Brizola e a Política: Escolha do Rio de Janeiro para morar.

Agora, bonita foi uma história que ocorreu comigo aqui. Quando eu cheguei aqui, de volta do exílio, naquelas primeiras andanças, que eu vim a ser candidato a governador, eu fui interpelado em alguns lugares:

– Como é que o senhor, gaúcho, vem se meter aqui no Rio de Janeiro?… Governador… Que intenção é essa de vir nos governar?

Eu já tinha – compreendeu? – no bolso preparadinha a resposta. Eu fui descobrir, na história do Rio Grande do Sul, que o primeiro governador eleito do Rio Grande do Sul era um fluminense. Foi na Revolução Farroupilha.

Porque, no fundo, aqueles chefes ali, vários deles eram oficiais das Forças Armadas federais, que eram muito desestruturadas naquele tempo. Um homem como Osório (ele e Caxias foram as maiores personalidades do Exército), por exemplo, não tinha escola militar. Ele foi feito a machado, compreendeu como é? Foi feito na luta. Aos 16 anos ele sentou praça; e foi subindo, subindo, subindo, subindo, no lombo do cavalo, que acabou se tornando…

Governador, eu tenho uma curiosidade. O senhor volta do exílio em 79. Em 82, nós estávamos no governo Figueiredo. O senhor tinha uma estrutura do PDT, no Rio Grande do Sul, com muito mais conhecimento; e o senhor se candidatou pelo Rio de Janeiro. No meu entendimento seria uma batalha muito mais difícil. Por acaso tinha algum problema que o senhor avaliou que, para a estrutura militar que estava no poder, aceitá-lo como governador do Rio Grande do Sul, com toda a história do Rio Grande do Sul: de ter países limítrofes, do poder da Cadeia da Legalidade. Seria um problema mais difícil para os militares?

Não é nem uma coisa nem outra. O que tem ocorrido comigo é – em regra; salvo algumas exceções no início dos meus primeiros passos – que eu nunca fui candidato porque quis, que eu aspirei ser candidato.

Então, quando na minha volta, eu vim caminhando, procurando um lugar que fosse, sob o ponto de vista geopolítico, mais conveniente para eu me instalar. Eu tive esta feliz inspiração de me instalar no Rio de Janeiro. Eu digo, bom, aqui eu conto. Repercute tanto tudo que se faz no Rio de Janeiro. Isto aqui é uma espécie de tambor. E eu fui tratando de reorganizar o Partido, com base no Rio de Janeiro

(Entrevista à revista Caros Amigos – 7 de agosto de 2000)

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Matriculou-se no Rio de Janeiro

Falam muito; muita propaganda, muito lero lero, mas ninguém foi melhor governador do que eu. Eu governei duas vezes o Estado e – quaisquer das duas vezes – foi um período melhor do que de quaisquer desses governantes que estiveram aí.

Eu olho para trás e só vejo, lá no fundo, um governante que pode se comparar comigo. Mas desses atuais? Sinceramente. Todos eles: não realizaram; não mexeram no futuro do Estado quanto eu.

Agora eu venho como Prefeito com umas ideias novas: eu venho para levantar os verdadeiros problemas do Rio de Janeiro. Eu creio que vou ser importante. Vou dar os anos de ouro da minha vida, que é o meu pensamento conclusivo: quando a gente não quer nada para a gente: só quer para a coletividade; quer para o país da gente, para a cidade da gente.

Claro, porque o Rio de Janeiro é a minha cidade: eu já me matriculei aqui. Eu tive duas cidades na minha vida: Porto Alegre e Rio de Janeiro. E são duas cidades-irmãs.

Eu cheguei em Porto Alegre, com 13 anos de idade, e não tinha nem certidão de idade. E lá comecei a vida, sozinho. É uma cidade tão generosa que, aos vinte anos, me fez prefeito. Não tinha nem parente lá.

Agora: Rio de Janeiro, eu também cheguei aqui e pedi para ser deputado pelo Rio de Janeiro, e ele me deu uma votação maior que já teve um brasileiro, na nossa história, para deputado federal.

E eu estive no exílio. Voltei, vim caminhando, cheguei no Rio, parei aqui. E disse: bem, aqui é que vou ficar; aqui vou me matricular.

(Campanha eleitoral para Prefeito, no Cadeg – 27 de setembro de 2000)