Advogados do PDT acusam Eduardo Paes de criar “milícias digitais” contra candidatura de Martha Rocha

Martha Rocha (PDT) e Eduardo Paes (DEM), candidatos a prefeitura do Rio, estão chegando às vésperas do primeiro turno travando uma batalha judicial cujo tom é cada vez mais alto, segundo matéria do jornal “O Globo” publicada nesta terça (10/11) assinada por João Paulo Saconi. Nos últimos dois dias, destacou Saconi, Martha e Paes, através de seus advogados de campanha, apresentaram representações de última hora à Justiça Eleitoral, transportando para o debate jurídico a disputa de narrativas que já toma conta do horário eleitoral.

A defesa de Martha acusa Paes de ter criado uma “milícia digital” para desgastá-la na internet e o ex-prefeito, por sua vez, quer impedir a adversária de veicular propaganda intitulada “Direito de Resposta”, sob a alegação de que a peça não possui respaldo legal. Paes e Martha têm rivalizado desde o mês passado, quando a pedetista passou a aparecer tecnicamente empatada com o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) nas pesquisas.

A boa posição de Martha nas pesquisas a tornou alvo do marketing político de Paes e reforçou as críticas feitas a ele pelo time de comunicação de sua campanha. A disputa aumentou depois que os advogados de Martha apresentaram uma ação de investigação judicial eleitoral (AIEJ) contra a chapa de Paes, dois de seus apoiadores e o sócio-administrador da principal empresa contratada pela campanha dele.

Vania Aieta e Marcelo Weick, advogados do PDT querem a abertura de uma investigação para apurar se Paes estaria articulando e financiando uma rede de promoção pessoal e ataques contra oponentes na internet, sobretudo no Instagram. A solicitação enviada à 229ª Zona Eleitoral menciona 15 contas criadas na plataforma sem autoria identificada e utilizadas para publicar mensagens positivas sobre o candidato do DEM e negativas sobre Martha.

Aieta e Weick argumentam que essas contas seriam controladas por pessoas ligadas à campanha de Paes e possivelmente remuneradas através da Rio2020 Publicidade Ltda, empresa aberta em 5 de outubro deste ano e para a qual o ex-prefeito destinou R$ 4,3 milhões. O pedido é para que os gastos da empresa com a campanha de Paes sejam trazidos a público. A ação também pretende obter a quebra de sigilo bancário de duas pessoas que seriam possíveis administradoras da suposta rede digital. São elas: a digital influencer e jornalista Talita Galhardo, apoiadora de Paes na web e assessora do deputado federal Pedro Paulo (DEM), aliado do ex-prefeito; e Thiago Miguel de Sousa, identificado em outra ação judicial como o responsável por duas páginas autoras de vídeos apócrifos contra Martha.

Saconi, na sua matéria no Globo, explica ainda que “se a Justiça Eleitoral abrir a investigação solicitada por Martha, as apurações só devem ocorrer após o fim da eleição deste ano. Há casos da mesma natureza que ainda estão em aberto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde a eleição presidencial de 2018. As AIEJs, quando levadas adiante, podem resultar na cassação do registro do candidato investigado; em multa para os envolvidos e na inelegibilidade de quem, comprovadamente, tiver cometido ilegalidades.

A campanha de Eduardo Paes nega que ele esteja remunerando apoiadores para que eles publiquem ataques contra Martha Rocha na internet e diz que as contas do Instagram “não são oficiais e são administradas por voluntários e apoiadores da campanha”.