Papel da mulher negra no Brasil é tema de ‘Café com Lupi’ de 7/8

O Coletivo de Mulheres Negras do PDT vai ao Café com Lupi e fala sobre representatividade

O Café com Lupi deste sábado (7/8) reuniu trabalhistas negras para falar sobre representatividade, igualdade racial e o papel da mulher negra na sociedade brasileira. Para abordar o assunto, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, convidou Neudes Carvalho, de São Paulo, Edimara Celi, do Rio de Janeiro, e Laise Neres, de Salvador, todas pertencentes ao Coletivo de Mulheres Negras do PDT.

A mulher negra não é reconhecida quanto a sua importância na estrutura social brasileira e sofre uma discriminação duplicada, tanto por ser mulher quanto por ser negra. De acordo com Neudes, visibilidade e reconhecimento são fatores fundamentais para que elas ocupem seu espaço dentro da sociedade e para que o próprio país atinja o desenvolvimento, uma vez que tal quadro discriminatório provoca estagnação nacional.

“Nós estamos sempre falando o quanto as mulheres pretas que compõe a base da pirâmide social desse país sustentam, de fato, as bases das cidades e dos estados brasileiros e o quanto somos invisibilizadas nessas questões […] Enquanto as mulheres pretas não tiverem a sua emancipação de fato, o seu reconhecimento de que move essa sociedade, nenhum brasileiro e nenhuma brasileira estará liberta ou terá efetivamente o desenvolvimento”, expôs Neudes Carvalho.

Outro ponto levantado pelas convidadas diz respeito à inclusão das pautas raciais nos diversos debates propostos nos espaços de poder. Segundo Laise, por ser estrutural, a questão racial está inserida em todas as áreas da sociedade e, portanto, uma abordagem isolada não contribui para a solução do problema.

“Raça é estruturante. A raça estrutura o sistema capitalista, assim como o machismo e o patriarcado. Então, nenhum projeto econômico vai dar conta das especificidades e do desenvolvimento da sociedade brasileira em seus diversos âmbitos, quer sejam econômicos ou sociais, se não trouxer raça para o centro do debate”, explicou Laise Neres.

Edimara enfatizou que a presença de mulheres negras nos espaços de poder, atribuindo a elas papel decisório em políticas públicas, é indispensável para o desenvolvimento igualitário do país. Segundo ela, esse é um movimento que beneficia a todos, incluindo homens e pessoas não negras.

“Eu não quero falar apenas para a mulher negra, eu quero que a mulher não negra também entenda a importância de nós ocuparmos determinados espaços, porque quando lutamos por políticas públicas a gente não está pensando só no povo negro, a gente está pensando na sociedade que é composta por diversas etnias […] Para a gente atingir todas as classes, todos os ouvidos, a gente precisa de visibilidade”, afirmou Edimara Celi.

Para o presidente Carlos Lupi, o Coletivo de Mulheres Negras do PDT é um braço do partido diretamente ligado ao seu compromisso histórico de lutar por justiça social e pela inclusão do povo minorizado. Segundo o trabalhista, é preciso ir além da criação de um setor exclusivo nos governos para lidar com políticas públicas voltadas ao povo negro.

“Eu costumo dizer sempre o seguinte: ‘você mede o compromisso pelo orçamento’. Não é só criar secretaria dos negros, isso é marketing. Tem que estar presente em todas as secretarias, tem que ter políticas públicas em todas as secretarias […] É muito importante que a gente dê ao Brasil a ideia de que esse partido existe para ser essa voz, senão vamos fechar”, afirmou Lupi.

(fonte: PDT Nacional)

Assista ao vídeo abaixo e saiba tudo o que rolou no Café com Lupi.