RJ: Bolsonaro quer apoiar Paes caso Crivella perca para evitar ascensão de Ciro

‘Bolsonaro teme o crescimento político de Ciro Gomes, aliado de Martha Rocha

Jair Bolsonaro estaria disposto a apoiar o ex-prefeito Eduardo Paes no 2° turno das eleições no Rio de Janeiro, caso o atual prefeito, Marcelo Crivella não passe para o 2° turno – segundo texto assinado pelos jornalistas Cássio Bruno e Marina Lang publicado ontem (12/11) na versão online da revista “Veja”.  O texto dá conta de que por causa de “brigas internas na equipe, o bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus continua estagnado nas pesquisas, contrariando as expectativas de um possível distanciamento do pelotão que disputa a segunda posição na preferência dos eleitores”. Diz também eu  “até o momento, a participação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na propaganda eleitoral (de Crivella) na TV, no rádio e nas redes sociais não surtiu o efeito esperado. Pior: a rejeição dos cariocas a Crivella disparou – passou de 57% para 62%, segundo Datafolha divulgado na quarta-feira,11”.

A revista assinala ainda que Crivella não sai do lugar e o líder das pesquisas continua sendo o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM).

“A entrada antecipada de Bolsonaro na campanha de Crivella foi decisão do próprio presidente. Ele só pediria votos ao prefeito e a outros candidatos no segundo turno. No entanto, a ameaça de Martha Rocha ultrapassar Crivella fez Bolsonaro mudar os planos. O presidente teme o crescimento político de Ciro Gomes, aliado da parlamentar e seu futuro adversário na eleição de 2022, no Estado do Rio”, destacou a revista.

Que também frisou: “A situação é tão crítica que no café da manhã com Crivella, em Brasília, em 28 de outubro, Bolsonaro mandou o recado: se ele não for para o segundo turno, o apoio presidencial será a Eduardo Paes”.

Ainda de acordo com a notícia da “Veja”, preocupado com a possibilidade de Bolsonaro fazer com ele o que está fazendo com Crivella, “a coordenação da campanha de Paes diz que não aceitará o apoio de nenhuma figura nacional”.  Os marqueteiros do ex-prefeito preferem continuar na linha de campanha de mostrar que o ex-prefeito “é o melhor para o Rio”, independentemente do cenário brasileiro.

“O Bolsonaro sabe que as chances de Eduardo Paes e do DEM, de Rodrigo Maia (presidente da Câmara), apoiarem o (governador de São Paulo, João) Doria (PSDB), em 2022, são grandes. Mas o presidente não quer deixar o Ciro Gomes criar asas no Rio, berço eleitoral da família dele. A conversa com Crivella, naquele café da manhã, foi neste sentido”, explicou uma fonte da “Veja” que, de acordo com a revista, “circula entre o clã bolsonarista e a prefeitura do Rio”.

A notícia na versão online da revista lembra que na última quarta-feira, por iniciativa dos advogados do PDT, a Justiça Eleitoral tirou do ar a propaganda de Marcelo Crivella por excesso de participação de Bolsonaro. Na primeira vez em que citou Crivella em live no Facebook, em 29 de outubro, Bolsonaro declarou apoio tímido ao prefeito, além de ter elogiado Eduardo Paes. Mas ele também não esqueceu de atacar Martha Rocha, que pontua em segundo lugar – enquanto Crivella derrapa nas pesquisas – e tem excelentes chances de disputar o segundo turno por conta de seu baixíssimo índice de rejeição.

Nessa mesma live, Bolsonaro tentou intrigar e diminuir Martha Rocha: “Nós sabemos que tem mais dois nomes lá (no Rio) concorrendo. Uma lá, que é de um partido X (não citou o PDT), o tal do Ciro Gomes falou que, se ela ganhar, vai ser o chefe da Casa Civil dela. Terrível, né?”, lamentou Bolsonaro aludindo à candidatura de Martha Rocha.

A “Veja”, argumentou a respeito, na matéria dos dois jornalistas: “O episódio irritou a cúpula da campanha de Crivella. No dia seguinte à saia-justa, Jair Bolsonaro gravou o programa eleitoral de Crivella. O presidente também designou uma tropa-de-choque para tentar salvar o prefeito de um vexame no domingo. Os deputados bolsonaristas-raiz Otoni de Paula, Carla Zambelli, Anderson Moraes, Alana Passos e Carlos Jordy iniciaram uma série de lives para pedir votos ao bispo licenciado da Universal. Outra estratégia foi reforçar o eleitorado feminino, com as presenças na propaganda de Crivella da candidata a vice-prefeita, a tenente-coronel do Exército, Andréa Firmo, e da primeira-dama do município, Sylvia Jane. Inaugurações de obras também fazem parte do roteiro diário do prefeito para conquistar votos”.

Tudo isto na tentativa de “segurar” o avanço de Martha sobre Crivella, tirando o atual prefeito do 2° turno da eleição e fortalecendo a candidatura de Ciro Gomes à presidência em 2022.

O desespero de Crivella com a situação o levou a apelar, inclusive, segundo a “Veja” “a depoimentos de apoio de líderes evangélicos. Entre eles, o missionário R.R Soares (da Igreja Internacional da Graça de Deus), do pastor Joel Suhett (da Igreja Missionária Evangélica Luz do Mundo), do apóstolo César Augusto (da Igreja Fonte da Vida) e do bispo Robson Rodorvalho (da Igreja Sara Nossa Terra)”.

Segundo Márcia Cavallari, do Ibope, também ouvida pelos repórteres da revista,  “são os evangélicos que ancoram Crivella nessas eleições. Ele tem maioria relativa entre eles de 28%. A grande questão para Crivella é reverter a avaliação negativa de sua gestão e convertê-la em votos”.

Em nota, a campanha de Marcelo Crivella nega que Bolsonaro tenha falado em apoio a Eduardo Paes caso o prefeito não vá para o segundo turno.

“No café da manhã, Crivella recebeu um apoio ostensivo, entusiasmado e determinado do presidente à sua reeleição. Isto se conrmou em gestos de Bolsonaro nas gravações do programa eleitoral pró-Crivella, e nas lives feitas pelo próprio presidente da República, apoiando o candidato Crivella no Rio. O apoio do presidente Bolsonaro honra a campanha de Crivella”.