ABI divulga nota em defesa de Omar Aziz atacado por Braga Neto

“As Forças Armadas são instituições de Estado necessárias a um país soberano. Não interessa a qualquer brasileiro vê-las enxovalhadas”

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) divulgou nesta quinta-feira (8) nota em solidariedade ao presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), que foi alvo de um ataque do ministro da Defesa, Walter Braga Neto, e dos comandantes das Forças Militares, após declarar que “os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados” pelo envolvimento de figuras militares em casos suspeitos de corrupção nas negociações de vacinas contra a covid-19 no Ministério da Saúde.

A ABI destaca que a nota divulgada pelos militares “foi uma tentativa de intimidar a CPI da Pandemia e seu presidente, o senador Omar Aziz, protegendo militares suspeitos de envolvimento com corrupção”.

No texto, assinado pelo presidente da ABI, Paulo Jeronimo, a entidade secular salienta que “não houve qualquer acusação às Forças Armadas em si” por parte do presidente da CPI, mas “foi o que bastou para que os chefes militares se alvoroçassem”.

“Não interessa a qualquer brasileiro vê-las [as Forças Armadas] enxovalhadas. Mas é preciso que se dêem ao respeito. Ou elas próprias estarão contribuindo para o seu desgaste”, argumenta.

Em outro trecho, a ABI cita o caso do ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, quando infringiu o estatuto militar e não foi punido pela falta.

“Não é razoável por exemplo, que, diante da constatação de que o general Eduardo Pazuello participou de um ato político em apoio a Jair Bolsonaro, o Exército aceite a versão de que aquilo não passou de um passeio de motocicleta. E, em seguida, estabeleça sigilo por cem anos (sim, cem anos!) para a publicidade de qualquer investigação sobre o caso.”

A associação defende que a CPI não acusou o Exército, a Marinha ou a Aeronáutica. “Simplesmente está apurando os fatos, que são gravíssimos”, aponta.

A ABI diz ainda que “tudo indica que dois grupos disputavam o controle das compras no Ministério da Saúde: um, formado por parlamentares do chamado Centrão; outro, integrado por militares, levados por Jair Bolsonaro e Pazuello”.

“Não há razão para que se deixe de investigar as acusações num momento em que está claro que a demora na aquisição de vacinas não foi fruto apenas de incompetência. Foi um artifício para, depois, numa situação emergencial, negociar a preços superfaturados com outros fabricantes, com quem se tinha esquemas de corrupção”, afirma, acrescentando ainda: “Por isso o atraso na aquisição de vacinas. Este crime contribuiu para a morte de mais de meio milhão de brasileiros.”

Confira a íntegra da nota da ABI.

“ABI é solidária ao senador Aziz

A nota divulgada ontem pelos comandantes militares é lamentável. Foi uma tentativa de intimidar a CPI da Pandemia e seu presidente, o senador Omar Aziz, protegendo militares suspeitos de envolvimento com corrupção.

Note-se que não houve qualquer acusação às Forças Armadas em si. Surgiram apenas nomes de militares isolados e nem mesmo eles foram acusados por Aziz. Simplesmente depoimentos de terceiros trouxeram seus nomes à baila. Como era lógico, a CPI considerou conveniente convocá-los para depor.

Foi o que bastou para que os chefes militares se alvoroçassem.

Ora, as Forças Armadas são instituições de Estado necessárias a um país soberano. Não interessa a qualquer brasileiro vê-las enxovalhadas. Mas é preciso que se dêem ao respeito. Ou elas próprias estarão contribuindo para o seu desgaste.

Não é razoável por exemplo, que, diante da constatação de que o general Eduardo Pazuello participou de um ato político em apoio a Jair Bolsonaro, o Exército aceite a versão de que aquilo não passou de um passeio de motocicleta. E, em seguida, estabeleça sigilo por cem anos (sim, cem anos!) para a publicidade de qualquer investigação sobre o caso.

Isso ajuda a imagem das Forças Armadas? É evidente que não.

É preciso repetir: a CPI da Pandemia não fez qualquer acusação ao Exército, à Marinha ou à Aeronáutica. Simplesmente está apurando os fatos, que são gravíssimos, trazendo elementos para posteriormente responsabilizar quem cometeu atos de corrupção. Sejam civis ou militares.

Afinal, vivemos numa república. Todos são – ou deveriam ser – iguais perante as leis.

Tudo indica que dois grupos disputavam o controle das compras no Ministério da Saúde: um, formado por parlamentares do chamado Centrão; outro, integrado por militares, levados por Jair Bolsonaro e Pazuello.

Não há razão para que se deixe de investigar as acusações num momento em que está claro que a demora na aquisição de vacinas não foi fruto apenas de incompetência. Foi um artifício para, depois, numa situação emergencial, negociar a preços superfaturados com outros fabricantes, com quem se tinha esquemas de corrupção.

Por isso o atraso na aquisição de vacinas. Este crime contribuiu para a morte de mais de meio milhão de brasileiros.

Assim, num momento em que, talvez por corporativismo, os chefes militares tentam intimidar o senador Aziz, todos os que defendem a lisura em relação à coisa pública devem se solidarizar com ele.

É o que faz hoje a ABI, entidade com 113 anos de história em defesa das boas causas do povo brasileiro.

Rio de Janeiro, 8 de julho de 2021

Paulo Jeronimo – Presidente da Associação Brasileira de Imprensa”