Abdias Nascimento, que faria 107 anos neste domingo, lutou pela “2a. e verdadeira abolição”

PDT impulsionou, desde o Encontro de Lisboa, a luta contra o racismo e a desigualdade entre negros e brancos

*Por Bruno Ribeiro / PDT-RJ

Um dos principais ícones do movimento negro no Brasil, Abdias Nascimento, completaria, neste domingo (14), 107 anos. O eco da voz atesta a representatividade do ex-senador e ex-deputado federal do PDT na busca pela recorrente concretização da “segunda e verdadeira abolição”, edificada por milhões de antepassados.

E a característica posição era observada em cada manifestação do também cientista econômico e professor universitário,. No plenário do Senado em 13 de maio de 1998, Dia da Abolição da Escravatura, o pedetista destacou a luta histórica em prol de “reivindicações consistentes e viáveis para a solução dos seculares problemas” e do impacto da denúncia sobre o aglomerado de injustiças.

“De escravos passaram a favelados, meninos de rua, vítimas preferenciais da violência policial, discriminados nas esferas da justiça e do mercado de trabalho, invisibilizados nos meios de comunicação, negados nos seus valores, na sua religião e na sua cultura. Cidadãos de uma curiosa “democracia racial” em que ocupam, predominantemente, lugar de destaque em todas as estatísticas que mapeiam a miséria e a destituição”, afirmou.

“Se denuncia a discriminação racial de que é vítima, o negro se vê enquadrado nas categorias de “complexado”, “ressentido” ou mesmo de “perturbado mental”. Algum tempo atrás, poderíamos acrescentar as de “subversivo” ou “agente do comunismo internacional”, acrescentou, ao mencionar o período no exílio em função da ditadura militar iniciada em 1964.

Progresso

Apesar das dificuldades e resistências na sociedade, o movimento negro encontrou apoio em Leonel Brizola. Como governador do Rio de Janeiro na década de 80, o fundador do PDT foi responsável, segundo Abdias, “pela mais séria e ousada experiência de enfrentamento do racismo até hoje empreendida no plano do Estado”.

Como exemplo, o ativista citou ainda a criação da Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras, da qual foi o primeiro titular e onde buscou a adoção de ações compensatórias a partir de políticas públicas consistentes.

Seu anseio foi abraçado e potencializado por diversas lideranças, incluindo Edialeda Salgado do Nascimento (centro da foto), sindicalista e ativista política que assumiu a Secretaria de Estado de Promoção Social na gestão brizolista.