Brizola Neto se reúne em Niterói com lideranças sindicais do Leste Fluminense

Brizola Neto se reúne com líderes sindicais  na  histórica sede dos Operários Navais de Niterói

O Coordenador de Trabalho e Renda de Niterói, Carlos Daudt Brizola, ex-ministro do Trabalho e ex-deputado federal, reuniu-se na manhã de hoje (23/2), com lideranças do Fórum Intersindical do Leste Fluminense para dar uma palestra sobre a questão do trabalho e renda no Brasil e ouvir a pauta dos trabalhadores, reafirmando o compromisso de diálogo permanente do governo municipal com as categorias laborais da região  e propor soluções conjuntas para a crise econômica e os efeitos da pandemia.

Na prática  foi o primeiro encontro de Brizola Neto com os integrantes do Fórum e a reunião aconteceu na histórica sede do Sindicato dos Operários Navais, inaugurado pelo seu tio-avô, o ex-presidente João Goulart, dos centros da resistência em Niterói ao golpe militar de 1964. Estiveram presentes 20 líderes sindicais de setores como construção civil, indústria naval, metalurgia, vestuário, água e esgoto, postos de gasolina e prédios e condomínios, entre eles.

Um dos assuntos foi a retomada do desenvolvimento econômico do município, com investimentos para a geração de empregos. Em sua palestra Brizola Neto destacou a importância da cadeia dos empregos da área  petróleo e gás na economia da cidade, como a construção naval – historicamente importante. E o papel da prefeitura na execução de projetos com potencial de abrir novas frentes de trabalho a curto prazo, como é o caso da construção civil.

Ainda esta semana, Brizola Neto terá uma reunião com o secretário de Obras e Infraestrutura, Vicente Marins, para aferir o impacto das obras programadas pela prefeitura na contratação de trabalhadores diretos.

“Em 2020 houve uma pequena recuperação dos estaleiros em Niterói. Não existem mais as grandes encomendas de plataformas, mas o setor vem se sustentando com a construção de pequenos e médios barcos de apoio, e com a execução de reparos navais. O setor naval já representou 10% dos trabalhos formais na cidade. Hoje representa menos de 5%”, comenta.

Brizola Neto criticou a atuação administração da Petrobrás que deveria  estar mais atentas às necessidades do Brasil do que o lucro de seus acionistas. Criticou a construção de plataformas fora do país, gerando mais de 80 mil empregos lá fora. Segundo Brizola Neto, a Petrobrás  “fez a maior descoberta da indústria petrolífera mundial deste século, mas há uma política de desmonte da companhia, o que explica a contratação de navios fora do Brasil.

“A boiada que falaram está passando: estão vendendo poços de petróleo, gasodutos, jazzistas de petróleo, tudo a preços absurdos. Gasodutos da Petrobrás, por exemplo, estão sendo vendidos por preços que a própria Petrobrás será obrigada a pagar, em aluguéis, nos próximos três anos”, denunciou.  “Isto é um absurdo!” frisou. Lembrou também que há dias a Petrobrás vendeu pela metade do preço que custou a refinaria Landulpho Alves, na Bahia.

Brizola Neto também criticou a recém aprovada autonomia do Banco Central, votada pelo Congresso e a dolarização do preço dos derivados do petróleo, gerando a crise que a Petrobrás está vivendo na atualidade com o afastamento do ex-presidente Castello Branco, defensor da política entreguista do ministro Paulo Guedes. “Estes fatos estão acontecendo ao mesmo tempo em que, por conta desta política errada, estamos exportando petróleo cru e importando derivados, a ponto de 40% da capacidade de nossas refinarias estarem ociosas”.

Estados em politica suicida de não processar o óleo cru e importar derivados. Isso é parte do

Por conta dessas políticas, destacou Brizola Neto, a taxa de desemprego atual oficialmente está em 14,6 por cento, mas é muito maior, já que ela não mede o número de pessoas que já até desistiram de procurar emprego por falta de recursos , pela dificuldade de conseguir colocações e por causa da pandemia de Coronavirus.

Ainda sobre emprego, argumentou que quando o Brasil vai bem em matéria de empregos, o Rio de Janeiro também vai bem. Mas quando o Brasil vai mal, o Rio de Janeiro vai muito pior, ainda mais agora que coma política de desmonte da Petrobrás, o Rio  é diretamente atingido porque os empregos de melhor qualidade no estado estão exatamente na cadeia produtiva do petróleo e gás, até pelo fato do estado ser o maior produtor de petróleo do país e sediar a Petrobrás.

Brizola Neto elogiou a política de auxílio emergencial aplicada pelo prefeito Rodrigo Neves ano passado, por conta da pandemia, e a extensão da ajuda até o mês de março, antes mesmo que o governo federal , ainda em dúvida, adote medida semelhante – atualmente em discussão em Brasília. Lamentou a perda de 20 mil empregos com carteira assinada na cidade, mas disse que seria muito pior – se não fosse a política da prefeitura da cidade.  Citou como programas referência de Niterói, para as prefeituras do resto do país, o programa de renda básica e o programa de garantir, para pequenas e médias empresas, o pagamento de até 20 trabalhadores.  “Não podemos perder a capacidade de olhar para a frente porque graças a esses programas emergenciais, o comércio da cidade vendeu mais, os serviços foram mais usados” apesar a da crise.

Um dos caminhos para o futuro, na sua opinião, é a importância de se conseguir a dragagem  do canal de São Lourenço para estimular a vocação natural da cidade no setor de reparos navais ainda mais agora que a exploração do pré-sal está apenas começando. “A dragagem do canal de São Lourenço é estrategicamente importante para a cidade”, argumentou, porque a demanda por atividades de apoio à exploração de petróleo vão aumentar cada vez mais a medida que a exploração do pré-sal avançar.

Também destacou que Niterói precisa dar total atenção à indústria do pescado, também tradicional na cidade, porque não faz sentido que o pescado do Rio de Janeiro seja tratado em Santa Catarina, em Itajaí, quando esses empregos poderiam ser gerados aqui. “Perdemos grandes oportunidades porque o emprego industrial é sempre melhor para os trabalhadores porque paga mais”, frisou. “Precisamos reativar e desenvolver a indústria de pescado no município”, destacou.

“Temos que virar esse jogo, retomar ao desenvolvimento mas com bons empregos para nossa população, seja na construção naval, na indústria de pescado, na parte se serviços de apoio à indústria petrolífera em alto mar”, disse.

Outra preocupação do Coordenador de Trabalho e Renda é com a qualificação profissional. Segundo ele, já existem boas iniciativas, mas que precisam ser ampliadas. Uma das ideias é aproveitar os espaços do prédio do Sindicato dos Operários Navais e do Sindicato dos Metalúrgicos para cursos de capacitação, de acordo com a demanda dos setores que estão empregando.

Para Juvino Silva, coordenador do Fórum Intersindical do Leste Fluminense e presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Edifícios e Condomínios (SEEN), o encontro foi bastante produtivo. As propostas, segundo ele, estão em sintonia com o movimento sindical. “Não há desenvolvimento sem trabalho. Essa interlocução com a administração municipal de Niterói é de suma importância para que possamos encontrar caminhos para sair da crise e enfrentar as altas taxas de desemprego”, afirmou.

(Fonte: “Toda Palavra” e OM)