Brasil perde Cláudio Valério, ex-secretário de Cultura no governo de Jorge Roberto

Ex-secretário de Cultura de Niterói, no governo de Jorge Roberto Silveira, Claudio estava com câncer

O professor, pintor e crítico de arte Claudio Valério Teixeira, morreu na última terça-feira (27/4) aos 72 anos de câncer no pulmão, após complicações provocadas por longa internação hospitalar para tratar da Covid-19. Considerado um dos maiores restauradores do país e conhecido internacionalmente, segundo um de seus filhos, Frederico Teixeira, Claudio morreu dormindo, de forma serena e sem maiores sofrimentos, como registrou a repórter Raquel Morais, do jornal “A Tribuna” de Niterói.

O prefeito de Niterói, Axel Grael (PDT), lamentou a perda, “Nos deixou hoje o restaurador, pintor, crítico e artista plástico Cláudio Valério Teixeira. Seu talento ficará registrado em todas as suas obras. Como é o caso do Teatro Municipal João Caetano, um dos maiores trabalhos de restauração de um patrimônio público no Brasil. Cláudio, que foi secretário municipal de Cultura e presidente da Fundação de Artes de Niterói (FAN), era dono de dom ímpar e deixará uma importante contribuição para o enriquecimento cultural de Niterói. À querida Tania e todos os familiares, meu carinho e solidariedade”, disse Axel, referindo-se aos cargos que Claudio Valério ocupou no governo do prefeito Jorge Roberto Silveira (PDT) – seu antecessor no cargo.

Valério participou de projetos importantes para Niterói como a restauração do Teatro Municipal de Niterói, do Solar do Jambeiro, da Igreja São Lourenço dos Índios, do Palácio Arariboia e da Capela de São Pedro do Maruí. Além disso, destacou Raquel Morais da “Tribuna”,  fez a restauração das grandes telas “Batalha do Avaí”, do pintor Pedro Américo, e “Batalha dos Guararapes”, do pintor Victor Meirelles, do acervo do Museu Nacional de Belas Artes, além do famoso painel “Guerra e Paz”, de Cândido Portinari.

(Claudio Valerio)

Ele também era membro dos comitês brasileiro e internacional de Críticos de Arte e um de seus últimos trabalhos foi a série “Aquarelas da Quarentena”, que reuniu 60 pinturas feitas pelo artista durante a pandemia.

O jornalista e escritor Luiz Antonio Mello, amigo de longa data de Cláudio Valério, lamentou a morte do artista.

“O Cláudio era mais do que um amigo, foi um irmão e um mestre da Cultura. Eu presidia a Fundação de Artes de Niterói quando o então prefeito Jorge Roberto Silveira – muito amigo dele – o convidou para dirigir a restauração do Teatro Municipal. Pintor consagrado, ele aceitou o desafio. Depois restaurou o Solar do Jambeiro, a Igreja São Lourenço dos Índios e fez o Museu Janete Costa. Convivi intensamente com ele, um sujeito extremamente inteligente, bem informado, culto e muito engraçado. Impossível não rolar de rir quando encontrava com ele. Mas quando alguém pisava nos calos (falar mal de cultura, por exemplo) ele virava um bicho”, lembrou.

Marcos Sabino, atual presidente da FAN, também fez questão de expressar o carinho pelo amigo. “Cláudio Valério sempre foi muito mais que um artista. Sua inquietude, inteligência e talento o fez ser diferente e muito além de seu tempo. Ter convivido com Cláudio é um privilégio. Descanse em paz querido amigo, tudo que você fez pela arte e pela cultura de Niterói e do Brasil é eterno, assim como cada traço e cada cor de sua aquarela linda”, disse.

A diretora do Teatro Municipal de Niterói, Marilda Ormy, lembrou com carinho e gratidão do amigo. Cláudio fez a restauração no Municipal de Niterói entre os anos de 1990 e 1995.

“Meu coração está rasgado. Perdi a referência do meu grande mestre. Chamava ele de guru por todas as referências profissionais e tudo que ele me ensinou. O conheci em 1994 ele desde então sempre foi meu professor no olhar estético, profissional, na manutenção e no cuidado com patrimônio. Grande mestre que me fez acordar para a cultura. Ele realmente foi a pessoa que fez crescer dentro de mim um desejo muito grande por cuidar do Teatro Municipal, dos colaboradores, e da cultura. Estou muito triste e não consegui que ele escrevesse um texto para o futuro Livro de Ouro do Municipal”, lamentou.

A Secretaria Municipal das Culturas e a Fundação de Artes de Niterói divulgaram em conjunto uma nota de pesar, afirmando que “Cláudio Valério era considerado um dos mais respeitados restauradores do país. Assina importantes obras na cidade, como o painel de grandes proporções para o Memorial Roberto Silveira, a pedido do arquiteto Oscar Niemeyer, e as restaurações de prédios históricos tombados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em Niterói”.

Cláudio Valério deixa a viúva Tânia Teixeira, três filhos e sete netos.

 

Fonte: Jornais “A Tribuna”, de Niterói – e “O Dia”