Brizola por Brizola: Brizola batizou a Embratel.

– Uma empresa norte-americana está tentando proibir o senhor usar o slogan “Faz um 12”, alegando que uma empresa cliente dela, a Embratel, já faz uso da propaganda. A veiculação pelo senhor pode prejudicar a propaganda da empresa. O senhor vai mudar o slogan?

Bom, nós vamos até onde a lei nos permitir, junto ao Poder Judiciário. Eu acho que o Poder Judiciário não ira acolher essa liminar, porque nós nem fomos ouvidos. Foi uma decisão precipitada deste juiz.

E tudo me parece insólito, porque querem nos proibir de usar o ‘doze’, quando o número deles é ‘vinte e um’. Eu acho que criaram uma atmosfera estourou, envolveu a boa fé do juiz. E ele fez um grande mal em não ter nos ouvido, porque nós teríamos esclarecido a ele.

E Faz um… nós aprendemos até no colégio, com os professores nos dizendo: “faz um B”. Que pode ser ‘B’ do Brizola. Agora, eu, Brizola, vou reclamar da professora? Como é que fez um ‘B’? O ‘B’ é meu!…

E o que é curioso é o seguinte: quem criou esta sigla Embratel, foi eu, Leonel Brizola. Tudo partiu da encampação da ‘aititi’ [ITT] do Rio Grande do Sul. Depois o Lacerda encampou aqui; foram encampando pelo Brasil inteiro.

No governo João Goulart, se decidiu criar uma empresa nacional, federalizando essas empresas regionais. Então, foi o coronel Dagoberto Rodrigues, que era diretor dos Correios e Telégrafos – um homem extraordinariamente capaz, trabalhador – foi incumbido de chefiar a comissão redatora dos estatutos da futura empresa.

E eu participei da primeira reunião, porque eu era, naquele tempo, uma espécie de guru das expropriações, porque era o primeiro que realmente encampou uma telefônica. Isto antes de Allende.

Aí, o que ocorreu? Nesta reunião, eu escrevi para o Dagoberto esta sigla: Embratel. Eu digo: veja que nome bonito, Dagoberto; quem sabe pode ter este nome a futura empresa

Eu sugeri o nome de Embratel.

Então, isso parece até uma ironia do destino.

 (Campanha para a Prefeitura – Entrevista coletiva, na Praça Serzedelo Correia, Copacabana, em 1 de agosto de 2000)

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– Governador, a Embratel está querendo processar o senhor, pelo ‘Faz um 12’…

Isto é preconceito de multinacional. Porque o rapaz, dono, sabe que foi eu quem criou o nome de Embratel. Foi eu quem deu início aos estatutos da Embratel. Devido àquela encampação da ITT, no Rio Grande do Sul, acabou tudo na mão do Estado. E fomos nós…

O coronel Dagoberto Rodrigues e eu – Leonel Brizola – fomos que concebemos a ideia da Embratel. E lhe demos o nome de Embratel. Então, ora, eu, como mais velho de tudo, criador dessas idéias aí, tenho até direito de usar o nome. Mas não: estou só usando o nome de Leonel. Tudo mais é preconceito. Ela não tem razão e eu tenho o direito da paternidade.

– Isto foi em que ano?

Quando nós criamos a Embratel, foi no ano… O ano que começamos a redigir os estatutos da Embratel foi sessenta… e dois – princípio de 1962. Depois da Legalidade, depois da encampação.

Eu encampei em 1961. Em 62, o Lacerda já tinha encampado a Light aqui; e o Governo Federal resolveu assumir tudo. E o coordenador disso era um militar – o nosso companheiro chamado Dagoberto Rodrigues. Era o diretor dos Correios e Telégrafos. Foi com ele que começamos…

E o nome, a sigla Embratel fui eu que sugeri. Eu era bom de sigla: criei a CRT, que agora, também, é multinacional. Eu não sabia que eu ia acabar criando multinacional.

Mas, tem muita volta nisso tudo aí.

– O senhor acha que é possível tirar a campanha ‘Faz um 12’ da televisão?

Não creio que a Justiça Eleitoral vá dar bola para isso aí.

Que a multinacional nos leve o nosso patrimônio, a nossa riqueza, eles estão fazendo isso em todo o mundo; mas que queira levar a nossa criatividade… Isso é demais. Estou certo de que a Justiça Eleitoral vai dar um chega pra lá nessa pretensão deles.

(Campanha para a Prefeitura – Entrevista coletiva, na Rocinha, 30 de julho de 2000)