Brizola por Brizola: Horóscopo.

Governador, uma perguntinha aqui um tanto delicada para o senhor…

… Sabe o que é? Acho que não tem… Pode ter respostas delicadas…

Não, não… O senhor tem sempre respostas. Eu não me preocupo com isso. Nós temos aqui quatro candidatos com chances reais de vencer. Sem dúvida, não é? Só tem uma vaga. Três vão perder. Um só será eleito…

… Democracia é sempre assim: um ganha e os outros perdem…

Podemos falar alguma coisa sobre o seu projeto político para o caso de o senhor não vencer?

Eu sou o único candidato que pode perder. Sou o único candidato que pode perder e não me acontece nada. E não me acontece nada.

O repórter troca a fita e comenta: já falamos bastante…

Liga de novo, para poder registrar isso aí. Embora eu não pense em perder.

Eu não estou lutando por mais um degrau na minha carreira. Minha carreira está encerrada, embora eu não… eu não construí nenhum muro que não possa passar.

O que eu já fiz, o que já construí na minha vida, ninguém me tira.

Olha, eu, por exemplo, sou um sujeito… Depois que li um horóscopo, muito interessante, que dizia: assuma! As suas qualidades e os seus defeitos; o que você fez, diga que fez. Li o horóscopo e disse: é uma boa isso aí…

Eu fui verificar o seguinte: eu sou o sujeito que, no mundo, em qualquer tempo, foi o que fez mais escolas durante a sua vida. Mas anda assim, em torno de oito mil. Em torno de oito mil! Parece uma coisa uma coisa… Entendeu? Só no meu governo do Rio Grande do Sul foram 6.300.

Dá para entrar no Guiness, não é?…

Sim, senhor. Podem me candidatar no Guiness, neste terreno aí, que eu… Entendeu? São coisas assim. Aquela página de bronze, que foi a Legalidade, ninguém me tira. Não é verdade? E assim por diante.

Eu tenho que dizer uma coisa aqui. Faz bem, ter uma companheira como eu tive, não é verdade? 46 anos! Maravilhosa. Ninguém me tira.

E assim por diante. Quer dizer: eu… Tudo inhapa: ninguém vai tirar.

[Inhapa é um termo gaúcho, que significa aquilo que se ganha além do combinado]

(Entrevista a O Globo, em 19 de setembro de 2000)

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Mas eu acho que com a minha presença aqui nas eleições. Vocês sabem; vocês me conhecem, e sabem que eu não me autoexalto. Eu sou lutador, mas eu não me autoexalto (que eu isso, eu aquilo; não sei o quê; esse negócio de espiritualidade).

Não ando atrás de horóscopo, mas quando encontro um horóscopo eu gosto de ler. Quem não gosta?

Outro dia, encontrei um (sou aquariano), dizendo: aquariano, não se deixe inibir; fale sobre o que você tem feito; fale sobre o que você merece; não te iniba; assuma e fale. Entendeu? Tem essas coisas, compreendeu?

Eu, por exemplo, examinei e cheguei à conclusão: não existe (e acho que não existiu) não mundo um sujeito que – só ele – tenha feito tantas escolas quanto eu.

Pode ser escolas pequenas, não importa. Quando Governador do Rio Grande do Sul, eu fiz 6.300 escolas. A maioria escolinhas pequenas, de madeira: um chalezinho suíço. E também completei em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Então, somando bem: ninguém fez mais escolas. Inclusive posso ir para o livro do Guiness. Ninguém fez mais escolas do que eu.

(Campanha para a Prefeitura – Sindicato dos Metalúrgicos, 28 agosto 2000)

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– Ao ser eleito prefeito do Rio de Janeiro, qual vai ser a sua prioridade na área da educação?

Bom, Wagner, eu não preciso nem dizer. Esses dias eu vi um horóscopo, que até guardo comigo. Eu sou aquariano. Dizia: aquariano, não te iniba. Assuma as suas virtudes. Diga, sem medo, o que você considera que você faz de bom.

Wagner, eu vou te dizer: eu vou assumir, neste momento – talvez não exista no mundo um cidadão que tenha feito tantas escolas quanto Leonel Brizola; que está aqui a seu lado, sendo entrevistado por você.

Eu disse, no mundo, hein? Olha que é preciso topete para dizer isto.

Eu, só no Rio Grande do Sul, fiz (você vai pensar que é mentira) seis mil e trezentas escolas.

– Somente no Rio Grande do Sul…

Eu não deixei nenhuma criança fora da escola. E o Estado hoje está no maior índice, em matéria de alfabetização. Praticamente é uma população que está em muito bom nível educacional. Foi devido àquela época de rica em realizações.

Então aqui, quando voltei do exílio, eu fui verificar que não basta dar uma escola, uma classe, um nível de uma professora. Não. Que era preciso investir nesta criança.

Essas crianças, em geral, estão subnutridas, estão cheias de parasitas; 20% a 30% não vêem e não sabem que não vêem; é preciso assistência odontológica, enfim.

E que a criança deixe de viver frequentando a rua; que façam como as crianças do primeiro mundo, que fica a maior parte do tempo dentro de um ambiente saudável, como é um colégio. Daí a construção de 500 Cieps. Foram mais de quinhentos: 516 ou 517…

Então, eu passei para um outro nível de colégio.

E agora, você sabe que eu tenho um programa… Claro que eu tenho quilometragem, experiência acumulada. O que eu pensava? Como vou apresentar um programa para o povo do Rio de Janeiro?

– Bom… programa de governo…

Você sabe que em quatro palavras… Quatro palavras!

Primeiro: educação para todos. Eu não quero que o rico tenha uma educação melhor do que o pobre; que o branco tenha educação melhor do que as crianças dos nossos irmãos negros. Educação de qualidade para todos! Esta é a minha tese. Então: educação para todos. E depois, desenvolvimento sustentável.

Pois só através desta chave, você pode abrir todos os caminhos que quiser. Se você estiver lutando por desenvolvimento, está lutando por emprego. E você diz assim: e a cultura?

– Tem o desenvolvimento cultural…

E assim, você tem caminhos para todos os lados. E quando você diz educação para todos, você está realizando uma revolução.

(Entrevista a Wagner Montes, em 11 de agosto de 2000)