do mercado de trabalho, tem menos oportunidades de entrar na universidade. Foi um trabalho que colocou em prática muito do que a gente prega como partido”, garante.

“Tive a oportunidade de participar de um processo de revitalização dos Cieps, que estavam abandonados. Nós criamos nesses espaços centros de juventude, que atendem, hoje, desde crianças até jovens e adultos até 29 anos. Oferecem atividades em cinco eixos, que vão de educação, cultura e esporte, até capacitação profissional”, concluiu.

Assista, na íntegra: https://www.facebook.com/LupiPDT/videos/172617354426234